O problema merece atenção, pois, em termos ambientais, as abelhas são importantes polinizadores naturais
Há quase 25 anos lidando com apicultura, o agricultor Vani Ludwig demonstra preocupação ao falar das abelhas. Afinal, são muitas perguntas que ainda não têm respostas definitivas. Ele conta que desde 2008 o comportamento desses insetos produtores de mel não é mais o mesmo. ?Há cerca de dois anos comecei a perceber que os enxames estão diminuído bastante, as abelhas estão morrendo por motivos que ainda não estão claros?, diz.
Nesse período, Ludwig, que cultiva abelhas melíferas em geral para consumo próprio, conta que esse desaparecimento ocorre quando as abelhas operárias não conseguem voltar para as colméias e terminam morrendo, deixando as rainhas, os ovos e algumas operárias imaturas.
A situação é preocupante e merece atenção, pois muitas culturas necessitam das abelhas, que são responsáveis, por exemplo, pela polinização de frutos e grãos. Conforme o técnico agrícola, habilitado em apicultura e consultor do projeto Sebrae, Rogério Schwaap, o sumiço das abelhas vem sendo sentido desde 2007, quando tiveram início as primeiras situações de desaparecimento de abelhas na região do Extremo-Oeste. ?Há mais ou menos três anos, algumas unidades de abelhas têm sumido e a gente não estava achando muita explicação para o fato. Nesse período, o desaparecimento está se tornando mais elevado. Ainda em 2010 estamos constatando o desaparecimento de abelhas dos enxames?, comenta.
Segundo Schwaap, não há uma resposta definitiva para este fato. Ele apresenta algumas suposições relativas à morte e ao desaparecimento dos insetos: ?Muitas vezes fatores climáticos como as baixas temperaturas fora de época podem estar ligadas a essas perdas?, aponta.
Outro fator que pode estar intimamente ligado à fuga das abelhas são os agrotóxicos usados nas lavouras. ?Temos certa desconfiança de que a possibilidade de estar acontecendo essas mortes seja devido ao uso de uma grande quantidade de defensivos químicos nas lavouras em torno das colméias?.
O técnico agrícola explica que já foram verificadas abelhas mortas que apresentavam características de intoxicações; já outras não davam sinais de envenenamento: ?Não podemos afirmar, porque não está bem claro se as mortes estão ligadas de fato aos defensivos químicos?, destaca.
Ludwig diz que nesse biênio já perdeu 13 enxames, dos 20 que possuía. ?A perda de um ou outro enxame é até considerado normal, mas isso geralmente acontece pela falta de cuidados. Agora, o desaparecimento tem acontecido com muito mais frequência que o normal, hoje estou lidando com apenas sete caixas?.
Na propriedade do apicultor, localizada no bairro Agostini, saída para Bandeirante, o número de caixas empilhadas, que antes serviam de ?moradias? de abelhas, chama a atenção. ?Guardei todas as que sobraram, não tem o que fazer, espero que essa situação mude e que as abelhas voltem a operar como antes?.
ACOMPANHAMENTO
?Estamos acompanhando esses produtores da APL (Arranjo Produtivo Local) há quatro anos. As situações do sumiço das abelhas são relatadas por alguns e na medida do possível a gente está analisando o que vem ocorrendo. Mas orientamos os apicultores para que eles possam fazer melhorias dentro da propriedade, para tentar dissipar as baixas?, diz Schwaap.
Algumas orientações passadas pelo técnico agrícola aos agricultores são: o afastamento das colméias de lavouras onde há uso de defensivos químicos; proteção das colméias com materiais padronizados, calibrados, para que propiciem melhores situações de sobrevivência das abelhas, como relação ao o clima; melhoria dos apiários, direcionando-os para áreas onde não há grande incidência de ventos, principalmente ventos frios no inverno.
RADIAÇÃO DE
CELULAR
O sumiço das abelhas foi detectado inicialmente nos EUA e Canadá, a seguir na Europa e agora há indícios no Brasil. Conforme cientistas norte-americanos, a radiação de antenas de celulares e de outros eletrônicos pode ser responsável pela mortandade das abelhas. A teoria é de que a radiação interfere no sistema de navegação das abelhas, fazendo com que elas não saibam voltar para as suas ?casas?.
?Até o momento, isso é tese de pesquisa e precisa ser comprovada. Os americanos já gastaram muita grana em pesquisas sobre apicultura e sumiço das abelhas que já há mais de anos vêm ocorrendo lá?, diz Schwaap, explicando que, apesar disso, não há comprovação de que as antenas de celular têm alguma relação com o sumiço das abelhas.
?Nós, no Brasil, ainda estamos começando as pesquisas com isso. Nas regiões onde vem acontecendo esse sumiço das abelhas tem se dado uma atenção ainda maior para se pesquisar o que realmente está acontecendo. Mas no momento não temos respostas definitivas, e sim algumas possibilidades?.
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