Justiça Federal condena 20 réus da Operação Impunis

Penas variam de 1 a 17 anos e os sentenciados podem recorrer da decisão

A Justiça Federal de São Miguel do Oeste condenou na última semana 20 acusados de crimes de tráfico e associação com o tráfico de drogas, todos presos durante a Operação Impunis da Polícia Federal, em 2008. As penas de cada acusado variam de 1 a 17 anos de prisão. A sentença é do juiz Wesley Schneider Collyer, da Vara Federal de São Miguel do Oeste, e foi registrada na quarta-feira, dia 13, em ação do Ministério Público Federal proposta pela procuradora da República Maria Rezende Capucci.

Dos 20 condenados, 12 tiveram penas superiores a nove anos de prisão. Conforme a assessoria do juiz, os nomes e as sentenças de cada acusado permanecem em sigilo. Todos os sentenciados podem recorrer das decisões, porém até o momento a Justiça não sabe de nenhum condenado que tenha recorrido. De acordo com a sentença, com mais de 500 páginas, 14 réus que responderam presos às acusações continuarão na prisão durante o trâmite de eventual recurso. Os outros seis poderão recorrer em liberdade ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre. Dois réus foram absolvidos por falta de provas. Um deles estava preso e já foi liberado. O MPF também pode apelar.

As investigações da PF detectaram uma suposta organização criminosa, com fornecedores de drogas vindas do Paraguai e do Oeste do Paraná e distribuidores nos três estados do Sul. Entre 2 e 7 de março deste ano, a Justiça Federal no município interrogou os 22 réus e ouviu cerca de 50 testemunhas.

A Operação Impunis foi deflagrada por policias federais de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná no dia 5 de agosto de 2008, com prisões em Guaíra, Maringá, Pato Branco, São Lourenço do Oeste, São José do Cedro e São Miguel do Oeste. Ao todo, 21 pessoas foram presas sob acusação de tráfico transnacional de drogas. Antes das prisões, foram oito meses de investigação, que culminou na prisão de todos os membros da quadrilha, que agia nos três estados do sul do Brasil. Também haviam sido apreendidos seis menores que prestavam o mesmo serviço para a quadrilha.

Na época, o delegado de Polícia Federal de Dionísio Cerqueira, Márcio Antonio Lelis Anater, explicou que as drogas eram introduzidas no Brasil por três fornecedores do Paraguai. A partir de Guaíra/PR, as drogas eram enviadas para as mais diversas regiões do Brasil. Sob coordenação de pessoas já presas na Cadeia Pública de Guaíra/PR, havia um grupo traficantes naquela cidade que se encarregava de aliciar "mulas" para fazer o transporte. Segundo o delegado, a preferência era por menores de idade, em razão do tratamento legal diferenciado que eles recebem. Muitas das drogas eram pagas com carros furtados ou financiados com fraude.

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