DIA DOS AVÓS

Idosos merecem uma atenção especial

Idosos merecem uma atenção especial
Arquivo Folha do Oeste

Hoje, dia 26 de julho, é comemorado do Dia dos Avós. Data escolhida em Portugal e no Brasil em razão da comemoração do Dia de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo. Geralmente essa data é comemorada com muitos abraços, reuniões e carinho. Mas desta vez não será possível para todo mundo, uma vez que o isolamento social segue sendo a melhor medida preventiva em relação a transmissão da Covid-19. Dessa forma, o isolamento e o distanciamento podem afetar as pessoas mais velhas, e alguns cuidados para evitar doenças psicológicas podem ser tomados.

Conforme a psicóloga e pós-graduanda em Psicoterapia Cognitivo Comportamental, Adriana Maschio Escher (CRP 12/18729), alguns problemas psicológicos afetam de forma geral as pessoas mais velhas. São doenças como depressão, demência, e Alzheimer, um subtipo de demência. Entretanto, em tempos de pandemia, os problemas mais recorrentes tem sido a depressão e a ansiedade.

"A depressão e a ansiedade é como em qualquer outra idade, não difere muito dos outros por serem idosos, mas pode de repente ser mais difícil de identificar, e dessa forma para percebe-la é necessário estar em convívio direto com a pessoa", afirma Adriana. Uma característica da depressão, por exemplo, é deixar de fazer o que gosta. Assim, para conseguir perceber essa doença é necessário também conhecer a pessoa, saber das preferências e dos gostos, bem como dos costumes do avô e da avó. Além disso, a profissional destaca que a depressão se caracteriza por uma tristeza profunda recorrente, e não pontual causada por alguma coisa factual. Outros sintomas da depressão podem ser a diminuição da concentração, problemas de sono, diminuição do apetite, e queixas de dores no corpo. Algumas atitudes podem servir de alerta, conforme Adriana, como por exemplo a demonstração do idoso de achar que não é ouvido, parando de comentar as coisas e dar a sua opinião.

Os sintomas de ansiedade, de acordo com a psicóloga, são quase os mesmos, envolvendo a dificuldade de concentração, desorientação, perda da memória, dores de cabeça e falta de ar, que são sintomas da doença para as outras idades também. Já a demência envolve principalmente esquecimentos, e acontece de forma gradual com episódios que se tornam cada vez mais frequentes. O Alzheimer é uma doença crônica, que atinge o funcionamento do cérebro, e aos poucos torna a pessoa incapaz. "É mais progressivo, e afeta o desenvolvimento das funções cognitivas, que seriam raciocínio, memória, compreensão e concentração", destaca a profissional. Podem ser alertas da doença a confusão mental, a agressividade, a dificuldade de entrar em uma conversa, a impossibilidade de terminar o que está falando ou repetir uma mesma história algumas vezes.

"Tem muitas percas por causa da idade, então é necessário saber separar o que acontece com o corpo de uma pessoa por causa da idade e o que é uma doença. Eu acredito que é possível identificar a partir de quando prejudica a funcionalidade da pessoa, e digo isso para qualquer faixa etária. Até que não prejudica o dia-a-dia, é mais fácil tratar. Quando se para de fazer as coisas por causa disso, e já está afetando o cotidiano, já pode ser considerado um grau mais elevado", informa a psicóloga.

Para a família de pessoas idosas, Adriana recomenda ficar em alerta, e estar perto para prestar atenção em qualquer um dos sinais. Se tornar recorrente, o que se deve fazer é buscar ajuda especializada, como por exemplo um geriatra ou até mesmo um psicólogo. Em casos mais profundos, os tratamentos podem envolver também neurologistas e psiquiatras, para acompanhar com medicação se necessário. O diagnóstico precoce pode facilitar o tratamento de qualquer doença.

Adriana ressalta também a necessidade de prestar atenção nos cuidadores dos idosos, que podem sofrer junto, ou até mesmo se tornarem agressivos para com eles, e nesse caso é importante essa pessoa buscar dar atenção a sua saúde mental. Para essas pessoas, buscar apoio psicológico também ajuda a entender a doença e os melhores caminhos e atitudes a serem tomadas.

No cenário pandêmico, é importante também ressaltar aos mais idosos o que está acontecendo, e mostrar o verdadeiro motivo do isolamento, e se perceber que não está sendo possível fazê-los entender, pode ser que seja necessário repetir algumas vezes, com paciência, para que o avô ou avó não se exponha ao vírus que pode atingi-lo de forma grave. O principal, nessas condições, para a profissional, é ressaltar que eles não foram abandonados, principalmente por vizinhos, amigos e outras pessoas que não moram com eles e que agora não estão mais os vendo por causa do distanciamento social. "É necessário tentar outras formas de contato. Dependendo da idade e do grau de instrução do idoso, de repente é possível fazer uma chamada de vídeo. Se for alguém mais 'das antigas', pode até ser uma carta, para mostrar realmente que a família está presente, demonstrando carinho e afeto", comenta a psicóloga.

Para quem cuida de idosos, a profissional também recomenda procurar outros meios de distração, para que não fiquem fechados em casa, sem rotina. Sair caminhar ao ar livre, tomando os cuidados pode ser uma ideia, ouvir música, e tentar fazer atividades prazerosas em casa, para substituir as outras que não podem ser feitas. "Não é hora de se distanciar. Fisicamente sim, mas não emocionalmente. É muito importante conversar, manter o diálogo, e ter, principalmente, paciência", ressalta a psicóloga Adriana. 

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