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Temporal causa danos em mais de 300 casas
Em mais de dois dias choveu o suficiente para todo o mês de dezembro
Casas inundadas, desespero e perdas. Esse foi o cenário do domingo no Extremo-Oeste de Santa Catarina. Por volta das 11h30, uma tempestade caiu na região e em menos de duas horas, choveu o suficiente para a água causar muita destruição. Na cidade, casas foram inundadas e muito muros destruídos. No interior, praticamente toda a malha viária foi deteriorada pela enxurrada, açudes estouraram e uma morte foi registrada na comunidade de linha Caxias, onde um agricultor tentou salvar uma bomba d´água e foi arrastado por um riacho. Em São Miguel do Oeste, todos os bairros foram afetados de alguma maneira, porém os mais atingidos foram a Vila Basso, os bairros Salete e São Gotardo.
VÍTIMA FATAL
O Corpo de Bombeiros de São Miguel do Oeste teve muito trabalho nas inundações e efetuou 25 atendimentos nos bairros Santa Rita, São Luiz, Salete, Agostini, São Gotardo, Jardim Peperi, Vila Basso, Camping Barra do Veado e na linha Caxias. Segundo os bombeiros, a grande quantidade de água, num curto espaço de tempo, causou deslizamentos e os córregos transbordaram, ocasionando prejuízos nas residências, principalmente danos em móveis, eletrodomésticos e também alimentos. Três pessoas receberam atendimento pré-hospitalar pelas guarnições. As equipes de socorro também atuaram no resgate do agricultor Élio Chisto, de 47 anos. Ao tentar salvar uma bomba instalada junto ao Rio Caxias, na comunidade de linha Caxias, ele acabou sendo arrastado pela correnteza e veio a óbito. Os bombeiros, auxiliados por policiais militares e demais pessoas da comunidade, encontraram o corpo do agricultor cerca de dois quilômetros abaixo de onde ele caiu, na água, preso em raízes de árvores. Nos trabalhos de auxílio às vítimas, foram empregados 19 bombeiros e seis viaturas.
SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA
No começo da tarde de domingo, o prefeito de São Miguel do Oeste, Nelson Foss da Silva (PT), foi pessoalmente verificar alguns estragos causados pela tempestade. Imediatamente, ele se dirigiu até a garagem onde se encontram os veículos da Secretaria de Obras e determinou ações imediatas para as máquinas fazerem escavações e liberar a água que ainda estava empoçada em vários pontos, principalmente nas imediações da Vila Basso. Na manhã de segunda-feira, o prefeito decretou ?Estado de Emergência? no município e nomeou duas comissões para levantamento dos estragos e prejuízos no interior e perímetro urbano. O próximo passo será o envio de um relatório para a Defesa Civil do Estado de Santa Catarina.
Nelsinho também determinou que as secretarias de Infraestrutura, Desenvolvimento Urbano, Ação Social e Saúde ficassem em estado de alerta para auxiliar famílias atingidas por alagamentos. Segundo informações, cerca de 300 moradias sofreram danos em razão da intempérie.
A média histórica de chuvas para o mês de dezembro é de 200 mm, e desde a noite de sexta-feira até o domingo, a Epagri informou que foram registrados 215,5 milímetros de chuva, ou seja, em menos de três dias choveu o bastante para o mês inteiro. ?Nossas equipes foram acionadas para auxiliar os atingidos. Não temos como controlar as ações da natureza, porém estamos fazendo o possível para tranquilizar e disponibilizar a estrutura necessária às famílias atingidas?, afirmou o prefeito através de comunicado repassado para a imprensa.
CONTABILIZANDO OS PREJUÍZOS
Oraidina Dias, que reside na Vila Basso há mais de 15 anos, nunca havia visto uma enxurrada como essa. ?Perdi guarda-roupa, estante, colchões e comida. Vamos esperar para receber alguma ajuda. Não tem como eleger algum culpado por toda essa chuva. O pessoal deveria se conscientizar em não jogar mais lixo em qualquer lugar, pois isso acaba entupindo boeiros e também o rio começa a inundar devido à sujeira em seu leito?, disse.
Quem estava muito indignada com a situação era Maria Lurdes Pelissari. Segundo ela, o calçamento, que ainda nem foi inaugurado, tem as bocas-de-lobo feitas em local errado e até a água chegar até elas, sua residência sofre alagamentos. ?Fizeram a boca-de-lobo em um local errado. Se isso fosse feito corretamente e a sanga afundada, não teríamos mais alagamentos. Perdi toda a comida do rancho que fizemos há poucos dias?, diz a moradora.
De acordo com Maria, o prefeito esteve no local e disse que a solução seria ela sair desta casa se não estava contente.
?Comprei aqui porque não tinha mais dinheiro. Não sou como ele, que é um petista que invadia terras. Sou pobre mas honesta. Trabalhei de doméstica, vendi pastel e hoje estou doente. Precisamos de uma solução assim como muitas outras famílias. O Gilmar Frigeri foi o único vereador a falar conosco e prestar solidariedade?, comentou.
A filha de dona Maria, Neide Damian, fez um apelo para os migueloestinos serem solidários nesse momento e ajudarem de alguma forma, principalmente doando alimentos. ?Agora está chegando o Natal e muita gente não tem mais o que comer. Tem várias famílias com crianças pequenas. Roupas podem ser lavadas, mas quem já recebeu o salário e gastou em comida, não tem de onde tirar mais dinheiro para se alimentar?, relatou.
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