Buracos em SMOeste: problema sem solução

Buracos em SMOeste: problema sem solução
Folha do Oeste

Próprio prefeito diz que com tubulação no meio das ruas, problemas serão constantes

Buracos, desníveis, remendos e verdadeiras crateras. É com essa realidade que a população de São Miguel do Oeste e também quem passa pelo município tem que conviver todos os dias. Realidade essa que parece longe do fim, principalmente quando a prefeitura inicia um trabalho de recuperação asfáltica e, simultaneamente, a Casan abre um novo buraco, dessa vez uma vala que atravessou uma quadra inteira da Rua Sete de Setembro para troca de tubulação. Isso aconteceu na segunda-feira, dia 11, quando teve início o trabalho, mas foi interrompido durante o feriado e prosseguiu na quarta-feira, dia 13, quando a vala foi coberta apenas com terra e a pista permanece interditada. Com a chuva, a rua virou um lamaçal e a cobertura asfáltica não foi reposta. Infelizmente, é dessa forma que as coisas funcionam no município, onde todo o sistema de água e esgoto passa pelo meio das ruas e verdadeiras crateras são abertas para conserto. A partir daí, a responsabilidade de fechar os buracos é da prefeitura, porém nem tudo funciona como deveria. 

Sobre a atual situação das ruas do município, o prefeito Nelson Foss da Silva afirma que até então o asfalto precisava ser comprado em Chapecó, dependendo de vários critérios. ?Por exemplo, não se pode buscar meia carga, por causa da temperatura, que chegaria aqui não sendo a ideal para o asfalto quente. Por isso, sempre precisamos esperar por uma quantidade maior de buracos para buscar uma carga inteira e, em assim sendo, demora. Não é uma questão do município, mas esse é o processo. Não adianta buscar duas toneladas de asfalto, que vai chegar aqui frio e nem adiantará ser colocado?, explica.
Nelsinho também enaltece que, para ele, a única solução para acabar com o problema dos buracos é o saneamento básico. ?Eu tenho uma negociação muito bem avançada e acredito, e confio, que isso vai ser incluído no PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento), porque aí sim vem a solução definitiva. Assim, vai ser possível retirar toda a tubulação da Casan do meio das ruas e colocar nas laterais. Essa sim é a solução?, reafirma.
Visando sanar de uma vez esse problema, o prefeito acredita que devem ser gastos perto de R$ 50 milhões para toda a cidade. Já o projeto que está no PAC 2 aguardando aprovação, contempla cerca de 70% da cidade, ao custo de R$ 35 mi. 
Já a Casan havia anunciado essas mesmas obras de troca da tubulações, que até foram realizadas em um pequeno trecho da Rua Willy Barth, mas que depois não tiveram continuidade. Ainda em maio de 2009, o diretor Regional da Casan, Milton Sander, em reunião na Secretaria de Desenvolvimento Regional, dizia que estava em andamento o projeto de saneamento básico para São Miguel do Oeste. A previsão era de que o projeto estivesse concluído até o final de 2009, para logo em seguida angariar fundos no Ministério da Cidades. Segundo Sander, SMOeste já possuía um projeto de saneamento elaborado há mais de 10 anos, mas que já estava defasado e não cobria nem 30% da área urbana. O novo projeto, anunciado por Sander, previa cobrir 70% da cidade, sendo esse inclusive o atual projeto, ao qual o prefeito Nelsinho se refere, que, porém, ainda depende de aprovação no PAC 2. Já o gerente da Casan tinha a expectativa de que o projeto fosse aprovado até o primeiro trimestre de 2010, para logo em seguida a obra ser iniciada, fato este que não ocorreu.
 
Recuperação asfáltica 
 
Atualmente, a Administração Municipal está trabalhando em uma operação de recuperação asfáltica em diversos pontos da área central do município. Nesse caso, o prefeito explica que não se trata de uma operação tapa-buracos, e sim de um recuperação de vários locais com pavimentação antiga e também nas laterais, sendo considerado pelo prefeito como um trabalho de conservação.
A primeira rua contemplada com o projeto de recuperação foi a Marcílio Dias, cujo trabalho visa o recapeamento das pistas de rolagem e acostamento nas principais ruas da área central do município. Os recursos para o projeto são oriundos de Emenda Parlamentar do deputado federal Cláudio Vignatti (PT), perfazendo um total de R$ 389.408,21 e contrapartida do município, para recuperação de 16 pontos da cidade. A previsão de conclusão dos trabalhos é de 45 dias e os serviços são executados pela empresa vencedora da licitação. Foss  disse que também existe outro recurso de R$ 200 mil do Ministério das Cidades para restauração de outros pontos. Em ambas as obras, serão recuperados nestes pontos predeterminados, além da pista, os estacionamentos e as laterais das vias. 
 
Vereadores pedem recapeamento 
 
Os vereadores Claudete Fabiani e Flávio Ramos (PMDB), por meio de indicação aprovada na sessão da quinta-feira, dia 7, pedem que a Administração Municipal execute os trabalhos de recapeamento asfáltico nas ruas Sete de Setembro e Chuí, no centro do município. Eles destacam que o pedido já foi realizado em indicação legislativa no dia 16 de junho de 2009, mas que ainda não foi atendido. Os vereadores ressaltam que as condições de trafegabilidade das duas ruas estão péssimas e que o trabalho de recapeamento é uma necessidade urgente.
 
Moradores reclamam
 
O presidente da UAMB (União das Associações dos Moradores dos Bairros), José Luiz de Oliveira, afirma que diversas reclamações por parte dos moradores já foram feitas para a Administração Municipal, mas até agora nenhuma resposta efetiva foi recebida. ?O pessoal está bastante descontente com a situação das ruas de São Miguel, principalmente com os buracos, que a Casan abre e a prefeitura demora para fechar. São carros com rodas tortas e todos estão descontentes. Já encaminhamos ofícios ao secretário Jaime Pretto, que falou sobre as operações tapa-buracos, contudo nos bairros nada é feito, principalmente nas ruas de calçamento. Não adianta só fazer o calçamento, que é muito bom, mas é preciso manter, fazer os reparos?, lamenta.
O presidente afirma que os problemas são registrados, além dos asfaltos e calçamentos, nas ruas sem pavimentação, cheias de buracos. ?Todo mundo está descontente, porque foram tantas promessas políticas, com calçamentos a fundo perdido, e não se viu nada ainda. Houve reivindicações, mas só ouvimos que os trabalhos estão na pauta de obras e não saem do papel. Quem tem o poder na mão, no caso o prefeito, só pode dizer que vai solucionar os problemas mesmo é fazendo. Temos feito a nossa parte, mas as autoridades têm que fazer acontecer. Como moradores, queremos que tudo seja solucionado, porque a situação é terrível - carros danificados, acidentes que podem ser causados - vamos continuar cobrando, mas quem tem o poder de fazer é o Executivo?, enaltece Oliveira. 
Já o agricultor de Descanso, José Tuni, passava por São Miguel do Oeste nesta sexta-feira, dia 15, e afirmou que a situação está na contramão da realidade da cidade. ?Tem que falar o que é verdade, fica muito chato pra cidade. A gente não é daqui, mas fica muito chato ver buracos assim, uma cidade como São Miguel que se diz pólo, mas comparando com outros municípios está deixando a desejar?, enfatiza.
Idlaí de Luca, serviços gerais, de 43 anos, manifesta que já é hora de arrumar as ruas. ?Agora, que é época de eleição, deveriam ter aproveitado e dado atenção. No centro há mais problemas, algumas ruas onde é complicado pra dirigir, é uma dificuldade. O prefeito deveria dar atenção, um jeitinho, olhar um pouquinho mais pra isso, seria muito bom pra toda a população?, afirma.
Outro morador, que preferiu não se identificar, classifica a situação como horrível. ?É horrível aqui, principalmente a calçada, é horrível mesmo, tem que cuidar pra não cair. Num dia desses, eu caí na calçada. Agora, só ando com a cabeça baixa, as pessoas passam por mim e me perguntam como não as vi, mas eu tenho que tomar cuidado pra não cair, porque do jeito que está é bem perigoso?, lamenta.
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