A Maré da Vida

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O Náufrago é um filme maravilhoso e repleto de excelentes reflexões. Cada momento do filme revela algo importante e que nos convida a desenvolver uma aventura de idéias e ponderações. O filme conta a história de um homem que, após um acidente aéreo, fica isolado em uma ilha deserta. Após três longos anos ele consegue ser resgatado e retorna à sua cidade. Obviamente tudo está diferente. A mulher que amava, agora está casada e já tem um filho. Então, ele se vê novamente perdido, envolvido em sentimentos tão desoladores quanto os que sentia na época em que esteve na ilha.

A luta contra a fome e o frio, contra a solidão e contra si mesmo foi determinante para sua sobrevivência na ilha. Não muito diferente de nossas batalhas diárias. A vida nos surpreende com espantosas reviravoltas, em muitos momentos. Algumas guinadas não são tão dramáticas nem tão drásticas quanto às de Chuck Noland, o náufrago. De qualquer modo, elas acontecem e vêm para nos firmar, nos moldar, esculpir em nossa alma mais uma assinatura intransferível da vida.

No momento que o fôlego lhe faltar, que a força se esvair covarde, que o coração se espremer em temor por todos os motivos que lhe afligem, pare. Permita-se fraquejar um momento, mas que seja em um momento sereno, recolhido aos que lhe amam. E, mesmo que sozinho, envolva-se em si mesmo e procure cercar-se de coisas que lhe dêem força, inspiração. Não é preciso ter medo.

Nem sempre é possível ter todas as respostas, muito menos saber o que fazer em todas as situações desfavoráveis. O não saber faz parte de estar vivo. Uma das belezas da vida é a capacidade que todos temos de aprender. Aprendemos em momentos de prazer e conforto, e por incrível que pareça essa capacidade é ainda maior em momentos de dor e dificuldades. Podemos entender isso como um mecanismo de sobrevivência. Portanto é natural sentir medo em situações difíceis e em momentos que as respostas ainda não são tão claras. A beleza do processo está no instante que nos propomos a buscar as soluções que nos faltam. Isso se chama viver.

Reflita. Escute o sussurro da voz interna que todos temos.

As lembranças e a relação que Chuck Noland, o náufrago, tinha com sua esposa o salvaram muitas vezes naquela ilha. Essa, inclusive, foi uma das fontes mais importantes para o sucesso de sua sobrevivência. O retrato de sua mulher e a esperança de retornar aos seus braços garantiu sua perseverança em momentos incertos e desencorajadores. E foi a esperança que o fez acreditar em sua capacidade de vencer. A perseverança lhe permitiu a criatividade que transformou um pedaço de plástico, trazido pela maré, em uma vela de barco. A maré o levou à ilha, devolveu inúmeros itens do avião e, após longo tempo, também o fez retornar ao seu lar.

Assim, podemos nos afogar nas diversas tempestades da vida, podemos ainda nos imergir em problemas e dores. Podemos. Ou então optamos por nadar, dominar o revés e nele aprender. Temos a chance de optar pela esperança e eterna perseverança. Superar obstáculos e continuar respirando, vivendo um dia por vez.

Afinal, \"amanhã o sol irá surgir, quem sabe o que a maré irá trazer\".

Mariana Gobbi

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