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EDITORIAL
A verticalização e a integração
A região extremo oeste catarinense é basicamente formada por pequenos agricultores e em sua maioria associados a alguma cooperativa ou integrados a grupos econômicos que organizam os setores macroeconômicos, especialmente na suinocultura e avicultura, bem como na produção leiteira.
A tendência é reflexo de ações associativas implantadas há anos e em busca de melhoria de qualidade e preço para o produtor.
No entanto, o modelo nem sempre é tão bom quanto a teoria prega.
Os grupos cooperativistas estão no mercado aberto e precisam competir com empresas de grande porte e por vezes deixam de atender o cooperado como um parceiro e, como as demais integradoras, passam a encurralá-lo, forçando-o a vender e a comprar seus produtos e serviços com exclusividade. Essa é uma reclamação quase que unânime hoje na região e observada no encontro de mulheres agricultoras, realizado no último sábado em Guaraciaba.
De fato, a gestão corporativa precisa ser competitiva e adaptada à dinâmica da concorrência, (não existe a palavra concorrencial, e a mais compatível é competitiva, mas já há uma competitiva antes), porém esse direcionamento para suas redes com nome de parcerias nem sempre agrada ou de fato pode ser aceito como mecanismo de colaboração. Se bem aplicado, pode ser uma alavanca para o desenvolvimento sustentável local, formando aglomerados produtivos e agregando valor.
A verticalização agroindustrial é vista como uma promissora estratégia de produção para a agricultura familiar. Fomenta a descomoditização, impõe preço, contribui para melhorar aspectos socioeconômicos do meio rural, estabilizando a oferta de produtos e reduzindo perdas, por exemplo.
No entanto, essa verticalização nem sempre é positiva. A limitação ao fornecimento, a obrigação de comprar os produtos somente do fornecedor oficial da integradora, de seguir regras definidas e impostas pela empresa não agrada aos produtores, que se sentem escravizados e dependentes de um sistema pouco integrador e muito explorador.
A falta de concorrência e/ou a própria união entre os grupos faz com que o produtor fique refém deste modelo. Os agricultores precisam ser tratados como parceiros e não como um funcionário trabalhando na sua própria terra.
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