A suinocultura brasileira está em crise

Apesar de a situação não ser favorável, empresários ainda investem no Extremo Oeste

Fatores como o excesso de produção, o consumo em baixa e mercados mundiais recessivos estão sendo apontados por quem entende no setor, como fatores cruciais para desencadear uma crise sem precedentes na suinocultura brasileira. Desde o final do ano passado o quadro é de dificuldades extremas para produtores e industriais e a situação está se tornando insustentável para ambos os lados.

Contudo, não há como simplesmente ignorar essa realidade que já?@preocupa o setor na região Extremo Oeste, já que, segundo a ACCS (Associação Catarinense de Criadores de Suínos), o Estado produz 0,7% da produção suína mundial, um pouco mais de 16% do rebanho nacional. No PIB estadual, a suinocultura é a segunda principal atividade, com 19% do total. Emprega diretamente em torno de 65 mil pessoas, e indiretamente 140 mil em toda Santa Catarina.

Para o presidente da Coopercentral Aurora, Mário Lanznaster, até a superação da crise, prevista para o segundo semestre, será inevitável o desaparecimento de muitas pequenas agroindústrias e centenas de produtores rurais. Ele reclama uma ação mais eficaz dos ministérios da Agricultura, das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para abertura de novos mercados mundiais, numa ação mais agressiva e articulada com a indústria nacional. "Temos que imitar a diplomacia norte-americana, que prioriza os negócios e promove a indústria nacional", aconselha.

 

?@FATORES

 

Lanznaster enfatiza que os suinocultores integrados ao sistema agroindustrial estão tendo uma remuneração modesta, porém positiva, da ordem de R$ 15 por animal. Esse produtor recebe da indústria os leitões, as rações e toda assistência técnica, contribuindo com mão-de-obra e instalações. No entanto, o problema está com os "independentes", aqueles criadores que produzem por conta própria, sustentam todos os insumos e correm todos os riscos do mercado. "Esses produtores estão amargando prejuízos da ordem de R$ 70 a cada suíno que engordam – e não têm para quem vender. A situação geral é de ‘quebradeira’ para os independentes. As indústrias não têm espaço para abater os animais dos independentes", resume

Segundo o cooperativista, além do mercado, outro problema enfrentado pelos criadores e que agravou a situação foi o elevado custo do milho que permaneceu em tendência de alta durante todo ano de 2008, encarecendo a produção de suínos. "Os preços dos grãos estiveram em alta e os preços da carne em baixa, no ano passado, criando um desequilíbrio que ainda não foi recuperado para a pecuária", assinala.

Conforme Lanznaster, a situação impõe uma decisão: aumentar as vendas ou reduzir a produção. Ele defende a redução da produção, como está fazendo a cadeia produtiva do frango, que até final do mês de março diminuiu em 20% o volume de incubação, alojamento e abate de aves. Reconhece, porém, que isso não é fácil porque, ao contrário da avicultura, a cadeia da suinocultura não está sob controle das indústrias.

O diretor administrativo do frigorífico Sul Valle, Maikel Grasel, reforça que esta é uma crise jamais vista neste setor. "Está muito complicado de lidar com esta situação, é a pior crise que vem assolando os produtores, nunca houve uma crise tão feia. Ele critica a atuação dos governos em relação a esse assunto. O governo até agora não tomou nenhuma ação, parece que fechou os olhos para a suinocultura. Hoje, a indústria até consegue empatar e virar as contas no azul, mas quem paga a conta é o produtor", reflete.

Ele defende que para estabilizar o setor é necessário que haja um controle de produção.

Como houve?@crise no mercado lá fora, muitos deixaram de exportar, e muita carne que seria mandada para fora ficou no mercado interno em excesso. "É preciso que o governo intervenha com políticas públicas que possam organizar esse setor", aposta.

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