Impacto da estiagem assusta região

Seca pode prejudicar mais, pois não há previsão de chuvas para os próximos 15 dias

As condições climáticas na região Extremo Oeste têm assustado moradores da área urbana, rural e autoridades, que buscam de todas as formas medidas emergenciais para amenizar os prejuízos. Perdas na lavoura e falta de água são os maiores problemas causados pela estiagem.

De acordo com os técnicos da Epagri, Valdir Cembranel e Domingos Rogério Donadel, a seca que perdura há mais de 45 dias tem provocado grandes perdas no setor agrícola. Até o momento estimam-se grandes prejuízos no milho safrinha, na soja, no feijão, na produção de leite e na água. “Essa estiagem se estendeu por muito tempo. O impacto dela talvez seja o maior. A dependência do processo da economia com base na água aumentou muito. A produção na região está baseada no leite, e qualquer problema neste setor desestrutura a economia local”, destaca Donadel..

Conforme os técnicos, cerca de 60% do milho safrinha é transformado em silagem. Em função da seca, a quantidade e a qualidade do produto será reduzida, desta forma isso afetará a alimentação do gado no inverno. Com a má alimentação, o produtor poderá predispor o rebanho bovino a doenças. Segundo eles, a silagem é um alimento oferecido ao animal no inverno, mas com a falta de pasto, os produtores já estão alimentando o gado com esse produto.

Cembranel alerta que soluções imediatas de prevenção para o problema de estiagem é a construção de cisternas e armazenamento de água para consumo rural e urbano. “No momento as ações tomadas são todas emergenciais. A partir de agora, os cuidados devem ser no sentido de prevenção. Na cidade é preciso racionalizar o consumo de água e evitar o desperdício. Deve-se pensar em implantar cisternas urbanas e aproveitar a água de chuva”, cita.

Os técnicos explicam que quanto mais calor, maior é a evaporação da água, e, sendo assim, a estiagem de verão prejudica mais que a de inverno em razão das altas temperaturas. Eles salientam, ainda, que houve uma redução de área florestal e aumento de lavouras, o que consome mais água. Outro fator diz respeito à atividade rural, que se expandiu significativamente, com isso, a dependência animal por água aumentou. Conforme profissionais, a vaca leiteira é altamente consumidora de água, o que torna a estiagem mais prejudicial ao produtor. 

Para eles, a solução para amenizar os problemas de seca em longo prazo são as proteções de nascentes e mata ciliar, além de armazenamento de água para consumo urbano e rural. “No momento, a função da Epagri é orientar para possíveis soluções”, acrescentam.

 

REGIÃO

 

No Extremo Oeste, a grande maioria dos municípios já decretaram situação de emergência, porém, em alguns, os prejuízos com a estiagem são mais agravantes. Em Guaraciaba, a comissão municipal de Defesa Civil se reuniu nesta quinta-feira, dia 2, para discutir alternativas para amenizar a situação. Conforme um profissional da Casan, não há mais onde captar água, pois os poços artesianos e o Rio Arroio Jacú estão praticamente secos. Ele informou que a Casan está fazendo a distribuição de água em forma de rodízio a cada dois ou três dias, mas mesmo assim não está tendo água o suficiente.

A Comissão de Defesa Civil sugeriu que sejam suspensas todas as atividades esportivas no ginásio municipal de esportes, inclusive as escolinhas de vôlei e futsal e os horários noturnos. A comissão também sugeriu à Administração Municipal decretar suspensão de todas as atividades esportivas e festivas no município. No entanto, neste final de semana, a rodada do municipal de futebol de campo ainda será realizada normalmente. Outra sugestão é suspender as aulas em todas as escolas do município, caso não chova nos próximos dias, pois algumas escolas já estão sendo abastecidas pelo Corpo de Bombeiros. A Polícia Militar informou também que estará fazendo ronda durante a madrugada para identificar residências que estão fazendo uso indevido de água.

O secretário de Administração e Finanças, Tarcisio Hanauer, comunicou que devido a esta situação, a administração fez uma dispensa de licitação para adquirir um tanque que será acoplado em um caminhão para distribuir água no município. Para o consumo dos animais, a prefeitura já tem disponibilizado um caminhão pipa e a partir desta semana terá mais um disponível. A equipe de máquinas continua no interior, fazendo abertura de bebedouros, sendo que já foram feitos 250 e há mais de 100 pedidos agendados.

No perímetro urbano de Iporã do Oeste, embora a Casan tenha realizado investimentos na ampliação das reservas, o problema está na captação, que dia após dia é percebida a diminuição do leito do Rio Pirapó. No meio rural, a preocupação é ainda maior. Em algumas propriedades, além da insuficiência da água para o consumo humano, outras tantas se encontram no dilema da falta de água para o abastecimento de suas granjas, do abastecimento animal. Segundo o secretário de Agricultura, Olavo Prass, está se transportando de 12 a 20 cargas de água por dia, fora a iniciativa dos agricultores que utilizam tratores e outros meios para buscar água.

O apelo ao racionamento está sendo lançado a todas as famílias do município. A Secretaria da Saúde solicita para as pessoas que não possuem água tratada, que passem a ferver a água para a diminuição das incidências da ação de danos dos microorganismos presentes na água.

Em Belmonte, a estiagem atinge praticamente todas as comunidades do município, porém com mais intensidade as comunidades de Laginha, Peperí e Tabajara, que sofrem desde o final do ano passado com a falta de água nas propriedades rurais. A administração, através da Secretaria de Transportes e Obras decidiu suspender todos os serviços considerados particulares. De acordo com o secretário Sadi Tibola, as máquinas estão trabalhando no socorro às famílias mais atingidas com a falta de água. Muitas destas propriedades necessitam do líquido para manter o setor agropecuário e não haver mortalidade de animais, além do consumo humano. Ele destaca que as sangas e mananciais estão praticamente secos e precisará chover muito para restabelecer a situação.

No município de Tunápolis, o recalque do Peperi está trazendo menos da metade da quantidade necessária para atender a demanda, além de se tornar uma água extremamente cara para o município, trazendo grandes prejuízos. A prefeitura tem pago até R$ 9 mil por mês na fatura de energia elétrica por conta do sistema de estar trabalhando no seu limite máximo. Nesta semana, a administração, junto a uma equipe de servidores, construiu uma mini-barragem no Rio Peperi-Guaçu para garantir que a bomba ficasse submersa. A água estava cobrindo a bomba em menos de 10 centímetros, o que mostra que a situação do Rio Peperi também é crítica. A municipalidade pede que cada morador economize pelo menos 20% da água que consome por dia.

 

RACIONALIZAÇÃO

"A situação é preocupante”, afirma o chefe do Setor Operacional da Casan de SMOeste, Leonir Carlos Berté. Conforme ele, no município a Casan dá continuidade no processo de rodízio, em que a população recebe água 12 horas sim, 12 horas não. Porém, ele destaca que se não houver chuvas, na próxima semana o rodízio deve ampliar o número de horas para 24. Berté destaca que, hoje, a Casan produz 60% da água que produzia anteriormente. “Temos que abastecer a cidade com esta quantidade, por isso pedimos a conscientização e colaboração da população para economizar este recurso”, alerta o profissional. Ele pede para que a comunidade denuncie o desperdício de água, para o bem de todos.

Segundo o metereologista do Clima Terra, Ronaldo Coutinho, não há previsão de chuvas significativas nos próximos 10 a 15 dias. Conforme ele, podem ocorrer algumas pancadas, mas nada que resolva o problema da falta de água. Coutinho revela que a estiagem começa a afetar outras regiões do Estado. “Para amenizar os problemas deve chover bem por um período mais longo, o que não está previsto para os próximos dias”,afirma

 

 

Anterior

Estabelecido Dia da Agricultura Familiar em SC

Próximo

Projeto ?Mãos que fazem? é elaborado em Descanso

Deixe seu comentário