Prevenção e cuidados com a leptospirose

Em Santa Catarina, já é superior a 240 o número de pessoas contaminadas pela doença

Doença infecciosa febril, aguda, potencialmente grave, causada por uma bactéria, a Leptospira Interrogans. A leptospirose é uma zoonose (doença de animal) que atinge pessoas de todas as idades e em ambos os sexos. Na maioria dos casos a evolução da doença é benigna.

Em Santa Catarina, já é superior a 240 o número de pessoas contaminadas por leptospirose nos municípios atingidos pelas enchentes e deslizamentos de terra. A informação é confirmada pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde do Estado. Outros 762 casos ainda estão em análise.

A leptospirose acomete roedores e outros mamíferos silvestres e é um problema veterinário relevante, atingindo animais domésticos (cães, gatos) e outros de importância econômica (bois, cavalos, porcos, cabras, ovelhas). Esses animais, mesmo quando vacinados, podem tornar-se portadores assintomáticos e eliminar a doença junto com a urina.

O rato de esgoto é o principal responsável pela infecção humana, em razão de existir em grande número e da proximidade com seres humanos. A doença multiplica-se nos rins desses animais sem causar danos, e é eliminada pela urina, às vezes por toda a vida do animal.

RISCOS

A leptospirose é eliminada junto com a urina de animais e sobrevive no solo úmido ou na água. Não sobrevive em águas com alto teor salino. A doença penetra através da pele e de mucosas (olhos, nariz, boca) ou através da ingestão de água e alimentos contaminados. A presença de pequenos ferimentos na pele facilita a penetração.

A limpeza de fossas domiciliares, sem proteção adequada, é uma das causas mais freqüentes de aquisição da doença. Existe risco ocupacional para as pessoas que têm contato com água e terrenos alagados ou com animais.

Conforme profissionais da saúde, o risco de adquirir leptospirose pode ser reduzido evitando-se o contato ou ingestão de água que possa estar contaminada com urina de animais. Deve ser utilizada apenas água tratada (clorada) como bebida e para a higiene pessoal. Bebidas como água mineral, refrigerantes e cervejas não devem ser ingeridas diretamente de latas ou garrafas, sem que essas sejam lavadas adequadamente (risco de contaminação com urina de rato). Deve ser utilizado um copo limpo ou canudo plástico protegido.

Em caso de inundações, deve ser evitada a exposição desnecessária à água ou à lama. Pessoas que irão se expor ao contato com água e terrenos alagados devem utilizar roupas e calçados impermeáveis.

MANIFESTAÇÕES

A maioria das pessoas infectadas desenvolve sintomas discretos ou não apresenta manifestações da doença. As manifestações, quando ocorrem, em geral aparecem entre dois e 30 dias após a infecção (período de incubação médio de dez dias).

As manifestações iniciais são: febre alta, sensação de mal estar, dor de cabeça constante e acentuada, dor muscular intensa, cansaço e calafrios. Dor abdominal, náuseas, vômitos e diarréia são freqüentes, podendo levar à desidratação. É comum que os olhos fiquem avermelhados e alguns doentes podem apresentar tosse e faringite. Após dois ou três dias de aparente melhora, os sintomas podem ressurgir. Nesta fase é comum o aparecimento manchas avermelhadas no corpo e pode ocorrer meningite.

Em cerca de 10% dos pacientes, a partir do terceiro dia de doença surge icterícia (olhos amarelados), que caracteriza os casos mais graves. Esses casos são mais comuns em adultos jovens do sexo masculino, e raros em crianças. Aparecem manifestações hemorrágicas e pode ocorrer funcionamento inadequado dos rins, o que causa diminuição do volume urinário.

As manifestações iniciais da leptospirose são semelhantes às de outras doenças, como febre amarela, dengue, malária, hantavirose e hepatites. É importante que a pessoa, quando apresentar-se febril após uma exposição de risco para leptospirose, procure um serviço de saúde rapidamente.

O tratamento da pessoa com leptospirose é feito fundamentalmente com hidratação.

Conforme profissionais da vigilância sanitária, os cuidados devem ser redobrados no verão, período em que muitas pessoas optam pelos acampamentos no final de semana.

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