Desentendimento entre sindicatos gera incertezas quanto ao horário de atendimento do comércio para o natal
Há pouco mais de 30 dias para o natal, que apresenta os maiores índices de faturamento em vendas para as empresas, o comércio em São Miguel do Oeste e da região vive um impasse, pois até agora o Sindicato Patronal e o Sindicato dos Empregados não chegou a um acordo definitivo quanto ao horário de funcionamento dos estabelecimentos comerciais na semana natalina. O que está emperrando as negociações é o funcionamento do comércio nos sábados de 2011. Os chamados sábados ?D? que são os dias em que o comércio de SMOeste permanece aberto também na parte da tarde.
Conforme o vice-presidente do Sindicato Patronal do Comércio Varejista, Danilo de Ré, que representa o sindicato na negociação, o acordo não evoluiu por que o Sindicato dos Empregados do Comércio do Extremo Oeste de Santa Catarina quer negociar um ?pacote? envolvendo a abertura do comércio nos sábados de 2011. ?Fizemos uma proposta do horário de natal e tivemos que reduzir essa proposta ao máximo para poder negociar e o Sindicato dos Empregados aceitar, agora eles querem fazer um ?pacote? envolvendo os sábados do ano que vem. A partir disso não fizemos mais o negócio?, diz ele destacando ainda que as propostas do atendimento aos sábados do ano que vem não interessam para o Sindicato Patronal nesse momento.
Já a presidente do Sindicato dos Empregados do Comércio do Extremo Oeste de Santa Catarina Ivanir Maria Reisdorfer declara que só será aceito o horário de natal se junto for decidido a proposta dos sábados ?D? de 2011. ?Já viemos tentando discutir, há oito anos, a negociação junto ao horário do comércio de natal as questões dos sábados ?D?. Há anos viemos fazendo essas propostas para o Sindicato Patronal e eles vêm levando a gente na conversa. Esse ano decidimos que negociamos o horário de natal, se junto com essa proposta forem negociados os sábados ?D? de 2011?.
PROPOSTAS
De Ré diz que a proposta inicial do Sindicato Patronal seria a abertura do comércio dois sábados por mês. Segundo Ivanir, a proposta do Sindicato dos Empregados para os sábados ?D? seria: nos meses em que não tem data festiva a abertura do comércio por um sábado e nos meses que têm datas festivas dois sábados. ?No mês de abril de 2011 poderíamos concordar com a abertura do comércio por três sábados por conta da páscoa ocorrer no dia 24?, complementa.
A não concordância faz com que o vice-presidente do Sindicato Patronal acredite que os funcionários que na grande maioria são comissionados terão prejuízo juntamente com os empresários. ?Mais de 90% dos funcionários do comércio de SMOeste são comissionados e aí eles estão sendo banidos de trabalhar por que o sindicato não quer negociar uma forma simples de consenso?, argumenta.
A representante dos Empregados destaca que os sábados contribuem para o aumento das vendas no comércio e também não prejudica os trabalhadores melhorando inclusive o salário dos que são comissionados. No entanto, para ela não há necessidade para o comércio de SMOeste abrir mais que um sábado à tarde.
NEGOCIAÇÕES
De um lado Ivanir diz que ainda há tempo hábil para negociação, do outro De Ré argumenta que o Sindicato Patronal esgotou a paciência e o tempo para negociar.
Segundo o vice-presidente, as entidades patronais da indústria e do comércio elaboraram e entregaram na quinta-feira, dia 18, um documento ao prefeito municipal de SMOeste pedindo a decretação de um horário especial para o natal e consequentemente pondo fim a esse desentendimento. ?O que será feito, já que a Lei orgânica do município permite, é que o prefeito então decrete o horário especial para o mês de dezembro?, conclui.
Em caso de a não negociação ser definitiva Ivanir diz que os trabalhadores realizarão uma assembleia e decidirão em conjunto sobre o caso.
O Folha do Oeste apurou que o prefeito Nelson Foss da Silva deve se reunir na semana que vem com representantes dos sindicatos em questão e tentar um ajuste. ?Vamos procurar fazer uma nova aproximação entre a classe patronal e os trabalhadores. Caso não haja acordo, cabe o município definir o horário de atendimento do comércio para dezembro?, disse o prefeito lamentando que as duas entidades não tenham chegado a um consenso.
PONTO DE VISTA
Para o presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de São Miguel do Oeste Moacir Tomazel o comércio no município ainda não teria a necessidade de abrir todos os sábados, mas ele não descarta a possibilidade de uma melhor adaptação dos empresários quanto ao assunto. ?Poderíamos fazer uma experiência e começar a abrir três sábados por mês. Já que foi comprovado que o segundo sábado do mês é mais movimentado para os lojistas do que o primeiro. Acho importante fazer essa experiência para ver como seria o retorno. No entanto, deixo claro que sou completamente contra a abertura do comércio no domingo?, diz.
Já o presidente da Acismo (Associação Comercial e Industrial de São Miguel do Oeste) Airto Moss destaca que não houve uma conversa com o empresariado e nem com o conselho da Acismo para tratar desse assunto especificamente. ?Mas eu pessoalmente diria que é uma questão de ir se adaptando, o comércio percebe qual é a necessidade e qual a demanda e os empresários que acharem que não compensa não abririam?, destaca.
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