Moradores repudiam serviços do Samu em São Miguel do Oeste

Moradores repudiam serviços do Samu em São Miguel do Oeste
Folha do Oeste

Dois moradores do bairro São Luiz, em São Miguel do Oeste, que pediram resguardo de identidade, acreditam que há negligência em atendimentos realizados pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência)

Em 1º de janeiro deste ano, um  dos moradores necessitou socorrer a sogra, que passava mal. Segundo ele, a idosa havia sofrido uma queda e deslocado uma prótese de metal que estava presa a um osso da bacia. “Meu filho ligou para o Samu e disseram que não havia ambulância e pediram para ligar para os bombeiros”, relata. De acordo com o morador, ao ligar para os bombeiros, a resposta foi a de que estavam com a ambulância em uma ocorrência no bairro Santa Rita. Ele conta que novamente tentaram contato com o Samu e não foram atendidos.
Ao pegar o próprio carro e se deslocar para a sede do Samu, o morador verificou que havia uma ambulância com a porta lateral aberta. “As janelas do Samu também estavam abertas, mas a porta estava chaveada”, lembra. Segundo o ele, antes de retornar para casa, passou no Corpo de Bombeiros, onde um chamado por rádio foi efetuado ao condutor da ambulância. “Quando cheguei em casa, os bombeiros já estavam lá”, frisa. Após quatro dias hospitalizada, a idosa morreu.
Na opinião do morador, que já revelou saber de más informações sobre o serviço, o Samu tem atendido mal a população. “Para mim, tem que acabar com o Samu. Não funciona!”, exclama. “Estão atendendo muito mal e eles jogam sujo com os bombeiros. Passam o compromisso para os bombeiros e até culpam eles”, revela. Para o morador, os bombeiros sempre atenderam bem. “Não tenho do que reclamar”, reforça. Na avaliação dele, é preciso rever a forma como o Samu tem trabalhado. “Não dá mais para ficar assim”, arremata.
Para o outro morador, também do bairro São Luiz, embora o fato tenha ocorrido há praticamente um ano, é impossível esquecer o atendimento. Segundo ele, precisaram do Samu para socorrer o sogro, que era doente. “Na primeira vez, nos atenderam bem e vieram aqui em casa”, recorda. “Depois, houve a troca do pessoal que trabalha lá e o atendimento piorou”, compara.
Conforme relata, ao precisar dos serviços pela segunda vez, diversas perguntas foram feitas. “Me pediram até se ele estava respirando. Falei que se não estivesse teria ligado para a funerária, não para o Samu. De acordo com o morador, desligaram o telefone e não o atenderam. Ele conta ainda que a medida adotada foi ligar para uma outra pessoa, que levou o doente para o hospital com seu próprio carro.
A avaliação que o morador faz sobre os serviços prestados pelo Samu de São Miguel do Oeste, é a de que uma parte da população também tem culpa. “Tem gente que liga e passa trote para eles atenderem ocorrências falsas”, destaca. “Então, eles desconfiam sempre que alguém liga”, opina. “Por isso, passaram a solicitar muitas informações na hora de registrar a ocorrência. Isso não dá certo”, conclui.
Na opinião do morador, a ligação que cai em uma central na cidade de Chapecó dificulta, pois distancia a população do serviço. “Está errado. O serviço tem que estar próximo da população”, afirma. Conforme ele, caso precisasse novamente de um atendimento emergencial, ligaria para os bombeiros. “O Samu poderia ser extinto. Não funciona”, finaliza.

SAMU
De acordo com o coordenador regional do Samu no extremo oeste de Santa Catarina, o médico Jesus Fagundes, de Chapecó, o serviço veio para auxiliar a população e salvar vidas. Conforme esclarece o profissional, caso alguém sentir-se lesado ou prejudicado, recomenda-se que a denúncia seja feita imediatamente no próprio Samu. “É sempre aberta uma sindicância. É conversado com o médico que regulou naquele dia para saber o porquê de não ter sido atendido, pois a nossa meta é fazer o serviço funcionar”, informa. “É importante, sempre que for denunciar, anotar o dia e a hora e informar tudo”, complementa. “O médico não pode mentir nunca”, arremata.
No entender do coordenador, o serviço em São Miguel do Oeste sente dificuldades. Segundo ele, além de ter duas ambulâncias, uma UTI e outra básica, o fato é que,  “às vezes, as pessoas não sabem ao certo para que serve o Samu, e chamam por pouca coisa”, conta. “Sei que para uma determinada família isso é muita coisa. Mas a maioria das pessoas entendem quando não é atendida”, conclui.

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