CASO RESPIRADORES

Testemunha inocenta Moisés: 'nunca tive contato'

A CPI (Parlamentar de Inquérito) criada na Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina) para apurar a compra dos 200 respiradores da Veigamed ouviu mais duas testemunhas nesta terça-feira, dia 23. Participaram da sessão o controlador-geral do Estado, Luiz Felipe Ferreira - pela segunda vez -, e o empresário Samuel de Brito Rodovalho.

Rodovalho entrou no negócio a convite de César Augustus Martinez Thomaz Braga, advogado do Rio de Janeiro que está preso no âmbito da Operação Oxigênio. Ele faria o meio campo com a empresa Cima, que poderia importar respiradores da China. O negócio não avançou. 

Segundo ele, após saber da indisponibilidade dos respiradores pela empresa Cima, não participou mais do processo. "A nova proposta [da Veigamed] foi feita pelo César, eu não participei. Eu só participei da primeira", disse.

A testemunha ainda esclareceu o trecho em que cita o "governador". "Eu fiz uma suposição errada, equivocada e sem fundamento, e disse que eles estavam na linha com o governador, mas eu queria me referir ao governo. Eu não tenho contato com o governador, não tive ligação com ele. Não conhecia o secretário da Saúde", afirmou.

A citação ao termo "governador" foi o motivo que levou o Ministério Público a pedir que o caso fosse repassado ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). O pedido foi acatado nesta segunda-feira, dia 22, já que Carlos Moisés da Silva tem foro privilegiado. No mesmo dia, o governador negou que tivesse conversado com alguém sobre a compra.

Ele também retificou uma mensagem em que pede "comissão" de R$ 3 milhões. "Foi um erro de digitação. Era dele. Do César. O César que tinha me pedido a comissão. César Augustus. Depois, pelo processo, eu tive conhecimento de que a comissão era para o Fábio [Deambrósio Guasti, empresário que representou a Veigamed e está preso]", disse Rodovalho.


Controlador também depôs

O primeiro a falar na CPI foi o controlador Luiz Felipe Ferreira. Ele reiterou que a compra dos equipamentos teve falhas e enumerou os equívocos da Secretaria da Saúde. Além disso, afirmou que não houve nenhuma omissão por parte da Controladoria-Geral do Estado, e que inclusive o órgão agiu para apontar os erros. 

A participação dele irritou os deputados. "O senhor vem pela segunda oportunidade na CPI. O senhor não sabe, ou não lembra, ou não quer nos falar os servidores que estão trabalhando [na sindicância do governo], ou adiantar qualquer parte do relatório. Ajude a CPI", disse o deputado João Amin (PP). 

Ferreira afirmou que o fato da servidora Marcia Regina Geremias Pauli ter certificado a nota foi determinante para o pagamento. "No momento que você certifica a nota, está dando o entendimento de que recebeu o produto. Se é um pagamento antecipado, não tem certificação de nota", disse. 

Segundo ele, o pagamento não foi antecipado. A certificação da nota atesta o recebimento do produto que, na verdade, não chegou. Isso caracterizaria uma fraude, tese defendida pelo ex-secretário de Saúde, Helton de Souza Zeferino. 

Apesar disso, o controlador acrescenta que o erro não é apenas da certificação. Em determinado momento da oitiva o relator Ivan Naatz (PL) pergunta: " Mesmo que a nota não tenha sido certificada, o senhor acredita que o pagamento antecipado aconteceria?". Ferreira responde: "Da forma que a coisa está estruturada, acredito que sim", disse. 


Secretário da Casa Civil deve depor na CPI Anterior

Secretário da Casa Civil deve depor na CPI

Aprovado adiamento das eleições para novembro Próximo

Aprovado adiamento das eleições para novembro

Deixe seu comentário