Viver nas ruas é uma opção

Apesar de poucos casos, moradores que querem ficar nas ruas já começam a causar problemas em São Miguel

Um problema que já é visto como normal em grandes cidades dá sinais de estar chegando às pequenas cidades. Pelo porte de São Miguel do Oeste, o número de moradores de rua é classificado como razoável, porém alguns já estão causando dores de cabeça para a população e também autoridades do município. O caso talvez mais grave esteja localizado nas esquinas da Rua Rodolfo Spier com Avenida Salgado Filho, nas proximidades da delegacia de polícia da comarca. No local, um morador de rua tomou conta de um pedaço de terreno onde poderia ser feita uma calçada, e com pedaços de telhas e restos de madeira construiu uma "cabana" para morar. Além de causar um mal-estar para comerciantes e moradores, muitas pessoas dizem que o homem fica provocando mulheres que passam pelo local e demais pessoas. Em algumas ocasiões ele já se envolveu em brigas devido ao seu comportamento.

A comerciante Keli Mocelin, que também reside junto ao estabelecimento, relata que é uma situação complicada. Segundo ela, o homem fez uma fogueira durante o dia inteiro e a fumaça sabidamente incomoda muito, e além disso ele tem o costume de brigar com qualquer pessoa. Keli relatou que já tentou várias maneiras de tentar tirar o indivíduo do local, porém as autoridades teriam relatado a ela que é complicado. "Falamos com a polícia e a prefeitura. A coisa está difícil. Muitos vizinhos dizem que a culpa é minha, porque ele está acampado no muro de minha casa. Se outros moradores não dessem donativos e comida, creio que ele iria embora", comenta.

Ainda de acordo com ela, muita gente deixa de passar pelo local para evitar confusão com o indivíduo. "Quando a polícia passa por ali, ele começa a dançar e falar sozinho, se fazendo de louco para ninguém tomar uma atitude. Ele já apanhou várias vezes por ficar perturbando o pessoal", afirmou Keli.

A reportagem do Folha do Oeste tentou conversar com esse morador. Mostrando muita agressividade e falando apenas de cadeia, ele disse que seu nome seria "Diabo e Demônio".

A secretária de Ação Social, Luci Betanin, explicou que, enquanto políticas públicas, na gestão de assistência social das políticas públicas os idosos são olhados como um todo. Ela revela que existem os idosos organizados, dos 21 grupos, entre centro, bairros e comunidades do interior, que recebem acompanhamento e possuem família. "Também temos idosos que moram sozinhos, os doentes e os de rua. Nem todos que circulam nas ruas são idosos acima de 60 anos, embora a fisionomia de pessoa mais velha engane. Em São Miguel temos cinco casos de moradores de rua que se identificam como idosos. Um pouco deles ficam no hospital, na rua, para lá e para cá. Embora possuam família, essas pessoas tem uma identidade muito forte de moradores de rua, sem horários nem regras. Para eles, qualquer lugar é adequado para fazer as necessidades fisiológicas. Isso dá muito trabalho e nos preocupa", explica.

Mesmo tendo essa característica de morador de rua, Luci afirma que essas pessoas precisam ser atendidas. De acordo com ela, alguns são bem agressivos e outros nem sequer conversam com o pessoal da ação social. "Tentamos fazê-los retornar para suas famílias, mas eles têm uma posição muito forte de que seu lugar é a rua. Temos a preocupação de estabelecer uma proposta mais especializada para atender essas pessoas e não demorará muito para precisar ser construído um espaço de acolhida. Não diria para esses moradores de rua, mas para aqueles que passam o dia sozinhos, sem os filhos em casa, ficando neste local pelo menos durante o dia ", diz.

Luci revela que a administração tem esta preocupação de estabelecer um debate sobre a criação do Centro de Referência Especializado de Assistência Social. Nos casos em São Miguel, a secretária revela que é oferecido acompanhamento através de visitas, proporcionando o retorno ao convívio familiar, mas existem muita resistência. "O caso mais gritante é este nas proximidades da delegacia. A secretaria também disponibiliza alimentação porque se ele não comer irá morrer. É triste ver uma pessoa ao relento, mas para eles é uma situação tranquila" comenta.

Nos dois casos mais complicados de moradores de rua de São Miguel do Oeste, o alcoolismo está presente. "Pelo porte do município, o número de moradores de rua é razoável, mas isso irá aumentar. Em nosso programa de governo o idoso será visto de outra maneira, com muita inclusão. Está comprovado pelos números de filhos das famílias, que futuramente a população de idosos aumentará", argumenta.

A coordenadora dos grupos de idosos organizados, Marisa Aléssio, reiterou que existe uma preocupação com um futuro próximo. "É um projeto do nosso governo ter essa casa de acolhida, para os filhos poderem trabalharem tranquilos e terem onde deixarem seus pais. É preciso se preocupar hoje para resolver o problema mais tarde", complementa Marisa.

Luci reitera que a situação de ver pessoas na rua incomoda muito a sociedade, mas por outro lado, ela lamenta que eles próprios não querem se ajudar e ter um conforto melhor. "Eles não querem permanecer num lar. A cultura deles não é essa. O que os deixam felizes é estar nas ruas, com todo mundo olhando e se importando com eles. Essa é a patologia que se coloca nos moradores de rua. Não conseguimos mudar essa realidade", finaliza a secretária de Ação Social de São Miguel.

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