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Há 30 anos falecia Padre Aurélio Canzi
Padre Aurélio chegou à região quando ela começava a ser colonizada. Nascido aos treze dias do mês que deu início à primavera de 1915, sua história se confunde com os registros da colonização, do processo de emancipação e estruturação das cidades. Desde que chegou à região, em 1944, aos 29 anos, o padre entendeu que precisava desempenhar mais que o sacerdócio religioso. A dura realidade de 17 famílias assoladas pela seca, pela febre tifóide e pela falta de quase tudo na antiga Vila Oeste - que deu lugar a São Miguel do Oeste mais tarde -, fizeram padre Aurélio ser também médico, conselheiro, líder político, professor e até delegado.
Corajoso, dono de uma personalidade forte, seus dizeres chegaram como um alento ao povo desbravador que abdicou do conforto, mas não da fé de conquistar condições de vida melhores no Extremo Oeste de Santa Catarina. Apaixonado pela natureza, entusiasta das tradições gaúchas e do esporte, e preocupado com a necessidade do acesso à Educação e ao atendimento em Saúde por parte da população, Padre Aurélio se elegeu vereador da primeira legislatura de São Miguel do Oeste, ajudou a viabilizar as primeiras escolas, o primeiro hospital, e as primeiras organizações sociais e esportivas.
Não por menos, hoje, ruas de São Miguel do Oeste, Guaraciaba e São José do Cedro, assim como a rodovia estadual que dá acesso a Belmonte, levam seu nome. A praça migueloestina do bairro São Gotardo e o estádio do Clube Esportivo Guarani também se chamam Padre Aurélio Canzi. É patrono de honra do CTG Porteira Aberta e suas feições dão forma a um busto que está instalado junto à praça central.
O padre que era de tudo um pouco
Padre Aurélio era um dos onze filhos de Catharina Giongo e José Canzi, descendentes de imigrantes italianos que se assentaram em Garibaldi, no Rio Grande do Sul, no início de século passado. Sempre gostou de estudar e rezar, e aos 14 anos ingressou no seminário Menor São José de Santa Maria, sendo ordenado sacerdote em 1943, um ano antes de vir ao extremo oeste catarinense.
Amante de canções italianas e de livros como A Divina Comédia e Os Lusíadas, foi o responsável pela implantação da Paróquia São Miguel Arcanjo e esteve à frente de sua coordenação durante 26 anos.
Por conta da saúde debilitada faleceu às 6h de 7 de junho de 1990, aos 75 anos.
Segundo relata a pesquisadora Cleusa de Fátima Fiorini, em seu livro intitulado 'A vida e a obra cultural de Aurélio Canzi', disponível na Biblioteca Pública Municipal, padre Aurélio partiu sem ver sonhos, como a construção de uma torre e de um altar central na Igreja Matriz, concretizados. Também não pôde ver a paróquia transformada em diocese, nem chegou a bispo, mas por outro lado descansa em paz entre árvores, flores e formas que trabalhou para dar à Gruta Nossa Senhora de Lourdes, uma de suas maiores facetas.
CURIOSIDADES
- Adorava canções italianas, influências da família;
- Seus livros prediletos eram A Divina Comédia (de Dante Alieghieri) e Os Lusíadas (Luís de Camões);
- O padre tinha um papagaio louro que sabia cantar o Hino Nacional;
- Era apaixonado por árvores, em especial oliveiras e pinheiros;
- Em uma cerimônia, fez o batizado de 20 crianças de uma só vez;
- Foi o padre que sugeriu o nome do CTG Porteira Aberta em SMOeste. Antes disso, os tradicionalistas da cidade tinham adotado o nome Anita Garibaldi, mas precisavam de um terreno para construção do Centro. Canzi não gostava da figura de Anita Garibaldi. Ele concordou em doar o terreno para a construção, mas impôs a condição de mudança de nome para Porteira Aberta;
- Padre Aurélio foi a ficha número 1 do MDB (Movimento Democrático Brasileiro) de São Miguel do Oeste;
- Durante o surto da febre tifoide, transformou a Casa Paroquial em hospital e durante 16 dias comeu apenas batata doce e café com açúcar, pois queria deixar a pouca comida que havia na época para os doentes.
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