Motoristas celebram ano de conquistas e reconhecimento da profissão

Motoristas celebram ano de conquistas e reconhecimento da profissão
Folha do Oeste - Estatuto do motorista trouxe melhorias para os trabalhadores, mas pontos importantes ficaram de fora

Com a função regulamentada, motoristas profissionais continuam a luta por um trabalho digno

O ano de 2012 trouxe boas notícias aos profissionais que trabalham no transporte de cargas e passageiros em todo o Brasil. Depois de décadas tramitando no Poder Legislativo, a lei que regulamenta a profissão de motorista foi finalmente sancionada pela presidente Dilma Rousseff no mês de maio. Entre os pontos de destaque do estatuto está a lei que regulamenta a jornada de trabalho diária dos condutores, bem como o tempo descanso e de direção.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Coletivos e Cargas do Extremo Oeste, Iniro Grolli, o principal benefício que o estatuto traz à categoria diz respeito à saúde dos motoristas. “Vai acabar com isso de dirigir a base de rebite, e de viver longe da família, sem ver os filhos crescerem. Por consequência, o motorista vai realizar um trabalho melhor, e isso vai também diminuir o número de acidentes nas estradas”, afirma. “Aqui no extremo oeste, os motoristas profissionais trabalham em excesso. Por isso a questão do descanso é uma das prioridades”, completa.

O estatuto fixou a jornada de trabalho da classe em até 8 horas diárias, com a possibilidade de ser prorrogada por até duas horas. Foram instituídos também os horários de descanso: mínimo de uma hora para almoço e paradas de 30 minutos a cada quatro horas trabalhadas. Outro ponto de destaque no documento é o que determina o fim das remunerações de acordo com distância percorrida, tempo de viagem ou quantidade de produtos transportados. Para Grolli, são conquistas importantes, porém alguns aspectos cruciais foram deixados de fora do texto final, como a garantia de aposentadoria especial após os 25 anos de serviço. “De forma geral, a principal contribuição do estatuto é quanto ao tempo de descanso. A partir de agora, como categoria regulamentada, é hora de lutar para conseguir mais. É importante que os trabalhadores planejem suas viagens e descansem aquilo que está previsto, e que as empresas entendam que se a carga delas chegar uma hora depois do que costumava chegar, com as concorrentes irá acontecer o mesmo”, ressalta.

 

Condições atuais e futuro

Segundo Grolli, muitos motoristas profissionais da região Extremo Oeste costumam realizar acordos com seus patrões para receber o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço junto com a remuneração mensal, abrindo mão de benefícios como o 13º salário e a aposentadoria. Isso, na visão do presidente do sindicato, é um cenário preocupante. “Muitos preferem receber um valor a mais no final do mês, mas não tem a noção de que no final do ano acaba sendo um prejuízo. E se acontecer algo que obrigue o motorista a ficar parado por 60 ou 90 dias, ele vai ter que sobreviver com um salário de fome”, alerta. 

Apesar das dificuldades, Grolli avalia que a profissão de motorista de caminhão e ônibus de transporte ainda desperta o interesse de muitos jovens na região. “Uma das coisas que atraem pessoas para ser motorista é o fato de viajar, poder conhecer o país. Não vejo tantos filhos de motoristas seguindo a profissão do pai, como acontecia antes. Mesmo assim, ainda tem um bom número de pessoas que quer trabalhar na área, até porque temos algumas empresas de médio porte na região que oferecem boas vagas”, constata.

Para o caminhoneiro autônomo Jandir Vincenzi, o baixo valor do frete é atualmente a principal dificuldade enfrentada pela categoria. “O preço do diesel subiu, mas o valor do frete ainda não. Com o novo estatuto, já melhora um pouco a condição do motorista porque a remuneração passa a ser mensal, e não de acordo com a carga”, afirma. Ainda segundo Vincenzi, uma das maiores preocupações dos caminhoneiros que, como ele, percorrem grandes distâncias está no excesso de velocidade e na imprudência nas rodovias. “No trecho que eu faço, do Rio Grande do Sul até Belém do Pará, tem muito tráfego e quando acontecem acidentes é quase sempre algo grave”, conta.

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