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Migueloestino produz diário da pandemia
A suspensão das atividades escolares, que aconteceu no dia 17 de março por meio de decreto estadual, fez com que Ulisses Junior Longhi, professor de língua portuguesa e escritor nas horas vagas, ficasse em casa, uma quebra de rotina que o fez ficar ocioso e desanimado. No quinto dia de isolamento, ao sair para ir ao mercado, no meio do caminho, ele teve a ideia de escrever um Diário da Pandemia, em formato de crônicas de como era viver neste confinamento, e esse foi o pontapé inicial para os textos que ele vem publicando há cerca de 100 dias e que já reúnem leitores assíduos. No início era para ser um diário mesmo, com 12 linhas sobre o cotidiano, mas conforme os dias foram passando ele resolveu aprofundar um pouco mais. Hoje ele senta às 19h, religiosamente em frente ao computador e escreve seu diário, incluindo também algumas reflexões.
Cada dia o professor propõe um assunto para reflexão ou rememora alguma lembrança de sua juventude. E sempre ao fim do texto recomenda algum livro para leitura, de autores nacionais e internacionais. Procura ser politicamente correto e manter a leveza do texto, com textos despretensiosos e afirma que não entra em assuntos polêmicos ou que possam gerar discussões que ele não considera proveitosas entre os leitores. Dessa forma ele fala sobre coisas que tem importância social, como por exemplo a discriminação racial, já tratou também sobre política e religião, mas não busca tomar um partido pois vê que esse não é o objetivo do texto, apenas propor a reflexão.
Ulisses fala ao Folha do Oeste que as pessoas sempre deixam comentários, sugerem assuntos e até cobram quando demora um pouco para publicar. São praticamente 100 pessoas que leem todos os dias, o que ele vê como uma boa repercussão, avaliação que também tem base nos novos convites que recebe diariamente na rede social. Além disso, para o escritor, as curtidas são termômetros e estímulos para que ele continue escrevendo. Ao final, ele pensa em fazer um livro, após receber essa ideia por sugestão também dos leitores. Dessa forma isso talvez aconteça quando houver o retorno das aulas no estado, prevista para agosto deste ano.
Longhi nasceu em São Miguel do Oeste, onde ainda tem familiares, mas mora desde 1995 em Xanxerê. É formado em Letras - Português e Inglês, tem especialização em Jornalismo e mestrado em Linguística. Em um de seus trabalhos, chamado Escritura do Cárcere, ele e um colega da graduação reuniram textos de penitenciários de Chapecó que foi lançado em 1995. Depois, no mestrado, lançou um livro chamado Quem Escreve um Conto Chega a Um Livro. Depois disso, ele continuou escrevendo esparsamente, sem pensar em publicar algo algum dia. Agora com essa nova produção e com o estímulo dos leitores de publicar algo, tem pensado nesta ideia, e ele afirma já estar organizando o material. Este livro teria uma página por dia, e o título provisório é Diário da Pandemia: Reflexões de tempos difíceis.
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