Secretaria de Urbanismo inicia cronograma de recolha de galhos em abril |
Vereador preocupado com a perda de empresas
Flávio Ramos procurou a imprensa para manifestar sua posição após anúncio do prefeito Nelsinho em revogar benefício concedido para a Seara Alimentos
Ainda no dia 11 de janeiro, o prefeito de São Miguel do Oeste, Nelson Foss da Silva (PT), convocou a imprensa para uma coletiva e anunciou um novo decreto que revoga os decretos de utilidade pública emitidos ainda em 2003. Segundo Nelsinho, o novo decreto revoga a desapropriação de 28 de julho de 2003, que tinha como finalidade a ampliação do Distrito Industrial Norte instituído pela Lei Municipal nº. 4.757, de 2 de abril de 2001. Conforme Nelsinho, a desapropriação não atende a finalidade a que se destinava, uma vez que tais imóveis situam-se entre o bairro Agostini e bairro Estrela, ambos previstos no Plano Diretor do município, como zonas residenciais. O imóvel citado é um terreno de 12.180 m², que hoje é o pátio de estacionamento da Seara Alimentos. De acordo com o prefeito, o valor do terreno hoje, em valores atualizados ao que foi pago na época, está em cerca de R$ 500 mil. Já, em avaliação judicial gira em torno de R$ 1 milhão e, segundo Nelsinho, o município hoje não está em condições de desembolsar cerca de R$ 800 mil para pagar por um terreno que irá beneficiar somente uma empresa.
Diante disso, nesta semana, o presidente da Câmara de Vereadores, Flávio Ramos (PMDB), procurou a imprensa e alertou que a situação é preocupante, porque o prefeito, de uma forma unilateral, revogou o decreto do ex-prefeito João Valar, que havia colocado à disposição da Seara Alimentos um terreno próximo à fábrica de rações, para ser utilizado como estacionamento de caminhões. "Agora, com essa decisão do prefeito, existe a possibilidade de a empresa perder o local do estacionamento e os caminhões voltarem para as ruas, causando transtorno no trânsito e até alguns acidentes", avisa.
Segundo Ramos, a preocupação aumenta, porque nestes dois anos do governo de Nelson Foss da Silva, uma série de empresas estão saindo do município e outras deixando de se instalar por falta de incentivo. Ele citou como exemplo a Daz, de Saudades, que esteve perto de ter uma unidade no município com quase 300 empregos, a Dipães, que está construindo uma enorme fábrica em Paraíso, bem como a empresa de confecções Mar Nativo. "A Volvo Caminhões era para vir para São Miguel, mas está se instalando em outro município, e agora temos uma informação de que um empresário do ramo de móveis está se instalando em Bandeirante. Isso causa grande preocupação, porque na campanha eleitoral Nelson prometeu cinco áreas industrias e incentivo às indústrias. Na verdade, nenhuma área foi construída até o momento, e observamos as empresas deixando de se instalar aqui ou mesmo indo embora. Agora para fechar tudo isso, o prefeito revoga o decreto que destinava uma área de terra para a Seara Alimentos, causando mais uma vez insegurança", lamenta.
Ramos lembrou que a cedência deste espaço para a Seara não se deu por acaso e sim faz parte de um grande projeto do ex-prefeito João Valar, de incentivo para as empresas se instalarem aqui. "Com a fábrica de rações e as granjas de matrizes no interior, o projeto gerou mais de 300 empregos. Em 2010, foram produzidos mais de 72 milhões de ovos, transportadas mais de 225 mil toneladas de ração e pago mais de R$ 2,8 milhões em transportes. Hoje, o movimento da agricultura migueloestina gira em torno de R$ 57 milhões e, deste valor, R$ 27 milhões são gerados pelas granjas de matrizes. Não podemos aceitar que o prefeito tome essa decisão. Diretores da empresa ficaram sabendo disso pela imprensa", argumentou.
O presidente do Legislativo informou que a assessoria jurídica está analisando o caso e buscando a possibilidade deste ato do prefeito ser cancelado, para que a empresa possa continuar tendo o incentivo oferecido pelo governo anterior. Para Ramos, a Seara é uma empresa em expansão e tem absorvido a produção da agricultura regional, sendo uma referência de movimentação. "A cada aumento no transporte, o comércio ganha, criando uma reação em cadeia nos aviários que levaram emprego e renda para o interior. Também ganham com isso as oficinas mecânicas, as borracharias, os restaurantes, as empresas de vendas caminhões", concluiu.









Deixe seu comentário