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Cenário com relação a dengue é preocupante
Neste ano, Santa Catarina já registra mais de 1,3 mil casos confirmados de dengue. O número representa mais do que o dobro registrado no mesmo período do ano passado, quando o estado contabilizava 564 casos da doença. Na região, o cenário também é de preocupação, pois o número de focos e casos de dengue segue aumentando. O alerta é da bióloga do Setor de Epidemiologia e Zoonoses da 1ª Supervisão Regional de Saúde, Marciéle Bogo.
De acordo com a profissional, a doença é cíclica e a cada quatro anos, se registra o aumento no número de casos. Em 2016, foram identificados muitos casos na região, inclusive se registrou uma epidemia de dengue em Descanso, e em 2020 se identifica mais uma vez o aumento no número de casos. Neste ano, o município de São Miguel do Oeste é o que apresenta o maior número de confirmações da doença na região. Até o momento já foram contabilizados 110 casos na cidade.
Entre os fatores para esses altos índices de dengue, está a proximidade com o Estado do Paraná que possui muitos casos, e as pessoas acabam circulando entre as regiões. Além disso, o aumento no número de casos se deve pela infestação de mosquito nos municípios, inclusive nos mais pequenos. Isso também faz com que a doença seja transmitida de forma rápida. "A nossa região é praticamente toda infestada pelo Aedes Aegypti (mosquito transmissor da dengue), então todos os municípios têm a possibilidade de registrar a transmissão e isso é preocupante", aponta.
Marciéle acrescenta que além de todo o trabalho que é realizado a campo pelos profissionais, é preciso a iniciativa da população, de entender que os cuidados são necessários e que eles não são banais e não devem acontecer apenas quando o agente de endemias vai fazer a visita na residência. Toda semana e todo momento é preciso ter cuidados. "Março, abril e maio é o período de aumento de número de casos, onde as pessoas precisam se mobilizar mais, fazer as ações em suas casas para conseguir a diminuição de casos, e não perder o controle da situação", alerta.
A profissional do Setor de Epidemiologia e Zoonoses, reforça que a dengue é uma doença que precisa atenção por parte da população, pois ela pode se manifestar de forma grave. Ela pode ser uma dengue clássica com sintomas de dor no corpo, dor ao redor dos olhos, e em alguns casos pode apresentar agravamento, como sangramento, entre outros sintomas que podem provocar a necessidade de internação hospitalar. Marciéle salienta que a doença se manifesta de forma diferente de acordo com as condições da pessoa, se ela apresenta comorbidades, se é imunodeprimida, e isso faz com que a situação agrave. "A orientação é: ao apresentar sintomas, busque atendimento o mais breve possível, tanto para a integridade da saúde e recebimento do tratamento necessário, como para evitar novas transmissões da pessoa que está doente para as outras", declara.
Marciéle alerta ainda que há risco de epidemia na região, pelo alto número de casos que são registrados. Frente a este cenário, a orientação e pedido é para que a população redobre os cuidados e combate ao mosquito. É preciso verificar se os depósitos com água da chuva e caixas de água estão bem vedados, vistoriar as calhas, manter limpos os bebedouros dos animais. Além disso, pneus devem ser descartados no Ecoponto, que é o local ideal para isso em SMOeste. Lages devem ser mantidas com o nível correto, para que aconteça o escoamento da água. Outra orientação é que as bromélias devem ser evitadas, pois são depósitos naturais de água, assim como é preciso atenção na poda de coqueiros e outras árvores, devido ao acúmulo natural de água. "O cuidado e vistoria precisa ser minucioso e frequente, pois qualquer pequeno depósito de água pode representar perigo. Esse cuidado é necessário para que não aconteça o aumento no número de focos e casos", salienta a profissional da Regional de Saúde.
A bióloga lembra ainda que o agente de endemias passando a cada dois meses na casa, é o lembrete para a pessoa manter os cuidados e o trabalho de eliminação do mosquito. Mas, os cuidados precisam ser semanais, com a eliminação dos depósitos de água para evitar a criação de larvas. Esse cuidado deve ser adotado independente do clima, pois o mosquito não deixa de existir, e os ovos do Aedes Aegypti podem durar no ambiente seco até mais de um ano. Desta forma, quanto mais cuidados se ter no inverno, melhores serão os resultados no verão. E esse trabalho deve ser de todos!
SÃO MIGUEL DO OESTE
O município de São Miguel do Oeste, que registra o maior número de casos da região e o segundo maior número de casos autóctones de Santa Catarina, já contabiliza 110 confirmações de dengue. Os dados se referem aos resultados dos exames emitidos até o dia 18 de abril, e a cidade ainda possui outros sete casos em investigação.
Do total do número de focos, 107 são autóctones (contraídos dentro do município), e o Estrela segue sendo o bairro com maior número de pacientes com a doença. No total, são 74 pacientes com dengue naquela localidade. Os bairros São Jorge, São Luiz, Salete, São Sebastião, Agostini, Sagrado Coração de Jesus, Progresso, Jardim Peperi e Centro também já possuem casos da doença.
O enfermeiro da Vigilância Epidemiológica Municipal, Marcos Bortolanza, alerta mais uma vez para a importância do paciente procurar atendimento médico assim que apresentar sintomas, que podem ser: febre de início súbito, acima de 38º, acompanhada de intenso mal estar, indisposição, dor no corpo, dor nos olhos, e manchas pelo corpo. Desta forma será possível fazer um diagnóstico precoce e testagem laboratorial.
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