Extremo Oeste define prioridades regionais durante plenária da Facisc com participação da Acismo |
A ROSA DE HIROSHIMA
Senador Luiz Henrique da Silveira
Neste sábado, 12 de maio, completa 61 anos o primeiro teste de uma Bomba de Hidrogênio, realizado pelos Estados Unidos, em 1951, nas Ilhas Marshall, um arquipélago, no Oceano Pacífico, composto por três ilhas e 29 atóis.
Por ironia do destino, o filósofo e matemático inglês Bertrand Russell, Nobel de Literatura de 1950, também nasceu num 12 de maio, de 1872, há exatos 140 anos. A ironia fica por conta da sua permanente e bem sucedida luta contra as guerras e a proliferação de armas nucleares.
Em 1962, já com 90 anos, ele mediou o conflito dos mísseis de Cuba para evitar que se desencadeasse um ataque militar.
“Nenhum dos males que se pretende evitar pela guerra é um mal tão grande quanto a própria guerra”, dizia ele sobre a guerra em geral. “Nossos problemas atuais se devem, mais do que a qualquer outra coisa, ao fato de que aprendemos a entender e controlar de forma aterrorizante as forças da natureza fora de nós, mas não aquelas que estão corporificadas em nós mesmos. Precisamos cuidar do mundo que não veremos”, completava, preocupado com o crescimento dos arsenais nucleares.
Em 13 de abril de 1954, logo após o teste da bomba de hidrogênio no Atol de Bikini, e a consequente contaminação dos tripulantes do navio pesqueiro japonês Dragão Feliz, a BBC convidou Russell e Joseph Rotblat, um jovem cientista, para explicarem para o público o que era a bomba de hidrogênio. Rotblat abordou os aspectos técnicos e Russell, os éticos e morais.
Esses os eventos levaram Bertrand Russell à ideia de organizar um programa de radio na Inglaterra, com o propósito de atingir o grande público com informações sobre bombas atômicas. O programa “A Humanidade em Perigo” foi um grande sucesso, tendo atingido uma audiência entre 5 a 6 milhões, sendo decisivo para a montagem de um novo evento: o Manifesto Russell-Einstein.
Considerado um dos mais importantes intelectuais do mundo, ele queria colocar essa influência a serviço da sua causa. “Só existe uma forma de inverter a tendência para a guerra: fazer com que o público saiba a verdade. Trata-se de uma tarefa difícil, visto que os verdadeiros loucos têm, em grande parte, o comando da maioria dos meios de publicidade”, pensava Russell.
Não sendo, porém, um especialista na matéria, ele escreveu uma carta ao maior cientista da época, Albert Einstein, em que anexava um Manifesto que iniciava assim: “Na situação na qual se encontra a humanidade, acreditamos que os cientistas devam realizar uma conferência sobre os perigos que surgiram com o desenvolvimento de armas de destruição maciça, com o propósito de considerarem uma resolução, cujo escopo é proposto em anexo”.
A carta-resposta enviada por Einstein, em 11 de abril de 1955, concordando com os termos do Manifesto, contêm sua última assinatura em um documento público. Sua morte em 18 de abril, sete dias após, de certa maneira precipitou a divulgação do Manifesto e contribuiu para seu impacto imediato.
A notícia da morte de Einstein chegou a Russell antes da carta de 11 de abril, quando ele voava de Roma para Paris. Mas ao chegar no seu hotel, em Paris, ele verificou, emocionado, que a carta resposta de Einstein estava a sua espera.
Sobre esse assunto, nunca é demais reler o grito pungente de Vinicius de Moraes, em seu poema A ROSA DE HIROSHIMA:
Pensem nas crianças / Mudas telepáticas / Pensem nas meninas / Cegas inexatas
Pensem nas mulheres / Rotas alteradas / Pensem nas feridas / Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam / Da rosa da rosa / Da rosa de Hiroshima / A rosa hereditária / A rosa radioativa / Estúpida e inválida / A rosa com cirrose / A anti-rosa atômica / Sem cor sem perfume / Sem rosa sem nada
Mais sobre:






Deixe seu comentário