Candidato a prefeito de Campo Erê é preso na ?Operação Fumo?

Nego Lima se entregou à Justiça na última quinta-feira

O candidato à prefeitura de Campo Erê, da coligação \"Campo Erê para todos\", Odilson de Lima, conhecido como Nego Lima, se entregou à Justiça Catarinense na noite da última quinta-feira, dia 11, depois de ter a prisão temporária decretada durante a Operação Fumo. A Operação também prendeu na última quarta-feira, dia 10, o ex-prefeito do município, Darci Furtado, e o candidato a prefeito em Tigrinhos, Rudimar Guth. O três são acusados de envolvimento no esquema de sonegação de impostos na compra e venda de fumo no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Conforme o juiz Humberto Silveira, da comarca de Porto União, onde foram expedidos os mandados de prisão, Nego Lima, assim como Darci Furtado, estariam diretamente envolvidos com o esquema de empresas criadas em nomes de laranjas, que compravam e vendiam fumo durante a safra e depois deixavam de existir. Nesse processo, impostos, principalmente o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), eram sonegados nos três estados do Sul. \"Segundo consta do processo e das investigações, Lima seria um desses articuladores na formação das empresas de fachada e na sonegação dos impostos. Já Furtado e Guth são acusados de serem mandantes do esquema\", explica.

Lima, Furtado e Guth foram presos em regime temporário, com prisão decretada por cinco dias, que já foi prorrogada por mais cinco. Já a prisão provisória de ambos pode ser solicitada pela Polícia Civil e decretada pela Justiça a qualquer momento. Se não houver nenhum pedido de prisão preventiva, Lima deve ser liberado no domingo, e Furtado ainda na sexta-feira. \"Possivelmente eles somente permanecerão presos se a liberdade prejudicar as investigações\", destaca o juiz.

Silveira também explicou que, apesar da prisão, tanto Nego Lima quanto Guth não perdem os direitos políticos e podem continuar como candidatos. \"Eles só perdem os direitos políticos se condenados em última instância e sem recurso. Se chegarem a assumir sem julgamento terão direito, como prefeitos, a Foro Privilegiado e julgamento no Tribunal de Justiça\", ressalta.

A investigação agora está na fase de depoimentos de envolvidos e testemunhas arroladas pela Polícia Civil.

Já o advogado do ex-prefeito Darci Furtado, Miguel Lubi, afirmou que foi ele que entrou com o pedido de habeas corpus em favor de Nego Lima, mas que a partir de agora cuida somente do caso de Furtado, que diz-se inocente de qualquer acusação contra ele. Lubi explica que são dois processos contra o seu cliente, um no Paraná, o qual tem um habeas corpus de prisão preventiva, e agora este em Santa Catarina. \"Para este caso também já temos um habeas corpus no Tribunal de Justiça, e a qualquer momento ele pode ser liberado\", enfatiza o advogado.

Outra alegação da defesa é de que todas as empresas de Santa Catarina em que Furtado teria participação, nenhuma teria débito de ICMS. Sobre os depoimentos dos envolvidos e das testemunhas, o advogado afirmou que ainda não tiveram acesso. A informação de que Lima e Furtado teriam negócios juntos também não foi confirmada pela defesa.

Até o final da tarde de ontem o advogado de defesa de Nego Lima, Adilson Raimundi, não havia sido encontrado para se manifestar sobre o assunto.

CAMPANHA SEGUE NORMAL

Segundo o coordenador de campanha da coligação Campo Erê Para Todos, Remi Francisco Bianchi, os trabalhos de campanha seguem as determinações iniciais. Bianchi revela que o candidato a vice, Hermes Giachini, já estava engajado no roteiro de visitas e seguirá cumprindo-o rigorosamente. \"Não acredito que isso possa interferir no pleito eleitoral. Acredito que Nego Lima seja vítima de uma trama. O candidato afirmou categoricamente que não está envolvido. Agora o ritmo de campanha será mais acelerado ainda\", garantiu.

Bianchi salienta, ainda, que a coligação está firme. \"Perdemos momentaneamente nosso general, mas logo tudo voltará ao normal\", concluiu.

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