Governo ameaça demitir e servidores do INSS recuam de greve

Em São Miguel do Oeste ainda não foi definido se eles retornam à greve ou não

Servidores do INSS de São Miguel do Oeste voltaram ao trabalho na manhã de ontem, terça feira, após quase um mês de greve. De acordo com o coordenador geral do Sindiprevis de Santa Catarina, Valmir Brás de Souza, no último final de semana houve uma plenária em Brasília com o Comando Nacional de Greve, onde definiram que cada estado iria avaliar a força da greve e definir se iriam continuar ou não. Souza enfatiza que as demais agências de Santa Catarina permanecem em greve até amanhã, quinta-feira.

Ele destaca que em SMOeste os servidores decidiram voltar antes que completassem 30 dias consecutivos de greve, motivo pelo qual o governo poderia realizar demissão por abandono de emprego. "O pessoal tomou uma decisão e como até ontem se completam 29 dias de greve e existe por parte da administração uma ameaça de demissão, para não constatar os 30 dias, eles voltaram a trabalhar e hoje farão uma reunião para definir se retornam ao trabalho ou não", explica.

GREVE DAS AMEAÇAS

 

Para Souza, embora a classe tenha se unido em busca de melhorias comuns, a adesão dos servidores à greve não foi o suficiente para forçar o governo nas negociações e classificou esse período como a "greve das ameaças".

Conforme o sindicalista, a primeira ameaça surgiu no início da greve, quando o governo entrou com um pedido na Justiça alegando que a greve era ilegal e a Justiça concedeu a suspensão da greve. A categoria não acatou e a federação recebeu a multa de R$ 100 mil ao dia, enquanto a greve vigorava. A segunda ameaça surgiu com a aplicação do código 28 para classificar a adesão da greve por falta injustificada. Os servidores alegaram que, em casos de greve, o código a ser aplicado seria o 95 e não o 28. "O código 95 é um código de greve que o governo encaminha na ficha funcional dos trabalhadores relatando sua participação na greve em tal período. E o código 28 que o governo está aplicando é colocado ao trabalhador que não vai ao serviço", explica.

A terceira ameaça do governo estourou nesta semana, quando a base do governo divulgou que iria abrir processos administrativos para demitir os trabalhadores que tivessem abandonado o emprego. "Como eles não colocaram o código 95, e sim o 28, o qual diz que depois de 30 dias pode ser considerado abandono de emprego, eles abriram inquérito de demissão. Então foi essa a ameaça feita nesta semana, por isso que a greve teve refluxo e os comandos estadual e nacional estão analisando em continuar negociando com o governo só em Brasília, e fazer um recuo estratégico neste momento. Até porque ela não é uma greve forte, é uma greve parcial, não conseguimos a adesão que precisaria numa greve para uma negociação melhor para a categoria. Diante disso decidimos pelo retorno ao trabalho. E aguardamos os resultados do Comando de Greve", finaliza.

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