Edição 1271 (publicada em 31/12/07)-Prefeitos solicitam medidas urgentes

O excesso de peso nas cargas é outro motivo que proporciona danos à camada asfáltica

Os problemas no asfalto também geram preocupações para os prefeitos da região. Em um dos últimos encontros da Ameosc (Associação dos Municípios do Extremo Oeste), os líderes municipais decidiram reivindicar no Ministério dos Transportes a vinda de técnicos para analisar a situação da pista em alguns pontos da BR-163 e BR-282. Conforme o secretário executivo da associação, Paulo Wolfart, não foi necessário encaminhar nenhum documento ao Ministério porque os prefeitos entraram em contato direto, via telefone, e falaram da preocupação, ressaltando que essa obra é uma reivindicação antiga da região e em pouco tempo já está apresentando sérios problemas, mesmo antes de ser finalizada.

Segundo Wolfart, também foi conversado com o diretor do Dnit em Santa Catarina, Hideraldo Caron. \"Ele garantiu que iria verificar o que estava acontecendo e buscaria trazer técnicos para vistoriar e rever a obra\", observa Wolfart. O secretário executivo lembra que foi formada uma comissão de prefeitos para acompanhar a visita desses técnicos e vistoriar as obras, mas adianta que não há data prevista para isso acontecer.

A expectativa, segundo Wolfart, é que em meados de janeiro os prefeitos obtenham uma resposta. A comissão que deverá acompanhar os técnicos do ministério é formada pelos prefeitos Moacir Lazarotto (de Santa Helena), José Zanchett (de São José do Cedro), Alvarí Mazzardo (de Descanso), Salete Gnoatto Gonçalves (de Dionísio Cerqueira), Waldemar Bornhold (de Mondaí), João Valar (de São Miguel do Oeste) e Airton Fontana (de Guaraciaba).

Os prefeitos esperam que os problemas sejam solucionados o mais rápido possível, garantindo qualidade e, principalmente, segurança, pois há trechos em que a situação está critica e vários acidentes já foram registrados, especialmente em dias de chuva. Wolfart lembra que há pontos em que a pista parece muito lisa e a dificuldade se agrava ainda mais quando chove. \"Para quem transita diariamente nas rodovias é difícil conviver com os problemas na pista. É preciso estar atento em todos os momentos\", finaliza ele.

O asfalto suporta o peso das cargas?

A circulação de CVCs (Combinações de Veículos de Cargas) é autorizada em todo o País. Devido a sua maior capacidade de carga, o volume de CVCs em circulação cresceu rapidamente, principalmente dos chamados Bi-trens. A evolução dos veículos de carga, pelo ganho de produtividade que proporcionam aos transportadores, também provoca impactos na conservação das estradas.

O excesso de peso das cargas, segundo o engenheiro José Eleotério, é outro motivo que propicia danos à camada asfáltica com o decorrer do tempo, mesmo que o asfalto seja projetado para suportar o limite de peso, conforme determina a lei. A resolução 210 do Conatran (Conselho Nacional de Trânsito), em vigor desde novembro de 2006, estabelece os limites de peso e dimensões para veículos que transitem por vias terrestres. Esta resolução determina, por exemplo, que o caminhão trator+semi-reboque (popularmente conhecido como Romeu e Julieta) transite com o peso máximo de 48,5 toneladas. Já uma carreta com um semi-reboque, tendo comprimento superior a 16 metros, pode transportar até 53 toneladas. Os Bi-trens, com comprimento superior a 17,5 metros, podem transportar até 57 toneladas. Esses são os veículos que mais circulam nas rodovias federais da região. Um estudo feito por técnicos do Dnit, em nível nacional, demonstra que um caminhão com 50% de excesso de carga causa 10 vezes mais danos ao pavimento do que se estivesse com o peso determinado pela lei.

Para coibir o excesso de peso será reativada a balança em frente ao posto da PRF (Polícia Rodoviária Federal), em Maravilha, na BR-282. Atualmente, o posto fiscaliza o peso das cargas por meio da nota que o motorista apresenta. Conforme informações da PRF, não há outra maneira, e se a nota estiver adulterada não há como comprovar. Hoje, de acordo com estimativas da PRF de Maravilha, passam diariamente 1.200 veículos de cargas nas BRs 163, 282 e 158.

Para melhorar o trabalho de fiscalização, José Eleotério diz que o procedimento licitatório para reativar a balança já está ocorrendo, e no próximo ano o equipamento deve entrar em funcionamento. Segundo ele, também há previsão de implantar uma balança na BR-163, em Idamar, no município de Dionísio Cerqueira, mas não há previsão de quando acontecerá o processo licitatório.

BR-282, trecho de São Miguel a Chapecó

Qualidade dos serviços

No final de agosto, em matéria publicada no Folha do Oeste, o diretor-geral do Dnit, Mauro Barbosa da Silva, afirma que determinou a todas as Superintendências Regionais do Órgão o cumprimento das especificações e normas do IPR (Instituto de Pesquisas Rodoviárias) para o controle tecnológico de obras rodoviárias em andamento em todo o País. A medida visava garantir a qualidade dos serviços e evitar o surgimento de defeitos e a deterioração precoce do pavimento. A determinação incluía uma instrução para que o IPR empreendesse vistoria, por amostragem, das obras em andamento no País. De acordo com assessoria de comunicação do Dnit, na época, \"na Superintendência do Dnit de Santa Catarina há uma rígida fiscalização tanto dos materiais empregados na obras quanto dos serviços executados. O mesmo vale para as obras que estão sob a fiscalização da Unidade Local de Chapecó\", garantiram.

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