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Possível ocorrência de El Niño motiva debate na Alesc sobre prevenção e resposta a eventos climáticos extremos
Lideranças políticas, integrantes de órgãos de governo, meteorologistas e representantes de entidades da sociedade civil reuniram-se na manhã desta sexta-feira, dia 22, na Assembleia Legislativa, para discutir medidas de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos.
O encontro foi motivado pelas projeções que apontam elevada probabilidade de chuvas intensas e alagamentos em Santa Catarina nos próximos meses, em decorrência do fenômeno El Niño.
A audiência pública foi proposta pelo deputado Matheus Cadorin (Novo), que preside a Comissão de Economia, Ciência, Tecnologia e Inovação da Alesc. Ele afirmou que a proposta do evento foi esclarecer a gravidade da situação e conhecer o que a administração pública, por meio de seus diversos órgãos, está fazendo para proteger as vidas e o patrimônio dos catarinenses.
O parlamentar afirmou ainda que, após a audiência, será criado um grupo de estudos para acompanhar o andamento das ações apresentadas e consolidar as sugestões debatidas durante o encontro.
El Niño em formação
Na abertura do evento, o meteorologista Leandro Puchalski explicou que o El Niño é caracterizado, no Brasil, pelo aumento dos volumes de chuva na região Sul e por períodos de estiagem no Norte e na Amazônia, especialmente entre o fim da primavera e o início do verão.
Segundo ele, os primeiros sinais da formação do fenômeno já começam a ser observados, como a elevação de 0,5º C na temperatura média das águas do Oceano Pacífico na faixa do Equador.
Caso essa tendência se mantenha, afirmou, o El Niño deverá estar configurado já no mês de junho. O meteorologista alertou, no entanto, que ainda é cedo para prever a repetição de episódios de grandes cheias registrados em anos anteriores, como em 1983.
“O fato de termos El Niño não significa necessariamente que teremos enchentes de grandes proporções. Essa não é uma relação direta. O fenômeno indica aumento dos volumes de chuva e da ocorrência de eventos extremos, mas existem outros fenômenos de menor escala que podem tanto minimizar quanto potencializar sua influência”, afirmou, acrescentando que a intensidade das chuvas só poderá ser apontada com mais precisão a partir do mês de setembro.
A avaliação foi reforçada pela meteorologista da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), Marilene de Lima. “Embora o aquecimento das águas do Pacífico comece agora, é importante destacar que seus efeitos são sentidos nos meses seguintes. Em Santa Catarina, os impactos do El Niño costumam ocorrer principalmente durante a primavera, a partir de setembro, quando já há aumento das chuvas. No entanto, os maiores volumes e a maior frequência de precipitações geralmente são registrados nos meses de outubro e novembro”, explicou.
Em razão desse cenário, a meteorologista afirmou que a Epagri já vem desenvolvendo uma série de estratégias voltadas aos produtores rurais. Entre as medidas estão orientações sobre culturas mais suscetíveis a doenças em razão do aumento da umidade, o aproveitamento de áreas menos sujeitas a alagamentos e a possibilidade de antecipação ou adiamento de safras.
Ações da Defesa Civil
Presente à audiência, o secretário-adjunto da Defesa Civil de Santa Catarina, General Ricardo Miranda, afirmou que, independentemente da confirmação do El Niño, o governo do Estado já vem adotando uma série de medidas para reforçar a atuação do órgão.
Segundo ele, o orçamento da Defesa Civil foi dobrado neste ano, passando para R$ 330 milhões.
Entre as ações destacadas estão iniciativas voltadas à prevenção e ao fortalecimento da estrutura dos municípios, como limpeza e desassoreamento de rios, entrega de kits de pontes e substituição de travessias de madeira.
“Em paralelo, também estamos mobilizando os municípios e orientando a adoção de medidas, porque são eles que realizam o primeiro atendimento e a primeira assistência à população. Precisamos nos preparar para aquilo que consideramos a pior hipótese, que é a confirmação do El Niño”, afirmou.
Outra medida ressaltada pelo secretário-adjunto foi a decretação do estado de alerta climático em Santa Catarina.
Agência AL
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