A chuva que caiu na região no início desta semana serviu para acalmar um pouco os ânimos dos agricultores. A expectativa é de que o volume registrado amenize bastante a situação observada nos últimos 40 dias no Estado, interrompendo a estiagem e diminuindo o impacto da previsão feita para os próximos meses. No entanto, o indicativo, segundo previsões climáticas da Epagri/Ciram, é de uma primavera com chuva abaixo da média em Santa Catarina, marcada pela influência do La Niña. Conforme a meteorologista da Epagri/Ciram Gilsânia Cruz, o fenômeno é caracterizado por um resfriamento anormal das águas no Oceano Pacífico Equatorial Leste e que, ao se estabelecer, muda o padrão geral de circulação atmosférica, tendo influência no clima regional e global, afetando especialmente o regime de chuva em Santa Catarina, com diminuição dos volumes. ?Por isso, espera-se para o próximo trimestre chuva abaixo da média no Estado, com dias de sol e períodos prolongados de tempo firme e sem chuva.
Vale ressaltar que, mesmo com uma previsão de pouca chuva, podem ocorrer eventos extremos como temporais com chuva forte, ventania e granizo, o que é comum na estação, no caso deste ano de forma mais atenuada?, explica Gilsânia.
A previsão é de temperaturas acima da média no trimestre, especialmente em novembro e dezembro. Entretanto, as massas de ar frio ainda podem chegar com frequência no mês de outubro, com intensidade fraca, a moderada e rápido deslocamento para o oceano, causando um declínio de temperatura mais acentuado na serra catarinense.
ALÍVIO
Mesmo com o período de seca registrado no fim do mês de agosto, o agricultor da linha Castelo Branco, interior de Paraíso, Adilson Wingert resolveu não esperar e arriscou, plantando 26 mil pés de fumo. A falta de chuva conforme o agricultor, poderia comprometer e atrasar o desenvolvimento do plantio. ?Essa chuva que caiu resolve quase que 100% nosso caso. Arriscamos o plantio e por enquanto está dando certo?, diz Wingert, enfatizando que o fumo é uma planta que inicialmente precisa de água para se desenvolver.
Não muito longe dali, na propriedade do agricultor Pedro Gregio, a falta de chuva não deixava de preocupar. ?Plantamos 25 mil pés de fumo e chegamos a registrar uma perda de cerca de 500 pés, por causa da seca?, diz o filho do agricultor, Daison Gregio. De acordo com o jovem, a ideia é plantar mais de 60 mil pés na propriedade, e a chuva que caiu na região deverá propiciar garantias disso. O período para plantio do fumo inicia, segundo o agricultor, depois do dia 20 de agosto.
Em Belmonte, a falta de chuva já vinha causando problemas em comunidades do interior. A informação é do prefeito Mauri Scaranti. De acordo com ele, a situação de seca nessas localidades já estava preocupante, e a administração já fazia o transporte de água para as comunidades prejudicadas.
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