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?Estou saindo limpa e de cabeça erguida?
Eliane deixa a pasta e afirma que a decisão de sua saída foi por motivo pessoal de Watte
Tendo ainda que lidar com a recente exoneração, a ex-secretária de Saúde, Eliane Zanotto, fez questão de ir até a imprensa regional no mesmo dia da demissão e dar a sua versão dos fatos com relação a "divergências políticas", apontadas pelo prefeito em exercício como motivadoras de sua saída na pasta. Antes de esclarecer esse assunto, Eliane resgatou a história de sua entrada no PP e na Secretaria de Saúde. "Isso já vem de algum tempo, quando nós ganhamos as eleições, eu fui uma indicação dele, equivocada, porque ele achou que iria ter um domínio sobre algumas coisas e que não aconteceu. E eu acho que realmente para ele a única coisa que restava era a exoneração, porque eu não iria ceder", declarou. Ante o ocorrido, Eliane enfatiza que para ela a decisão de sua demissão foi tomada particularmente pelo prefeito em exercício, Vilson Watte. "A decisão é do Dr. Vilson, particular, apoiado pelo presidente do partido que tem medo de que alguém se sobressaia e atrapalhe a candidatura dele. É assim comigo, pode ser assim com outros secretários. Como foi com o presidente da Câmara, o Nini. E agora começo a entender um pouco porque o Nini tem algumas atitudes, pois ele simplesmente foi banido do PP. Ele é um membro do partido, mas nunca é consultado e ouvido para nada, e que o atual presidente tem medo", enfatiza. A progressista foi mais além e destaca que não passaria por cima das estratégias adotadas ainda em plano de governo. "A divergência política que Watte se refere, há toda uma situação que vai contra, primeiro os meus princípios, segundo os princípios do governo, contra aquilo que traçamos como estratégia de governo, que o próprio Nelson visualiza como sendo uma coisa boa, de saúde pública. O problema é que, quanto mais saúde pública tiver, menos gente vai ter dentro de um hospital. Então isso o atinge diretamente", evidencia. "Essas divergências incluem o favorecimento ao hospital Casa Vitta. No sentido de encaminhar, mandar coisas para lá de forma direcionada. Por exemplo, eu tenho 10 profissionais, mas só vou utilizar o que está lá. Já chega disso! Nós sempre trabalhamos no sentido da inclusão, porque aquele profissional que está aqui instalado, tem o mesmo direito do que aquele que está instalado dentro do hospital. A prefeitura não pode fazer esse tipo de coisa, não é legal, mas principalmente moral. E essa foi a atitude que sempre tivemos desde o início, e foi assim com os funcionários, nas condutas, contratações, sempre mantemos essa linha, de crescimento e de resgate de algumas coisas que não se têm mais", complementa. Segundo Eliane, por diversos momentos ela foi pressionada para que tomasse algumas atitudes contrárias à sua índole. "A proposta era para favorecimento a alguns grupos que eu me recuso a fazer. Diferente de alguns, que ter 20 ou 30 processos não faz diferença nenhuma, eu posso dizer que por mais problemas que a gente teve, estou saindo de cabeça erguida. Se lá no início ele achou que podia comprar a índole das pessoas, comigo infelizmente ele se ferrou", alfineta. ARGUMENTOS Para Eliane, a coragem que ela teve de enfrentar o prefeito em exercício e de "dizer não, para uma pessoa que só aceita sim", foram cruciais para sua saída da Secretaria. "Houve alguns fatos marcantes como a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), por exemplo, é uma coisa que foi contra qualquer interesse dele, que me disse textualmente que não iria mover um dedo para que ela viesse a São Miguel do Oeste. E mesmo assim fomos buscar porque é uma coisa que vai ajudar toda a região. Mas que, por outro lado, vai tirar o pronto-socorro do Hospital Casa Vitta", cita. Ela pontua também a ausência do médico e vice-prefeito com as preocupações na área da saúde. "Se eu não consegui cativar a população, eu gostaria que ele explicasse como que na avaliação de governo a secretaria ficou muito bem colocada, diferente da posição de vice-prefeito, que é ausente. Ele é o vice-prefeito e muita gente não sabe quem ele é, não o conhece. Uma pessoa que nos eventos não participa, não se envolve, não se mistura. Na situação da época da Gripe A, nunca ele disse eu iria lá ajudar meio dia. Ele, como médico, por ser da área, é uma pessoa totalmente ausente. Quando nós tivemos que tomar a decisão dos PSFS, que ele poderia ter usado dos serviços dele para ajudar a população que precisava, ele não fez", alega. Sobre os serviços realizados pela secretaria nesse um ano de governo, Eliane reforçou que sempre buscaram atender a população com respeito, e que uma das maiores reclamações eram sobre os serviços do SUS, prestados pelo plantão. "Temos um contrato com o hospital Casa Vitta, em que o hospital foi notificado a regularizar a situação, e nós não iríamos permitir esses desmandos, o município pagando R$ 75 mil todo mês e a população sendo mal atendida. Eu, como secretária, não posso permitir esse tipo de coisa. Ou eu fico do lado do Casa Vitta ou eu fico do lado da população, e pessoas como ele, por exemplo, não precisam de saúde pública", rebate. Para finalizar, a ex-secretária reafirmou estar feliz com o trabalho realizado até o momento. "Ele fez bem em me exonerar, porque sabe muito bem que eu não iria ceder. Se nada tivesse sido feito durante o ano passado, só a resposta dos funcionários teria sido suficiente para eu sair feliz da vida. E essa é uma metodologia de trabalho que eles não admitem, "eu tenho que te matar para eu crescer". O prefeito Nelson deixou bem claro na transição na virada de ano que todas as alterações que se pretendiam fazer foram feitas naquele momento. Ele tem uma posição de governo fantástica, pensa muito pela melhoria efetiva da quaidade de vida das pessoas, mas infelizmente o vice-prefeito é quem está com a caneta na mão e tomou a atitude que deveria ter feito naquele momento", expressa. Interrogado sobre essas acusações com relação ao seu envolvimento com o hospital Casa Vitta e as pressões para beneficiar o hospital, a resposta de Watte foi categórica: "Estou sabendo por você desses conflitos e eu não faço mais parte do Casa Vitta. Não sei", exclamou. NOVO SECRETÁRIO Com relação ao novo secretário de Saúde, Watte ressalta que apontou interinamente Alfredo Spier e acredita no seu potencial como funcionário de administração pública. "O Alfredo é o nome nosso, conhece a parte técnica, é um forte soldado do partido progressista, sempre está pronto para todos os desafios e ele tem qualificação técnica inclusive para ser o secretário", anunciou. Sobre a indicação do secretário efetivo, o presidente do partido progressista informou que um novo nome será discutido entre a executiva nos próximos dias. "Vamos decidir com bastante calma. O Alfredo está à frente da Administração há bastante anos e tem uma equipe que está dando continuidade aos trabalhos lá. Vamos respeitar todos os trâmites, fazendo uma posição legal, dando continuidade aos trabalhos que vinham sendo feitos. Corrigindo algumas coisas que a gente gostaria que ao longo do ano fossem diferentes e, é claro, no passar dos dias vamos indicar outro nome", declara. Entre alguns nomes apontados, como do ex-vereador Leonir Caron, e alguns médicos, Panis ressalta que, por questões pessoais, essas indicações não serão possíveis. "No primeiro momento, um dos nomes era o do Caron, já em 2008 ainda, mas ele não poderia assumir a pasta, então não teve como. Alguns médicos também não podem por questão de o salário não ser aquilo que eles ganham na profissão deles, normal então ficar um pouco difícil. E a possibilidade do Dr.Vilson assumir não existe, pois ele já é vice-prefeito, e nós queremos contemplar mais pessoas que venham agregar e somar junto ao partido", conclui. CRISE DO PARTIDO PROGRESSISTA Questionados sobre uma possível crise interna que o Partido Progressista vem passando internamente, entre alguns de seus filiados as opiniões divergem. Para o presidente do PP, Altair Panis, esse é um dos melhores momentos do partido. "O melhor momento que o PP vive é esse, onde estamos em uma aliança, estamos em cinco secretarias, tivemos uma avaliação muito boa em todas, e a única secretaria que o PP deixou a desejar de fato foi a de Saúde. Não só pela questão política, mas algumas reclamações que o partido teve que analisar", aponta. Para o representante do partido no poder executivo, Vilson Watte, o partido tem demonstrado provas de força e união. "O partido progressista está a cada dia mais forte e mais unido. E a prova é que pela segunda vez na história de São Miguel do Oeste, o partido tem um cargo de prefeito. Isso demonstra a força e o crescimento do partido", reforça. Já para a filiada Eliane Zanotto, o partido vem, sim, passando por uma crise interna e isso se deve a algumas pessoas em específico. "O partido hoje se resume à opinião do presidente e do Dr. Wilson Watte. As pessoas que ajudaram a colocá-lo na condição de vice-prefeito nem sequer são ouvidas, por que ‘eu preciso defender os meus interesses e pode ser que eles não sejam os mesmos daquela pessoa’. Eu sou do partido, muito antes de alguém ter colocado em cima da mesa um maço de dinheiro e ter dito: Eu comprei esse lugar, isso aqui é meu! Por isso a gente tem um sentimento meio estranho, porque saber que foi aquilo que também ajudamos a construir. Mas nesse sentido, o trabalho braçal, daqueles que correm na rua para pedir voto, no partido isso não tem valor, só quem põe dinheiro ali; exemplo disso é o presidente da Câmara, que foi simplesmente posto para o lado, nunca é ouvido, não tem voz ativa dentro do partido mesmo sendo o vereador mais votado, tendo uma excelente aceitação da população e que pode representar algum risco para alguém", avalia. Sobre sua permanência ou saída no Partido Progressista, Eliane enfatizou que ainda é cedo para tomar qualquer decisão. "Não sei ainda.É uma decisão difíci, também porque se a gente recuar, algumas pessoas vão tomar conta de tudo", finaliza.
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