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Brasileiros têm perfil empreendedor jovem
Em 2010, jovens entre 18 e 24 anos empreenderam mais que os brasileiros acima dos 35 anos
Uma pesquisa realizada em 2010 pelo GEM (Global Entrepreneurship Monitor), considerado o maior estudo sobre empreendedorismo no mundo, aponta que o Brasil é o país que possui maior taxa de empreendedores em estágio inicial (empresas com até quatro anos de fundação) entre 17 países do G20. Pesquisa foi divulgada recentemente pelo Sebrae e executada pelo IBQP (Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade).
De acordo com o estudo, o Brasil possui um equilíbrio dos sexos quanto às ações empreendedoras. Das cerca de 120 milhões de pessoas adultas, aproximadamente 21,1 milhões são empreendedores, onde 50,7% (10,7 milhões) são homens e 49,3% (10,4 milhões são mulheres). Os dados mostram, ainda, que a mulher brasileira é uma das que mais empreende no mundo.
Dentre as modalidades de empreendedorismo, o relatório aponta duas classificações: por necessidade e por oportunidade. Desse modo, os resultados mostram que, em 2010, para cada empreendedor por necessidade, haviam outros 2,1 que empreenderam por oportunidade, um pouco abaixo da média dos Estados Unidos, que gira em torno de 2,4 empreendedores por oportunidade para um empreendedor por necessidade.
Um dos pontos de destaque da pesquisa foca a faixa etária do empreendedorismo brasileiro. Conforme o panorama obtido, verifica-se que a faixa etária que obteve a mais alta taxa de empreendedorismo é a que varia dos 25 aos 34 anos, com 22,2%.
Os estudos revelam que, a partir de 2008, os jovens de 18 a 24 anos ampliaram a participação no universo empreendedor brasileiro. Assim, em 2010, sem considerar a faixa etária dos 25 aos 34, os jovens de 18 a 24 anos alcançaram taxas superiores aos que possuem idade acima dos 35. Segundo a pesquisa, mais da metade dos empreendedores brasileiros em estágio inicial possuem menos de 35 anos.
Sob este perfil, o estudo demonstra que as atividades de comércio varejista (autônomos) têm maior prioridade pelos empreendedores, com 25%, seguido de alojamento (lojas) e alimentação, com 15% das opções. De acordo com as análises, a preferência dos homens na hora de investir em um novo negócio recai sobre o comércio varejista e atividades imobiliárias. Quanto às mulheres, a preferência é atribuída ao comércio varejista, alojamento e à alimentação.
Nesse sentido, entre as atividades econômicas escolhidas pelos empreendedores brasileiros em estágio inicial, 56,9% dos empreendimentos são referentes a serviços voltados ao consumidor. Assim, em cima de dados obtidos, a pesquisa aponta que as atividades econômicas relacionadas com alimentação e vestuário são as preferidas dentre estes serviços.
SÃO MIGUEL DO OESTE
Para comprovar o crescimento do empreendedorismo brasileiro, não é preciso ir longe. Em São Miguel do Oeste, novas empresas têm surgido com mais facilidade nos últimos três anos, onde muitas delas possuem jovialidade explícita.
De acordo com as jovens Daiane Signor e Jaqueline Pasini, que possuem uma empresa da atividade vestuária, ter 22 anos ao iniciar um negócio possui diversos pontos positivos e destacam: "uma das vantagens é que a gente tem muito tempo para errar e acertar. Também existe a questão de estarmos sempre abertos a novas oportunidades, tecnologias e novidades", entendem.
Para a dupla de empreendedores do setor de informática, Jungles Wegher e Jean Milani, a vantagem de ser jovem está na rapidez com que se definem as ações, em razão da necessidade de mercado e das tecnologias disponíveis. "A geração anterior à nossa demorava muito para pensar. A velocidade com que nós criamos os negócios é muito mais rápida que antigamente", apontam.
ARRISCAR
Conforme Daiane, que sempre quis ter a própria loja, 15 dias após uma conversa com Jaqueline, a sala já estava alugada e com diversos planos para serem postos em prática. "Eu e a minha sócia já havíamos tido experiências em outras lojas. Eu, com o financeiro, então ficou mais fácil", lembra.
Sobre as chances de o negócio dar certo, Daiane conta que dados e pesquisas de mercado foram consultados. Além das informações, buscaram orientações no Sebrae, por meio do programa Negócio Certo. "Assim pude estudar quais eram as chances do negócio dar certo. E todas as respostas foram positivas", conta. A loja completou, em abril, um ano de fundação.
Já Wegher e Milani, que iniciaram com 20 e 19 anos, respectivamente, as chances de o negócio dar certo eram poucas. Sem análise aprofundada de mercado e com base em constatações e entusiasmo, os jovens arriscaram um pouco mais que Daiane e Jaqueline. "As chances de dar certo? Nenhuma", brincam. "O que a gente viu, era que não tinha nada especializado no segmento de notebooks. Então a gente falou: vamos ver no que dá", complementam.
De acordo com os rapazes, que primeiro procuraram a qualificação profissional antes de investir, a falta de pesquisa resultou em um equívoco no momento de avaliar quem seriam os consumidores. "Tivemos que mudar nosso foco. A gente achava que o nosso público-alvo eram os universitários, porque eles utilizam muito os notebooks. Só que foi o contrário. Os universitários dependem de uma máquina, mas não têm dinheiro para investir. Então, depois de um dos cursos, resolvemos mudar nosso público-alvo para profissionais liberais", recordam. No entender deles, são essas pessoas que possuem um poder de investimento maior em notebooks.
DESAFIOS
Na avaliação das empresárias, que após um ano sentem-se cada dia mais felizes e realizadas, o desafio daqui por diante é ter um público cada vez mais diversificado e atender a demanda. Conforme elas, o foco ainda está na clientela formada por mulheres. "O consumidor está cada vez mais exigente e menos fiel. A gente acredita que um bom atendimento, um produto de qualidade e boas condições de pagamento agradam muito ao cliente", observam.
Segundo elas, além de subdividirem as tarefas, é importante trabalhar a comunicação, saber do que ocorre dentro da empresa e se especializar. "Também trabalhamos com parceiros locais, como a CDL e a Acismo. Acreditamos no bom humor, no oi e no bom-dia. Queremos, a cada dia, investir mais e mais", finalizam.
Investir na empresa e na capacitação também é meta dos jovens empreendedores migueloestinos. Com pouco mais de um ano e meio de empresa constituída, querem mudar o leiaute da loja, incorporar novos funcionários e melhorar cada vez mais a qualidade dos serviços de atendimento e assistência técnica. "Temos trabalhado para mudar um pouco o visual da loja, o atendimento, e adquirir equipamentos novos para assistência", adiantam.
De acordo com eles, um dos investimentos que deve ser levado em consideração, é na qualidade dos funcionários que serão contratados. "Contamos com um funcionário que foi indicado por uma escola técnica de São Miguel do Oeste. Mas a gente prima por buscar pessoas que já atuam na profissão, com experiência", destacam. "Queremos, em cinco anos, ampliar nossa região de abrangência, estruturar a empresa com mais equipamentos, deixar de terceirizar serviços e ampliar o quadro de funcionários na assistência técnica", arrematam.









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