Novo presidente da Fecam comemora os avanços na gestão pública

Prefeito reeleito de Palhoça e ex-presidente da Associação Catarinense dos prefeitos do PMDB, Ronério Heiderscheidt, empresário, 53 anos, assume o comando da Federação

RCN: O senhor assume a Fecam em um momento especialmente delicado para o país e para Santa Catarina, em virtude da crise internacional e dos estragos provocados pelas chuvas, em novembro passado. Quais os seus principais desafios à frente da Federação?

Ronério: Temos quatro desafios prioritários à frente da presidência da Fecam. Queremos implantar um novo modelo de gestão pública, com a adoção de ferramentas tecnológicas e qualificação de pessoal. Na realidade, queremos dar inicio ao processo de certificação da ISO 9001. Pretendemos também promover a discussão imediata com os municípios para a adoção da nova política nacional de Saneamento Básico. Outra questão é o nosso compromisso em eleger um catarinense, no caso o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, para a Confederação Nacional dos Municípios. E, por fim, construir uma sede própria para a Fecam.

RCN: O sonho da nova sede vira realidade?

Ronério: Sim, vamos lutar para que isso realmente se torne uma realidade e para isso contamos com o apoio do governador Luiz Henrique da Silveira. Como dissemos, esse é um dos nossos desafios.

RCN: Santa Catarina ainda tem números desonrosos quando se trata de saneamento básico. Seminários como \"Municipalização do Saneamento Básico\", promovido pela Fecam, dias 29 e 30 de janeiro, podem de fato contribuir para melhorar os índices catarinenses nesse setor?

Ronério: A melhoria dos índices de atendimento ao saneamento básico se dará pela Lei do Saneamento Básico (11.445/07), que definiu as diretrizes nacionais para o setor. A nova política ampliou o conceito de saneamento básico, que passou a englobar o abastecimento de água, o esgotamento sanitário, o manejo de resíduos sólidos e o manejo da água. Todos estes serviços são definidos como competência do município, que necessita de aporte financeiro para realizar efetivamente a ampliação do serviço. Cabe à Fecam pleitear aos Estados e à União recursos a fundo perdido para os municípios e orientar os prefeitos e secretários sobre como instituir a Política e o Plano Municipal de Saneamento Básico, e também auxiliá-los a definir a agência reguladora do serviço, que são suas principais atribuições na Lei. Os seminários representam uma oportunidade de sensibilizar os novos gestores sobre a importância de priorizar este projeto neste mandato e municiar os secretários municipais de informações técnicas para qualificar a elaboração da Política Municipal de Saneamento Básico.

RCN: Que outras iniciativas da Fecam contribuem com a formação de melhores gestores públicos municipais?

Ronério: A Fecam atua por meio de seis programas, estabelecidos por seu Plano de Trabalho, que foi elaborado em parceria com as 20 associações de municípios e reúne os principais projetos para uma boa gestão pública municipal. É nesta linha de atuação que a Federação busca a consolidação da representatividade político institucional das entidades municipalistas. A modernização da gestão pública municipal - que passa pela estruturação do sistema tributário do município para ampliar suas receitas; a gestão da Informação e desenvolvimento tecnológico - informatizando os procedimentos e serviços das prefeituras; a qualificação dos agentes públicos municipais e a promoção e planejamento para o desenvolvimento regional são os grandes objetivos.

RCN: O senhor identifica avanços importantes na gestão pública municipal no que se refere ao respeito à LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) e a outras práticas de boa gestão?

Ronério: A Fecam encerrou o ano comemorando o bom desempenho das prefeituras na aprovação das contas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). O índice de aprovação das contas foi de 97%, o maior percentual desde a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal, o que comprova o equilíbrio orçamentário e financeiro das administrações municipais e a correta aplicação do dinheiro público. A adoção de sistemas de informação nas prefeituras e a qualificação dos técnicos municipais também são fundamentais para o controle das práticas administrativas e para o correto exercício das atividades municipais pelos servidores públicos.

RCN: E quanto ao nepotismo? Ainda é prática recorrente?

Ronério: Os municípios estão adequando as suas legislações às atribuições da Súmula vinculante aprovada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que proíbe a prática do nepotismo em toda a administração pública. A Fecam também orienta prefeitos, os secretários e técnicos municipais sobre a vedação do nepotismo cruzado e a permissão de nomear parentes para cargos políticos - como, por exemplo, secretários. Mas de fato os municípios vão cumprir o que determina o STF.

RCN: Os prefeitos vão sentir o impacto da renúncia fiscal envolvendo impostos federais que compõem o FPM (Fundo de Participação Municipal) e da queda do ICMS?

Ronério: A política de redução de impostos, no caso do ICMS, é realizada pelos estados, e o FPM é alimentado por impostos recolhidos pela União. Como os municípios recebem uma cota-parte destes recursos, com certeza, sentirão os reflexos da queda de arrecadação e, por isso, terão que se adaptar à realidade e reduzir os gastos nas prefeituras.

RCN: O senhor acredita que há espaço para os prefeitos seguirem o mesmo caminho (renúncia fiscal ou diminuição de impostos, do IPTU, por exemplo) para segurar a atividade econômica?

Ronério: O IPTU já apresenta uma defasagem na planta genérica de valores por isso fica difícil reduzi-lo ainda mais e neste ano já houve fixação das alíquotas e a sua majoração. Além do mais, o imposto incide sobre a pessoa física e não representa muito no total da arrecadação, o reflexo não é tão grande.

RCN: Quanto à reforma tributária. A Fecam acredita que ela pode ser votada este ano? Que gestões irá fazer nesse sentido?

Ronério: Há uma dificuldade de se chegar a um consenso entre os estados, principalmente, os estados produtores, que não querem ter perda no ICMS, o que atrasa a aprovação do projeto de Reforma Tributária do governo federal. A Federação já sugeriu alterações à Reforma para preservar as receitas dos municípios e as encaminhou à bancada parlamentar catarinense e ao governo federal, por meio da Confederação Nacional de Município, e intensificará ações de articulação e mobilização para garantir os interesses dos municípios. Mas temos ciência de que, enquanto o governo federal não acertar os pontos com os governadores, a Reforma ficará no Congresso Nacional.

RCN: A XI Marcha dos Prefeitos já tem pauta definida? Qual a sua expectativa sobre a mobilização deste ano?

Ronério: A Marcha é o principal encontro nacional de municípios. É o momento para conhecer as ações do Movimento Municipalista e trocar experiências com prefeitos de outros estados. Acredito, que a exemplo dos anos anteriores, Santa Catarina estará como uma das maiores comitivas de agentes políticos no encontro. Em relação a pauta, a Reforma Tributária, os precatórios e o saneamento básico devem ser priorizados. Mas será durante o encontro que vamos discutir e aprovar a pauta que será trabalhada durante o ano.

RCN: Está sendo arquitetada uma chapa de consenso para concorrer à presidência da Confederação Nacional de Municípios (CNM), encabeçada pelo prefeito de Chapecó, João Rodrigues (DEM). Essa chapa será constituída apenas com nomes catarinenses ou também de outros estados?

Ronério: Esse foi um acordo firmando entre os pré-candidatos à presidência da Fecam e um compromisso meu assumido com os prefeitos de apoiar a candidatura de Santa Catarina à presidência da CNM. A nossa proposta, encabeçada pelo prefeito de Chapecó, João Rodrigues, será discutida com todos os prefeitos na assembléia da Federação junto com o atual presidente da CNM, Paulo Ziulkoski. Vamos buscar articular com as demais federações para definir os nomes.

RCN: O que pode significar para SC comandar a CNM em uma gestão trianual que engloba o período das eleições de 2010?

Ronério: Para Santa Catarina representa uma grande e importante visibilidade. O último presidente catarinense a comandar a CNM foi Milton Sander, coincidentemente, também de Chapecó.

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