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Professor de São Miguel é destaque nacional
Para o profissional destaque, a matemática também é uma questão de alfabetização
Ari Friederichs, educador de Matemática em SMOeste, será um dos homenageados pelo Impa (Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada) devido ao seu trabalho e envolvimento com a Obmep e o ensino desta disciplina
“Se a criança for alfabetizada não só na parte das letras, mas também dos símbolos e dos números, ela terá um potencial enorme”, garante Ari Friederichs, que se dedica há cerca de 40 anos ao ensino da Matemática. E é acreditando na importância desta disciplina que o educador de São Miguel do Oeste se tornou destaque nacional. Como reconhecimento pela sua dedicação e pelo incentivo à aprendizagem da Matemática, o professor Ari, como é conhecido, será homenageado pelo Impa (Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada). O instituto, que em 2005 criou a Obmep (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) com o objetivo de incentivar o estudo de matemática das escolas públicas e detectar talentos e estimulá-los por meio de programas, possui renome mundial.
E para comemorar justamente os 10 anos de Olimpíadas é que o Impa fará uma revista especial. No material serão homenageados profissionais que contribuem com a história da Obmep. Para isso foram escolhidos 10 alunos e 10 professores que marcaram esta trajetória no país. Um exemplar será lançado em 2015 e o outro em 2016, cada um com 10 histórias, e o professor Ari será o personagem de um deles. Em Santa Catarina, o educador de SMOeste será o único homenageado. De acordo com a equipe do Impa, o trabalho, com bons resultados desenvolvido pelo professor, chamou a atenção do Instituto, e a homenagem será uma forma de reconhecimento a esta dedicação.
ENVOLVIMENTO COM A OBMEP
Ari conta que assim que soube da possibilidade de os estudantes participarem da Obmep (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), solicitou que a escola se inscrevesse. “Conhecia o potencial dos meus alunos e na primeira participação eles conseguiram duas medalhas de prata e três medalhas de bronze. Na segunda Olimpíada da mesma forma. Dali para frente, os alunos do Colégio Agrícola Getúlio Vargas sempre foram premiados com medalhas de bronze, principalmente. Não chegamos a ter ouro, mas penso que essa participação de uma escola que reúne essencialmente filhos de pequenos agricultores demonstra exatamente aquilo que a Obmep se propôs, resgatar aqueles talentos perdidos no Brasil afora. Penso em conseguir contribuir muito com a formação matemática desses alunos que foram e são meus estudantes”, garante.
Hoje, o educador comemora o fato de ter auxiliado vários medalhistas da Olimpíada. “A região tem medalhistas em Itapiranga, Tunápolis, São João do Oeste, Iporã do Oeste, Descanso e Iraceminha”, aponta. Ao ser contemplado pela Obmep, os estudantes são convidados automaticamente a participar do PIC (Programa de Iniciação Científica). Ao longo de um ano, esses alunos têm aulas aos sábado, ocasião em que conhecem uma matemática diferenciada. Em SMOeste, o programa também é aplicado pelo professor Ari Friederichs. “Esses alunos que foram medalhistas, sem dúvida, aprenderam muito no PIC, e aquilo os motivou e os incentivou tanto, que hoje existem alunos em universidades federais. Um está fazendo Física, outro se formou em Mecatrônica e fará mestrado em Matemática na França. “Sem dúvida esse programa contribuiu muito para a evolução desses alunos”, comenta entusiasmado.
Medalhista por três vezes, o estudante do Cedup Getúlio Vargas, Vinicius Czarnobay, revela que o ensinamento repassado por Ari Friederichs tem contribuído muito na sua formação, e no desempenho nas Obmeps. “Já aprendi muito com o professor Ari. Ele é muito dedicado e se empenha para resolver todas as questões propostas. As aulas que tenho com ele, pelo PIC, sem dúvida me ajudaram muito, pois é uma matemática mais avançada e um reforço importante”, revela. Neste ano, Czarnobay participou pela quarta vez da Olimpíada e aguarda o resultado, que será divulgado no dia 1º de dezembro.
Para o educador, o fato de alguns alunos participarem do Programa de Iniciação Científica motiva outros a se envolverem e se dedicarem mais à matemática, bem como, a participar da Olimpíada.
MÉTODO APLICADO
“Sou conteudista. Penso que o conhecimento é essencial para o entendimento da realidade. Os alunos precisam entender como, quando e como aplicar corretamente a matemática. Meu trabalho é baseado em valorizar o conhecimento do estudante, a partir daquilo que ele conhece e dar o conceito da forma correta, não apenas apresentar a fórmula matemática. Porque a fórmula é uma das maneiras de resolver, a matemática é muito mais dinâmica. O fato de pensar, agir, de construir uma resolução e de valorizar essa resolução. Trabalho ainda hoje no Senai e às vezes acabo escrevendo mais que o aluno nas avaliações, porque é preciso escrever o que ele fez de certo e o que eles podem melhorar. Acredito que a diferença no trabalho do professor está muito na maneira de ser. É preciso conquistar o aluno, trabalhar com ele e mostrar que a matemática é fundamental para que ele consiga viver, interagir no mundo que temos”, explica.
ENSINO DA MATEMÁTICA
Para o profissional destaque, a matemática também é uma questão de alfabetização. “Penso que o ensino da matemática vai melhorar significativamente no momento em que os professores, no início da vida escolar e nas séries iniciais, trabalharem bem os conceitos e deem ênfase à matemática. Ninguém mais no mundo vive sem ela. Pensadores apontam que daqui a dois anos ninguém mais vai conseguir agir no mundo sem os mínimos conhecimentos da matemática.
Segundo o educador, não há nada, nem disciplina que não precise da matemática. Para ele, esta disciplina resulta em benefícios e pode estar interligada a todas as outras.
HOMENAGEM
“Esse é um coroamento de um trabalho que se desenvolve há anos. Embora nem sempre se tenha esse reconhecimento em nível governamental, me sinto lisonjeado. Me sinto feliz pelo fato de, depois de quase 40 anos em sala, poder ter uma homenagem nacional. Esse envolvimento com a matemática e com os alunos é fantástico. Eu gosto de dizer que de nada adianta você ter um bom professor se o aluno não tem receptividade por aquilo. Queria deixar um abraço para todos os alunos que já tiveram aula comigo”, manifesta Friederich.
ATUAÇÃO
“Trabalhei com turma multisseriada no início da minha carreira, atuei com todas as disciplinas do currículo do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, assim como trabalhei em sala de aula, com todas as disciplinas da parte profissionalizante do curso técnico em Agropecuária. Atuei como professor do Ceja, no curso emergencial de formação de professores e trabalhei em diversos cursos na Unoesc. Hoje atuo como professor de matemática no Senai e professor orientador do PIC desde 2006.
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