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Instituições catarinenses se mobilizam em assistência às vítimas do desastre no Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro tem registrado na última semana os piores momentos de sua história. Já passam de 680 o número de vítima fatais, em desastre ocasionado pelas fortes chuvas que atingem a região Serrana do Estado desde a terça-feira, 11. As cidades mais atingidas são Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, onde a força das águas arrastou tudo pela frente, transformando municípios de referência no turismo carioca a verdadeiros cenários de guerra. O número de vítimas e desaparecidos só aumenta, equipes de resgate trabalham sem descanso na busca por corpos e possíveis sobreviventes. E a chuva também não dá trégua. No início desta semana, novos pontos de alagamento foram registrados e a previsão é de que chova por pelo menos mais uma semana. O abastecimento de água, luz e internet não foi restabelecido e o comércio permanece fechado. Agora, mais uma vez, a população dos quatro cantos do Brasil se mobiliza em favor das vítimas da tragédia, considerada umas das 10 maiores já registradas pela ONU (Organização das Nações Unidas).
Em Santa Catarina, o governador Raimundo Colombo, determinou ao Departamento Estadual de Defesa Civil a coordenação de ajuda ao estado do Rio de Janeiro. Ainda no final de semana, caminhões fretados e da Defesa Civil seguiram para Petrópolis, Nova Friburgo e Teresópolis com água, colchões, travesseiros, alimentos, roupas de cama, materiais de limpeza e higiene pessoal. A Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) fez a doação de 60 mil garrafas de 500 ml e mais 150 mil copos com 200 ml de água, que seguem juntamente com os produtos disponibilizados pela Defesa Civil Estadual.
Extremo Oeste
Em virtude dos desastres e catástrofes no Rio de Janeiro, a Acismo (Associação Comercial e Industrial de São Miguel do Oeste), juntamente com o Corpo de Bombeiros e o Sesc (Serviço Social do Comércio), estão mobilizados pela campanha de arrecadação de doações aos desabrigados, com arrecadação de alimentos não perecíveis, água potável, materiais de higiene pessoal e materiais de limpeza. As doações podem ser entregues nos seguintes pontos de coleta: Acismo - até o dia 21 de janeiro; no Corpo de Bombeiros em qualquer horário até dia 22; e no Sesc. A Acismo pede a colaboração de todos e informa que só serão aceitas doações dos materiais acima citados, pois são os mais necessários.
O município de Guaraciaba, assolado por um tornado em setembro de 2009, também está mobilizado em solidariedade às famílias atingidas no Sudeste. O local de coleta de donativos é o Centro de Referência da Assistência Social, e os donativos poderão ser entregues até sexta-feira, dia 21.
A doação deverá ser de produtos alimentícios não perecíveis e materiais de higiene, tais como: sabonete, sabão, xampu, escova, creme dental, toalha de rosto e banho.
Polícia Rodoviária Federal
Solidária com a calamidade que assola a região Serrana do Rio de Janeiro, a regional catarinense da Polícia Rodoviária Federal está mobilizada para receber donativos para serem encaminhados às vítimas das enxurradas. As doações podem ser entregues em qualquer unidade da PRF no estado.
Os itens de maior necessidade neste momento são água, material de higiene pessoal e limpeza, fraldas descartáveis, leite em pó ou em caixa, biscoitos, barras de cereal, alimentos não perecíveis, lençóis, cobertores e colchonetes.
Caixa Econômica Federal
A CEF lançou na última sexta-feira, dia 14, o plano Ação Integrada Caixa - Rio Solidário, para atendimento às famílias, ao setor produtivo e ao poder público dos municípios. As medidas incluem ações de atendimento liberação do escalonamento do calendário do Bolsa-Família, pagamento do Abono Salarial e Rendimentos do PIS, além dos benefícios do INSS e Seguro Desemprego, liberação e pagamento de FGTS e indenizações de sinistros.
As doações aos moradores das regiões podem ser feitas na conta da Defesa Civil do Rio de Janeiro, número 2011-0, agência 0199, operação 006.
Alfa doa alimentos
A Cooperativa Agroindustrial Alfa, com sede em Chapecó, encaminhou na segunda-feira, dia 17, aos desabrigados, 14,5 toneladas de alimentos, sendo 8,5 toneladas de farinha de trigo especial e 6 mil quilos de feijão preto tipo I. A decisão pela doação, de acordo com o presidente da Cooperalfa, Romeo Bet, é o mínimo que se pode fazer, coletivamente, diante de uma situação catastrófica. Bet disse que o montante representa praticamente um quilo de comida cedido por cada uma das 15 mil famílias de agricultores associadas à Alfa, distribuídas em 80 municípios de SC e três no PR.
Deslizamento é um dos dez maiores do mundo
O drama que assola a região serrana do Rio já está entre os dez piores deslizamentos do mundo nos últimos 111 anos. O número de vítimas do desastre ultrapassou o de uma tragédia na China que até então ocupava a décima posição no ranking da ONU (Organização das Nações Unidas). Além disso, o deslizamento desta semana já é o segundo maior do mundo no último ano e o terceiro maior da década.
Os dados fazem parte do banco de estatísticas do Centro para a Pesquisa da Epidemiologia de Desastres. A entidade com sede na Bélgica fornece os números oficiais da ONU para avaliar respostas a desastres naturais pelo mundo. Até a última semana, o ranking dos dez piores deslizamentos no mundo tinha como nono e décimo lugares, respectivamente, desastres no Peru (600 mortos) e China (500). Até o fechamento desta edição, 680 morreram em seis cidades do Rio de Janeiro. Há também pelos menos 182 pessoas desaparecidas. O maior desastre relacionado a um deslizamento de terra, porém, aconteceu em 1949, na União Soviética, com 12 mil mortos. O segundo maior foi no Peru, em dezembro de 1941, e deixou 5 mil vítimas.
Apesar da grande quantidade de água que desceu morro abaixo, especialistas brasileiros e a própria ONU classificam o fenômeno natural como deslizamento, e não enchente. O evento também é o pior deslizamento de toda a história do Brasil. Ele superou em número de vítimas registrado em 1967, em Caraguatatuba, quando 436 pessoas morreram. A tragédia desta semana é a segunda pior catástrofe climática do País - também em 1967, uma enchente no Rio matou 785 pessoas. Não é a primeira vez que o País aparece com destaque na lista de desastres naturais.
Despreparo em catástrofe
Segundo especialistas, as vítimas dos deslizamentos no Rio de Janeiro poderiam ter sido poupadas. Em 2009, o Brasil subiu na escala e foi o 6.º país no mundo a enfrentar o maior número de desastres naturais. O alerta na época havia sido do Departamento para a Redução de Desastres da ONU. Segundo a estimativa, dez desastres naturais atingiram o Brasil entre janeiro e dezembro de 2009, grande parte relacionada a chuvas torrenciais, deslizamento de terra e enchentes. Nesta semana, o governo brasileiro admitiu à ONU que grande parte do sistema de defesa civil do País vive um “despreparo” e que não tem condições sequer de verificar a eficiência de muitos dos serviços existentes. Em um documento enviado em novembro de 2010 por Ivone Maria Valente, da Secretaria Nacional da Defesa Civil, à ONU consta um raio X da implementação de um plano nacional de redução do impacto de desastres naturais. Suas conclusões mostram que a tragédia estava praticamente prevista pelas próprias autoridades.
Na versão enviada pelo próprio governo do Brasil ao escritório da Estratégia Internacional das Nações Unidas para a Redução de Desastres, no fim de 2010, as constatações do relatório nacional são alarmantes. “A maioria dos órgãos que atuam em Defesa Civil está despreparada para o desempenho eficiente das atividades de prevenção e de preparação”, afirma o documento em um trecho. Praticamente um a cada quatro municípios do País sequer tem um serviço de Defesa Civil e, onde existe, não há como medir se são eficientes. “Em 2009, o número de órgãos municipais criados oficialmente no Brasil (para lidar com desastres) alcançou o porcentual de 77,36% dos municípios brasileiros, entretanto, não foi possível mensurar de forma confiável o indicador estabelecido como taxa de municípios preparados para prevenção e atendimento a desastres”, diz o documento em outra parte.









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