Trabalhadores revoltados com situação de trabalho em barragem. Operários reclamam de salário atrasado, má qualidade da comida e falta de água no canteiro de obras
Na manhã de ontem (sexta-feira), um grande aparato policial, com viaturas da Força Nacional de Segurança e Polícia Federal, escoltou fiscais e demais membros do Ministério do Trabalho e também sindicalistas, que foram até as obras na barragem Prata, no Rio das Flores, em Bandeirante, ver de perto as denúncias sobre as condições de trabalho e atrasos nos salários de quase 60 operários que ali atuam. A obra é da Companhia Energética Rio das Flores, que terceirizou boa parte dos trabalhos para a empresa Plano Alto Engenharia, de Chapecó.
De acordo com operários contratados por esta empreiteira, são várias as irregularidades, dentre elas o atraso nos salários (até ontem pela manhã, dia 12, ninguém havia recebido o salário de outubro). A alimentação no canteiro de obras eles classificam como lavagem para porcos, com feijão azedo ou queimado. Segundo eles, as refeições são descontadas do salário e nada mais justo que serem de qualidade. Além disso, há falta de água potável para beber. Eles também reclamam do refeitório, que antigamente era um galpão e quando chove tem goteira. No local, existem duas fontes Caxambu para captação, mas nem sempre existe água na torneira e eles improvisaram bicas nas rochas para poder ter o que beber. Há, ainda, um chiqueiro perto e as moscas tomam conta do local quando sentem o cheiro de comida.
O operário que tomou a frente e é uma espécie de porta-voz do grupo, João Toral, disse que as condições são precárias. ?Hoje, tivemos que vir a pé, pois o transporte não chegou e o trajeto é de mais de 4 km. Estamos sem água e a comida é azeda. Três colegas nesta semana passaram mal por causa da comida?, afirmou.
Toral revelou que a segurança também preocupa e alguns operários sofreram ferimentos e infecções por causa da falta de equipamento adequado. ?Nós demos o sangue nesta obra e eles não estavam nem aí para nós. Eles estão segurando nosso salário para a gente não ir embora. Temos nossas famílas para dar de comer. Fizemos uma paralisação de um dia e meio para pressionar pelos salários e acabaram nos descontando 3,5 dias. Agora resolvemos ir mais para frente?, assinalou.
Numa análise preliminar da situação do local, o procurador do Ministério Público do Trabalho, que chefiou as atividades, Marcelo D`Ambroso, relatou que existe um clima de revolta muito grande dos trabalhadores e uma situação extremamente precária, com falta de água potável, banheiros, desprezo à vida por causa da falta de segurança, medicina, higiene e saúde de trabalho, além de muitos locais de risco. ?É difícil descrever aqui o que os trabalhadores passam diariamente. Do ponto de vista trabalhista, é uma situação calamitosa?, reiterou.
D`Ambroso disse, ainda, durante a verificação no canteiro de obras, na manhã de sexta-feira, em exclusividade para o Folha do Oeste, que deve haver autos de infração do Ministério do Trabalho no decorrer das operações, nos próximos dias. ?Deve haver interdição do refeitório e outros setores que estão bem periclitantes à vida das pessoas, além dos danos morais coletivos. O Ministério Público tomará conta, com os encaminhamentos penais?, resumiu.
As ações de ontem foram coordenadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, Sindicato dos Empregados no Comércio, Sindicato dos Trabalhadores em Pavimentações, pela Polícia Federal e Força Nacional de Segurança.
Representantes da Companhia Energética Rio das Flores, proprietária da barragem e que terceirizou os serviços, preferiram não comentar o episódio.
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