MÊS DAS MULHERES

Mulheres buscam uma realidade mais igualitária

Mulheres buscam uma realidade mais igualitária

Em 1984 no Jornal Celeiro de Maravilha, era comum ler uma notícia de que, por exemplo, um homem com três esposas resolve vender uma por uma novilha. E é fácil conhecer alguém que relate algum caso semelhante, que um parente vendeu a mulher por um pedaço de terra, por animais, por algum outro bem considerado de valor. Nesse sentido, faz pouquíssimo tempo que as mulheres conseguiram conquistar espaços dentro da sociedade, começando lentamente um processo de igualdade entre homens e mulheres. Desta matéria aqui tratada, fazem apenas 36 anos. 

Na matéria diz "Assim, o agricultor que nas horas de folga cultiva o saudável hábito de gerar filhos descobriu uma nova fórmula de controle da natalidade. Aos 37 anos, ele já conta com uma considerável prole formada por 23 crianças". A matéria continua: "Preocupado com o nascimento de mais dois rebentos, três meses atrás, resolveu procurar uma maneira de sustar as frequentes e, segundo ele, acidentais visitas da cegonha.". O texto segue contando a história da ideia "genial" do homem de vender a esposa, que aparentemente teria herdado do pai a vocação de procriar, este que com 5 esposas já tinha 27 filhos. O texto descreve ainda como viveriam em harmonia as esposas na mesma casa "desfrutando da companhia da família e do sogro".

O processo que levou às mulheres a começar a serem tratadas de forma igual, que ainda anda a passos curtos começou há muito tempo, na França e em outros países da Europa principalmente para terem o direito ao voto. Esse processo que começou no século XX foi longo e travou muitas batalhas e anda ainda muito desigual pelo mundo. Podemos pegar como exemplo o fato de que na Finlândia as mulheres conquistaram o direito de votar em 1906 e na Arábia Saudita apenas em 2011. De acordo com informações da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios), em 2014, as trabalhadoras brasileiras recebem aproximadamente 27% menos do que os homens que desempenham funções similares. Esses aspectos são somente exemplos.

Outro exemplo muito forte de desigualdade são as diferentes violências cotidianas e domésticas que ainda hoje acontecem. Além de trabalharem fora de casa muitas vezes ganhando menos, trabalharem em casa fazendo o que são os "serviços de mulher" muitas mulheres ainda sofrem pela violência dentro dos lares. De uns tempos para cá, de acordo com a delegada Lisiane Junges, responsável pela DPCAMI (Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso), os números de ocorrências em que mulheres têm procurado a delegacia para pedir medidas protetivas aumentou. Isso, segundo ela, pode significar um aumento da violência em si, mas também pode significar que a violência está como estava, mas nesse caso as mulheres têm procurado cuidar da própria segurança.

A Delegada também comenta que hoje em dia vemos a violência contra a mulher como uma temática recorrente em vários meios de comunicação e no Governo. Este, para Lisiane, tem feito uma campanha constante e diuturna de combate, repressão e também prevenção da violência contra a mulher, em todas as esferas. Aqui em São Miguel do Oeste existe a Rede de Apoio que envolve as forças civis e militares, além de órgãos de assistência como o CREAS, o CRAS, bem como Ministério Público, Defensoria Pública, Poder Judiciário. Essa é uma Estrutura pensada e articulada que vem agregando forças para atender essa demanda da mulher vítima de violência, que percebendo a existência destas estruturas se sente mais segura para tomar providências.

Outro passo importante foi a criação da Lei Maria da Penha, em 2006. Ela prevê cinco tipos de violência: a física, a sexual, psicológica, a moral e a patrimonial. A física é que causa alguma lesão corporal a mulher por exemplo, soco, pontapé, facada. A sexual é sujeitar a mulher a qualquer tipo de ato sexual que ela não queira e isso envolve também pessoas que estão em relacionamentos como casamento e namoro, pois a partir do momento que alguém força um ato sexual sem consentimento é violência sexual, não importa a circunstância. As violências psicológicas e morais incluem perseguição, xingamentos, quando mulher é humilhada por estar em algum lugar ou fazendo alguma coisa, por exemplo. A patrimonial é a que prive a mulher de recursos, como por exemplo para uma mulher que não trabalha fora de casa e o homem, utilizando-se do poder econômico, faz algum tipo de chantagem ou obriga a mulher a se submeter uma situação que ela não queira como forma de continuar sustentando a casa e os filhos, ou por exemplo destruir o celular da mulher por ela não fornecer a senha, etc.

Outra coisa que a delegada fala durante a entrevista é que sobre o termo "Crime Passional" que não é mais adequado tecnicamente. "O termo técnico correto é feminicídio, no caso de ser um feminicídio e estupro no caso de estupro" diz ela. O crime passional cometido pelo homem era assim entendido como justificável por alguma ação da mulher, e, de acordo com a delegada, não se entra nesse mérito, não é justificável com a vida privada das pessoas, trair, por exemplo, não é crime. O importante, juridicamente falando, é prática do crime.

Lisiane conta que há muita melhora principalmente porque hoje esse assunto é debatido. Se pensarmos nas nossas avós ou bisavós, que viviam em outro contexto, e o marido proibi-la de sair ou trata-la como fruto de sua posse era normal. Nunca, trinta anos atrás, uma mulher faria um boletim de ocorrência por ser maltratada todo dia pelo marido. Hoje as mulheres sabem que não precisam aturar isso. "Às vezes as pessoas têm a sensação que a sociedade está perdendo o controle e isso não é verdade. As coisas seguem acontecendo como sempre aconteceram, só que agora as mulheres têm mais voz" afirma a delegada.


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