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O empreendedorismo é uma filosofia, diz professor
Montar o próprio negócio, e com ele conquistar a independência financeira pode ser mais difícil que parece. Tornar-se um empreendedor significa uma vida de coragem, análise e estudo. Mas, o que é empreendedorismo?
De acordo com o professor e coordenador do curso de Administração da Unoesc (Campus de São Miguel do Oeste), Ornélio Stertz, o empreendedorismo é uma filosofia colocada a serviço das organizações em termos de crescimento e desenvolvimento. "O empreendedorismo pode ter duas conotações, onde o empreendedor pode se tornar um empresário ou ser um empreendedor interno. O empreendedor interno é aquele que se preocupa em desenvolver ou fazer crescer qualquer tipo de organização, seja ela pública, industrial, comercial, prestadora de serviços ou agropecuária", explica.
COMO SER UM EMPREENDEDOR?
Segundo o coordenador, o empreendedor é um espírito que pode se desenvolver em momentos diferentes da vida de uma pessoa, dependendo dos incentivos que são dados à mesma a fim de que se torne uma empreendedora. "É de grande valor o conhecimento técnico da área em que a pessoa deseja empreender", complementa.
"O primeiro passo é definitivo para que uma pessoa possa se tornar um empreendedor é a busca pelo conhecimento. Não dá mais para ser um aventureiro no empreendedorismo. Esta época em que as oportunidades eram fartas já passou e qualquer pessoa que tivesse apenas coragem e vontade de fazer, conseguia. Hoje, é preciso mais do que isso. Há a necessidade de ser feita a elaboração de um projeto de viabilidade técnica, econômica, financeira e mercadológica para que possa estar assegurado certo nível de sucesso para uma nova empresa que se queira constituir. Na elaboração deste projeto é preciso estar atento à demanda que tem o produto que se quer produzir e vender", analisa o professor, que enfatiza a importância do estudo constante.
Stertz salienta que para aqueles que desejam se tornar donos do próprio negócio será preciso uma dedicação especial a este projeto. "Principalmente no início, quando as dificuldades são inúmeras, pois mesmo que a pessoa tenha conhecimento haverá grandes impasses no mundo dos negócios, o qual possui um cenário muito dinâmico, onde o empreendedor precisa ter discernimento e capacidade de se adaptar às regras do jogo para que ele não o perca e, sim, ganhe, e consiga realmente fazer com que sua empresa possa ter garantia e continuidade", revela.
Ele informa, ainda, que abrir uma empresa se baseando em outra que já deu certo é algo que acontece muito, mas que não dá certo. "Quando vê, já há dezenas de empresas iguais e todas elas com dificuldades de prosperar, pois há uma concorrência muito acirrada, a qual seria desnecessária. Há espaço para todos desde que cada um encontre o seu segmento e o cliente, a fim de atender necessidades e anseios", defende.
EMPREENDEDOR INTERNO
Conforme o professor, existe uma dificuldade muito grande em ser um empreendedor interno, principalmente quando a empresa é tradicional (de origem familiar).
Stertz diz que as tradicionais, na maioria das vezes, não adotam um modelo de gestão participativa, centralizando o poder decisório em uma só pessoa, não permitindo a participação de um colaborador com sugestões. Porém, o coordenador manifesta que a opinião de um colaborador preparado pode alavancar um negócio. "É como um jogo de futebol. Às vezes, o treinador dentro do campo não vê a solução, mas alguém que está fora do campo tem uma solução muito melhor do que aquele que está no calor do jogo", destaca.
AVALIAÇÃO
O coordenador declara que o que se tem na região são empresas tradicionais, familiares, as quais são de certa forma pouco ousadas. "Precisaríamos ter mais projetos de viabilidade, porque muitas vezes determinados produtos e serviços temos que buscar em outras cidades maiores, quando poderíamos ter aqui. Basta que as pessoas tenham ideias, queiram desenvolver", desabafa.
INOVAÇÃO X EMPREENDEDORISMO
Diferente do que se pensa, inovar não é só se utilizar de ideias voltadas ao uso da informática, mas sim ter ideias criativas, diferentes. Esta afirmação de Stertz aponta novos horizontes para empresários que ainda não estão adaptados para novas tecnologias. "Uma das coisas que as pessoas deveriam fazer mais é viajar e conhecer o mundo, ou, se não puder conhecer o mundo, conheça outros lugares para encontrar soluções criativas. Vou citar um exemplo: nas lojas de calçados, em especial, se tem um espaço de exposição exagerado, onde praticamente todo o estoque está disponível. Já, lojas muito modernas trabalham com poucos calçados em exposição, deixando o restante do estoque todo guardado, o que facilita muitas vezes o discernimento do cliente. Além de não necessitar de muita estrutura física para abrir um negócio", exemplifica.
Outra qualidade necessária em um empreendedor é o senso de observação. "É preciso que a pessoa se situe no ambiente para que possa analisar todos os fatores presentes, e a partir daí realizar soluções criativas diferenciadas, principalmente no sentido de encantar o cliente. Um cliente encantado sempre volta. Se o atendimento for feito de forma tradicional ou com a conotação de 'por obrigação', talvez o cliente não volte", aconselha.
RECADO
"Empresário não é para quem quer é para quem tem coragem, e realmente é uma pessoa que se propõe a correr riscos e aceitar desafios. Se a pessoa não tiver esse perfil, é melhor a mesma se prontificar a ser uma colaboradora dentro de uma empresa ao invés de ser empresário", conclui.
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