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Investimentos e cooperação são a base da agroindústria do MST
Há mais de 20 anos, a agroindústria do Assentamento Conquista na Fronteira destaca-se como uma das maiores em Dionísio Cerqueira
O mais antigo assentamento do MST (Movimento dos Sem Terra) em Santa Catarina está localizado próximo à fronteira com a Argentina, mais precisamente no município de Dionísio Cerqueira. Denominado Assentamento Conquista na Fronteira, ele existe desde 1988 e é composto por 60 famílias vindas de várias regiões do Estado, e que desde o início se propuseram a viver coletivamente, apesar de apresentarem realidades e trajetórias de vidas distintas.
Com área de 1.198 hectares, uma das primeiras imagens que se tem logo que se chega ao assentamento é a fartura de vida e a produção do local. Inúmeras atividades são realizadas. Podem ser citadas as dos setores do gado de leite e de corte, peixes, erva-mate, produção de grãos, hortaliças e demais produtos de subsistência. No entanto, o setor mais promissor dentro do assentamento é o das aves.
UNIÃO
Em meados de 1990, o grupo se fortaleceu, e fundou a Cooperunião (Cooperativa de Produção Agropecuária União do Oeste Ltda.), com 41 sócios fundadores - atualmente conta com cerca de 100 sócios. O nome da indústria rural, segundo o integrante do conselho diretor da cooperativa, Valdir Martins, surgiu devido à organização coletiva do assentamento.
Conforme Martins, o objetivo principal da Cooperunião é o desenvolvimento da produção agropecuária coletiva, facilitando as compras e vendas, os créditos, a aquisição de maquinários, a infraestrutura, industrialização e comercialização de produtos e a adoção de tecnologias, além do planejamento da produção e da utilização da área. “Com o passar dos anos, após termos garantido a subsistência das famílias, começamos a pensar na produção para o mercado. Como o lucro da produção agrícola é baixo, principalmente da soja e do milho, se pensou então numa forma de agregar valores na produção das aves, transformando-as em carnes”, diz. Partindo desta lógica, a Cooperunião passou do processo produtivo, primeiro para a subsistência, depois para o comércio, e por fim para a industrialização e hoje, os produtos são comercializados com a marca Terra Viva.
CAPACIDADE
As aves de corte são industrializadas e processadas no próprio assentamento. A indústria tem capacidade de abater 1.000 aves por hora, tem SIF (Serviço de Inspeção Federal), podendo comercializar o produto em todos os estados do Brasil e inclusive exportar. “A produção de aves sempre foi para o consumo das famílias. Quando havia excedente era comercializado sem legalização para o comércio local. Assim foi por vários anos. Após estudos de viabilidade econômica e pela grande demanda que o produto ofertava, definiu-se investir mais neste setor, com a construção de mais aviários e também um local para abate e tendo o SIM [Serviço de Inspeção municipal]”, comenta Martins.
Com o fortalecimento da agroindústria, foi ampliada a construção de aviários, havendo hoje 12 unidades no local, com 50x12 metros. “A forma de produção é diferenciada, abatendo com 50 dias de idade, e a ração é produzida internamente, mas comprando-se externamente o complemente vitamínico. Atualmente, trabalhamos com uma margem abaixo de 20% da capacidade da indústria. Isto se dá por não ter capital de giro para ampliar a produção”, destaca Martins.
PRODUÇÃO
A produção atual é de 48 mil quilos de frango ao mês, que são comercializados inteiros ou em cortes. “Temos disponível coxa e sobrecoxa, peito, asa, coxa da asa, coração, dorso, moela, fígado e frango inteiro congelado ou resfriado. Estes produtos abastecem o mercado local e regional”, complementa o integrante do conselho. Além da comercialização para o extremo oeste de Santa Catarina, são vendidos produtos para o oeste e litoral do Estado. “No Paraná, o comércio é regional, ou seja, no Sudoeste. Hoje, não há produção suficiente para manter toda a demanda existente, principalmente para o litoral de Santa Catarina”.
Como disse anteriormente Valdir Martins, atualmente, a maior dificuldade enfrentada é com relação à indústria operar com menos de 20% da capacidade. Mesmo assim, o setor de aves opera com mais de R$ 200 mil mensais e representa 70% do faturamento total do assentamento. Com os demais setores, em geral o movimento econômico mensal é superior a R$ 230 mil.
INICIATIVA
No assentamento, a carga horária de trabalho para os homens é de no mínimo oito horas por dia e para mulheres quatro horas, a agroindústria opera, devido as condições, por quatro horas ao dia. Ao todo cerca de 40 pessoas fazem o trabalho itinerante de segunda a sexta-feira.
O horário de trabalho para os jovens, varia de acordo com as horas de estudo, que é respeitado. Os jovens são orientados a inserir-se no processo produtivo aos 12 anos de acordo com as condições e capacidades, não sendo exigida produtividade equivalente a um adulto. “Respeitamos as condições físicas e o processo de aprendizagem da juventude. Mas, assim que estes ingressarem na produção, têm o dever de participar de todas as atividades da cooperativa”, complementa Martins. A partir dos 18 anos de idade, os jovens são associados à cooperativa.
Um dos destaques da Cooperunião é o número de jovens empregados, “são mais de 30 jovens que permanecem na agricultura, o que é raro no interior de muitos municípios”, enfatiza Martins, que completa: “O Assentamento Conquista da Fronteira é uma prova concreta de que a reforma agrária dá certo, é viável, fixa as pessoas no campo, traz dignidade e qualidade de vida para as pessoas que estão usufruindo diretamente da reforma agrária” opina.
Ainda, segundo ele, também se consegue produzir qualidade de vida para a sociedade em geral. “Seja através de qualidade nos serviços ou então na geração de impostos e empregos direta ou indiretamente para o município, pois temos a principal indústria de Dionísio Cerqueira e a maior indústria do interior do município”.









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