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Melancia surge como nova opção para fruticultores da região
Experimento com melancieiras apresenta primeiros resultados em Palma Sola. O objetivo é difundir a cultura da fruta no município e atender a demanda de grandes mercados consumidores
Com o objetivo de diversificar atividades do meio rural para produtores familiares de Palma Sola, a Epagri do município está realizando, desde outubro do ano passado, na propriedade do agricultor Marcos Biazebetti ,um experimento com melancias.
Segundo o extensionista da Epagri de Palma Sola, Gilmar Francisco Partika, a experiência visa proporcionar uma condição extra de renda aos agricultores. “O cultivo da melancia pode se tornar uma atividade a mais para produtores rurais e, consequentemente, aumentar a renda das famílias”, destaca.
De origem africana, a melancia é uma planta que foi trazida ao Brasil pelos negros, ainda no processo de escravidão. No país, os estados que concentram as maiores produções da fruta são Goiás, onde se situa a capital nacional da melancia, Uruana, além de Bahia, Rio Grande do Sul e São Paulo.
Em Palma Sola, Partika destaca que o cultivo da melancia para a comercialização ainda precisa ser melhor desenvolvido e aperfeiçoado. “Temos produtores que cultivam mais para o mercado local, com melancias de peso inferior a 10 quilos. E o grande mercado consumidor hoje procura por melancias com peso superior a esse. Para atingir mercados maiores, também temos que chegar à qualidade exigida, com tamanho e peso ideais”, diz.
EXPERIMENTO
O extensionista destaca que no experimento com as melancias estão sendo analisados o manejo dos baraços e a poda da planta, a adubação, o raleio, o melhor período para o plantio e o auxílio do sistema de fertirrigação, que serve para aperfeiçoar a produção. “Aqui, como temos um histórico de estiagem, realizamos um sistema de irrigação e fertirrigação com o pensamento de nos precavermos de possíveis secas, com um sistema de gotejamento”, explica Partika. Em condições de estiagem, o sistema mantém a umidade e também faz a adubação direto no pé da fruta.
Em apenas um hectare da propriedade de Biazebetti, o extensionista ressalta que foram plantados oito mil pés de melancia. “Trabalhamos o manejo com espaçamento de dois metros e meio na entrelinha e meio metro na linha, realizando a poda e evitando o transpasse de um lado para o outro”. Com essa iniciativa, Partika destaca que a ideia é realizar um manejo e raleio diferenciados a fim de deixar uma melancia com cerca de 10 quilos por pé. “Na teoria, imaginamos produzir oito mil melancias e teoricamente 80 toneladas”, calcula.
PREVISÃO
Apesar da previsão de cerca de 80 toneladas, o extensionista conta que menos da metade da produção foi alcançada. “Tínhamos previsto isso e vamos acabar com umas 25 toneladas. Está bem abaixo do que esperávamos, mas vamos continuar o experimento e aperfeiçoar o cultivo, para aí sim repassar para mais agricultores”, frisa Partika. Para ele, dentre outros detalhes, o excesso de chuvas no período também pode ter influenciado na produção.
APERFEIÇOAR
Com o experimento realizado, os idealizadores já verificaram que será necessário aperfeiçoar a prática da poda, já que nessa primeira experiência algumas plantas não produziram. Além disso, em vez dos oito mil pés, o extensionista enfatiza que na continuidade do ensaio, a ser realizado no final deste ano, serão plantados cerca de cinco mil mudas por hectare, o que deve impedir que os baraços transpassem. O espaçamento entre as melancieiras também é algo que será reajustado. “Faremos com cerca de 70 centímetros a linha e 3,5 metros a entrelinha, o que proporcionaria mais espaço entre as melancieiras, para haver uma intensa brotação e florescimento e trabalhar um pouco melhor a questão de raleio do fruto. Tentaremos deixar no máximo dois frutos por pé”, destaca. “Ano que vem vamos fazer essas e outras correções no sistema, para ver se a gente consegue atingir esses objetivos”.
CUSTOS
O custeio para a produção de melancia para um hectare, com cerca de 5 mil mudas, mais os fertilizantes e os preventivos e fungicidas, segundo Partika, gira em torno de R$ 1,5 mil. O sistema de irrigação é um opção de investimento, que poderá, dependendo da situação, ser usado em outras culturas na propriedade. Com mais essa opção, o custeio passaria para cerca de R$ 2 mil a R$ 2,5 mil. “Com isso, temos que buscar uma produção mínima de pelo menos umas 60 toneladas para que se torne lucrativo. E é essa meta que estamos buscando e pretendemos atingir já no ano que vem”.
FERTIRRIGAÇÃO
É uma técnica de adubação que utiliza a água de irrigação para levar nutrientes ao solo cultivado. Esta aplicação é feita através do sistema de irrigação mais conveniente à cultura. Por meio dessa alternativa, pode-se aplicar fertilizantes comerciais diluídos em água de irrigação ou certos resíduos orgânicos líquidos. A utilização de efluentes de qualquer natureza é passível de exigência tanto de licenças ambientais quanto de monitoramento ambiental periódico da área.
O uso da fertirrigação pelo produtor, em grande parte dos casos, proporciona economia de fertilizantes e de mão-de-obra.









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