Esquizofrenia: reconhecimento precoce garante controle mais eficaz

A informação deve ser a principal aliada na busca da recuperação

Tarso, personagem do ator Bruno Gagliasso na novela global Caminho das Índias, tinha tudo para ser o mocinho saudável da novela, porém, para a surpresa dos telespectadores, com ele veio à tona a discussão sobre um severo transtorno mental até então pouco falado na sociedade, a esquizofrenia.

A esquizofrenia é um grupo de transtornos psicóticos que começam frequentemente após a adolescência ou no começo da vida adulta, caracterizada por alterações fundamentais de conceitos, com má interpretação da realidade e associado a perturbações afetivas, de conduta e intelectuais, em vários graus e misturas.

De acordo com o médico especialista Josemir Werlang, a esquizofrenia pode ser classificada em cinco subtipos, de acordo com a apresentação clínica: Paranóide, Desorganizada, Catatônica, Indiferenciada e Residual. Ela inicia principalmente entre os 15 e 24 anos para os homens e um pouco mais tarde para as mulheres e com igual freqüência entre os sexos.

Ela pode desenvolver-se gradualmente, tão lentamente que nem o paciente nem as pessoas próximas percebem que algo está errado, sendo percebida apenas quando comportamentos abertamente desviantes se manifestam. O período entre a normalidade e a doença deflagrada pode levar meses. Mas há, também, pacientes que desenvolvem esquizofrenia rapidamente, em questão de poucas semanas ou mesmo dias.

Conforme Werlang, o transtorno pode ser reconhecido clinicamente por sintomas em todas as áreas do funcionamento psicológico, como delírios, alucinações, alterações de comportamento, entre outros. Geralmente os primeiros sintomas são a dificuldade de concentração, prejudicando o rendimento nos estudos; estados de tensão de origem desconhecida mesmo pela própria pessoa, insônia e desinteresse pelas atividades sociais, com conseqüente isolamento. O profissional destaca que muitos fatores têm sido associados com o aparecimento ou a recaída da esquizofrenia, entre eles: predisposição genética, ambiente familiar, fatores culturais e sócioeconômicos, personalidade, fatores biológicos.

A esquizofrenia pode se apresentar de várias formas, podendo ser divididas em sintomas positivos ou negativos. Positivos: são pensamentos ou percepções diferentes como alucinações, delírios e desordens no pensamento, comportamentos bizarros, entre outros. Negativos: diminuição na capacidade de iniciar planos, expressão facial congelada, apatia, desânimo, ausência de afeto, entre muitos outros.

Werlang ressalta que o diagnóstico é feito pela avaliação clínica e pela evolução. Os sintomas devem durar mais de seis meses. O tratamento da esquizofrenia é principalmente farmacológico com algum tipo de psicoterapia e apoio familiar. "A esquizofrenia é uma doença de evolução crônica e de difícil tratamento, porém, com a evolução da farmacoterapia, alguns esquizofrênicos levam uma vida social normal, porém, devem manter o tratamento de forma contínua. Ela não tem cura, mas tem controle", explica o profissional.

Segundo ele, a internação é indicada para proteger a sociedade do comportamento do paciente (agressividade), para proteger a vida e a reputação do paciente, para observar a evolução do paciente, além de iniciar a farmacoterapia, entre outras. No entanto, o envolvimento da família é muito importante em todos os momentos. "A família deve participar ativamente da terapia e para isso deve ser preparada, isso é deve receber apoio psicossocial", reforça.

Não há nenhum modo conhecido de se prevenir a esquizofrenia, mas quanto mais cedo a doença é descoberta, maiores as chances de se prevenir os piores efeitos da doença.

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