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Obras da Ruta 27 em ritmo acelerado
Previsão é de que a obra esteja concluída no final de 2012
Estão em pleno andamento as obras de asfaltamento da Ruta Provincial 27, que liga a cidade de San Pedro, província de Misiones, até a BR-282, na ponte do Rio Peperi-Guaçu, na cidade de Paraíso. Para acabar com as frequentes dúvidas da região Oeste de como está o andamento da obra, a reportagem do Folha do Oeste percorreu mais de 200 km em busca de informações sobre a obra no lado argentino.
A autoridade argentina que está envolvida diretamente e é grande batalhadora pela obra, Ylmo Souza Costa, diretor-geral de Integração e Relações com o Mercosul, da Província de Misiones, atendeu o Folha do Oeste e revelou como andam os trabalhos. Ele disse que a obra tem prazo de execução de 36 meses, tendo sido iniciada em 16 de setembro de 2009, com a presença de lideranças brasileiras e argentinas, durante um ato em Foz do Iguaçu. De acordo com ele, muitas pessoas usam palavras para facilitar as coisas, dizendo que o asfalto está sendo colocado, mas estão equivocados. ?Vamos demorar um ano para começar a colocar a camada asfáltica, porque são dois anos de trabalhos em terraplanagem e um ano de asfaltamento para a conclusão das obras. Na semana passada, estivemos revisando a parte técnica e política da obra, junto com o subsecretário Eduardo Allou e observamos que o trabalho está mais avançado?, destacou.
O traçado do asfalto será novo e não na estrada de terra atual, que liga o Brasil até San Pedro. Conforme Ylmo, o traçado novo torna o trabalho mais difícil, além do que, as frentes de trabalho estão sendo feitas na cabeceira do rio Yaboti. ?São três pontes e duas já estão prontas, sobre o Arroio Lyso e outra no Arroio Garibaldi. A ponte no Yaboti, que será a maior, com 100 metros de comprimento, inclusive com passa-fauna para preservar os animais silvestres, deverá estar concluída nos próximos 180 dias. Alí tinhamos uma ponte provisória usada pelas equipes de trabalho e essas chuvas recentes acabaram destruindo-a?, disse.
Com esse trajeto asfáltico, a distância entre os argentinos que virão para o Brasil e optarão por este caminho, acabará sendo encurtado em 142km. ?Para chegarmos às praias catarinenses ou aos portos de exportação como o de Itajaí, teríamos uma grande economia de quilômetros. Essa se tornará a rota bioceânica, a mais curta existente entre os portos do sul do Brasil até Antofagasta, no Chile, ou seja, do Oceano Atlântico ao Pacífico. Será uma rodovia muito importante para a parte produtiva do Brasil e da Argentina, pois encurtará distâncias para o mercado asiático. Tem gente sem noção da tremenda importância desta obra. Somente o tempo vai determinar. Daqui a dois anos vamos inaugurá-la ?, afirma.
O diretor de Integração e Relação com o Mercosul relata que serão investidos 284 milhões de pesos, aproximadamente US$ 85 milhões. Questionado sobre o que a obra traria de desenvolvimento no lado argentino, Ylmo foi categórico ao dizer que precisa ser observado o desenvolvimento regional dentro do que é o Mercosul. Ele fez questão de destacar o nome de pessoas fundamentais nessa história, que são o empresário José Carlos Zandavalli Fiorini ?Juca? e Darci Zanotelli, ambos de São Miguel, os ex-prefeitos de São Miguel e Paraíso, João Valar e Ênio Reckziegel e os atuais, Nelsinho e Erni Giacomini, respectivamente. ?Essa era uma região que estava fora das rotas normais e hoje se transformará numa grande porta de chegada. Antigamente não éramos nem a porta dos fundos?, destaca.
Segundo Ylmo, não é somente a parte de carga de transportes e turística que ganhará com a Ruta 27 concluída, mas sim a parte comercial, de transportes de passageiros e de industrialização. ?Para estes povos que estão um na frente do outro, esta obra mostrará o antes e o depois, após essa união física. Precisamos aprofundar muito essa questão do Mercosul, fundamentalmente nas partes humana, cultural, social, educativa e não somente no ponto de vista comercial. Vamos avançar definitivamente nessa integração regional através da amizade, do afeto, da cultura e dos costumes?, comenta.
CRIAÇÃO DA COMUNIDADE
De posse de um dossiê endereçado a diversas autoridades argentinas, Ylmo Costa relata que a documentação pede a criação de uma comunidade onde haja um posto atual de controle policial argentino, cerca de 2 km distante da ponte internacional do rio Peperi-Guaçú. Ylmo, que inclusive alugou um mercado no local, afirma querer ser um dos fundadores desta comunidade e ter seu nome imortalizado no tempo.
?Aqui, é uma zona de terras privadas. Solicitamos uma autorização para desapropriar um pedaço de terra, para formação de uma comunidade com entidades públicas nacionais, provinciais e municipais, com setores da segurança, migração, habitação, aduana, local para estacionamento de cargas, entre outros. Pedimos isso para que, após ser formada a rodovia, tenhamos órgãos legais. Quem quiser travar essa iniciativa, será passada por cima, pois ninguém mais segura esse projeto. Queremos fazer uma coisa ordenada?, conclui.
O COMEÇO DO
ASFALTAMENTO
No dia 23 de fevereiro de 2007, o atual governador de Misiones, Maurice Closs (senador na época), participou de um encontro em São Miguel do Oeste, onde estava também o senador Neuto de Conto, cujo assunto principal foi a rodovia. Ylmo disse que, após isso, durante a campanha, Closs havia lhe prometido o atual cargo no Mercosul.
?Falei que meu objetivo número um seria a abertura da Ruta 27. Quando ele foi eleito governador, começamos a trabalhar este tema e era muito importante o apoio dos brasileiros, pois se tornaria uma decisão presidenciável. Em 9 de julho de 2008, entreguei um dossiê sobre o estudo desta rodovia ao secretário Regional de São Miguel, João Carlos Grando, que encaminhou para Neuto e assim foi repassado para o presidente Lula durante uma reunião do Mercosul em San Miguel de Tucumán. Após dez dias, em Buenos Aires, Lula e a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, conversaram sobre o andamento da BR-282, a qual já tinha chegado na ponte do rio Peperi, e ela tomou a decisão de promover a licitação para a nossa rodovia. Cristina é muito amiga do governador e quer bem à nossa comunidade, prova disso é que, após o tornado de setembro de 2009, ela veio duas vezes aqui para prestar apoio aos atingidos?, lembrou.
BASE DA ECONOMIA
Até chegar a Ruta 14, o asfalto, partindo da ponte internacional no Rio Peperi-Guaçú, terá 43 km. Por este trecho onde passará o asfalto, a base da economia é agrária, ligada a plantações de erva-mate, chás e fumo.
Não existem plantações de milho, trigo e soja como no Brasil. Também é possível avistar alguns reflorestamentos de pinheiros e pínus.
Local de difícil acesso
Para chegar até o trevo de acesso à cidade de San Pedro, os obstáculos são muitos. A estrada atual é, em sua grande maioria, de terra vermelha, com inúmeros atoleiros, que são praticamente armadilhas para veículos normais ficarem atolados. O trecho é de mais de 50 km de estrada de terra. Para as pessoas que optarem em se deslocar até San Pedro, o ideal é ir com um veículo off-road com tração 4x4 para garantir que o passeio seja tranquilo. Carros pequenos também conseguem passar os obstáculos, mas o motorista precisa saber como dirigir no barro e em atoleiros. Neste trecho, assemelha-se a safáris, e em dezenas de quilômetros não se observa nada além da selva. Animais silvestres são comuns de serem observados atravessando a estrada, como lagartos enormes, preás e quatis, além de muitas aves.
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