Greve: mal termina uma começa outra

Greve: mal termina uma começa outra
Folha do Oeste - Exportadores deixam de enviar cargas pela Aduana de Dionísio Cerqueira em razão das greves

Paralisações que visam melhores salários e condições de trabalho causam transtornos e mudam a rotina de muitos brasileiros

Depois das paralisações e protestos dos caminhoneiros, que ganharam repercussão nacional, dos professores e servidores de universidades e institutos federais que seguem sem acordo, nesta semana a palavra greve voltou com força máxima ao noticiário. Isso porque novos grupos de servidores, fiscais e policiais federais decidiram protestar por melhores salários e condições de trabalho. As paralisações afetam boa parte do país, e o extremo oeste catarinense não fica de fora.

Na última segunda-feira, dia 6, fiscais do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) iniciaram greve; na terça-feira, dia 7, foi a vez da Polícia Federal; servidores da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estão em greve desde o dia 16 de julho; já os auditores da Receita Federal de Dionísio Cerqueira estão realizando Operação Padrão há cerca de um mês. Ao todo, são pelo menos 26 categorias federais que ensaiam paralisações e greves país afora.

Os efeitos da greve nacional dos servidores públicos já afetam também a agroindústria de Santa Catarina. O setor estima prejuízos diários de US$ 5 milhões enquanto durar a greve, e prevê o fechamento de fábricas a partir de segunda-feira. Na unidade da Aurora Alimentos de São Miguel do Oeste, a produção continua em ritmo normal. Isso porque, segundo o gerente Marcelo Fiorentin, a maior parte dos produtos é destinada ao consumo interno e não à exportação.

ANVISA

Em Dionísio Cerqueira, a profissional cedida para atuar na Anvisa está em férias e servidores de outras cidades vieram à região para informar a população sobre os motivos do movimento e os trabalhos prestados pela agência. Segundo o agente administrativo, que atua em Florianópolis mas esteve na fronteira essa semana, Valter Souza, somente estão sendo vistoriadas ou liberadas as cargas perecíveis e com mandado de segurança. As demais atividades estão todas paralisadas. Ele ressalta que na próxima semana deve ocorrer uma reunião para discutir aspectos reivindicados, como plano de carreira e subsídios. A partir desta, os servidores decidirão se vão manter a greve.

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA

Até ontem, em Dionísio Cerqueira, 30% dos fiscais federais agropecuários do Mapa tinham aderido à greve. Para evitar mais transtornos, o Ministério publicou uma portaria delegando temporariamente aos estados e municípios a execução compartilhada das ações de defesa, vigilância, inspeção e fiscalização agropecuária.

RECEITA FEDERAL

Os auditores da Receita Federal de Dionísio Cerqueira estão realizando Operação Padrão há cerca de um mês. De acordo com o inspetor-chefe, Arnaldo Borteze, a conferência está sendo feita na totalidade e não mais por amostragem e, por isso, o tempo de liberação é atrasado em um dia, em média. Segundo ele, os exportadores já sabem da situação e por esta razão as filas de caminhões não estão tão grandes na aduana de cargas. Os servidores da Receita Federal querem a reposição salarial referente aos últimos cinco anos, mas o governo ainda nem teria aberto negociações para tratar do assunto.

POLÍCIA FEDERAL

Os policiais que atuam na Delegacia de Polícia Federal de Dionísio Cerqueira estão em greve desde o dia 7. Eles lutam principalmente pela reestruturação da carreira, já que para ingressar é necessário nível superior e mesmo assim são equiparados pelo Governo Federal aos servidores com Ensino Médio. De acordo com o escrivão Paulo Matos, a greve - com atendimento somente de casos emergenciais como o controle migratório e a lavratura de flagrantes - deve perdurar até segunda-feira, quando será deflagrada uma Operação Padrão. Nesta, será intensificada a fiscalização e feito o repasse de informações sobre as razões para a mobilização das pessoas. Para a próxima quinta-feira, dia 16, está prevista uma reunião nacional, quando será apresentada uma proposta de reestruturação da carreira. A partir desta, os policiais federais irão decidir se mantêm ou não o movimento.

PRF

Os policiais rodoviários federais também estão mobilizados em vários pontos do país. Na capital catarinense, por exemplo, eles fizeram uma operação pente fino que gerou engarrafamentos durante toda a manhã de quinta-feira na BR-101. Já no posto de Maravilha, que atende a região extremo oeste, os policiais trabalham normalmente. Eles aguardam a assembleia da próxima segunda-feira, em Florianópolis, para decidir se haverá greve geral. Passar o cargo para nível superior, aumentar o efetivo que é pequeno - no Oeste há postos em que trabalham apenas um policial por turno - e melhorar a condição salarial são algumas das reivindicações. Tendo em vista a situação, ontem, o Ministério do Planejamento autorizou, por meio de portarias publicadas no Diário Oficial da União, o provimento imediato de 750 agentes da carreira de Policial Rodoviário Federal aprovados no concurso público de 2009; e a realização de concurso público, em até 180 dias, para a contratação de 71 cargos da área administrativa no quadro de pessoal do Departamento de Polícia Rodoviária Federal.

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