Aprovada moção contra construção de barragem em Itapiranga

Aprovada moção contra construção de barragem em Itapiranga
Divulgação

Estudos apresentados pelo MAB demonstram que mais de 50 comunidades e 1,5 mil famílias serão atingidas pelo projeto

Nesta semana, a Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina) aprovou moção do deputado Dirceu Dresch, líder do PT, pedindo que não sejam concedidas as licenças para a construção da barragem no município de Itapiranga, no rio Uruguai. O texto também pede a retirada da obra do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). A moção será enviada à presidente Dilma Rouseff, ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e aos ministérios das Minas e Energia, do Meio Ambiente e para a Casa Civil. 
Para Dresch, que participou de reunião com dirigentes do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), como prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias da região atingida, a obra trará graves prejuízos econômicos, ambientais, sociais e culturais para o município. Estudo elaborado pelo MAB aponta um prejuízo da ordem de R$ 100 milhões para as atividades econômicas (agricultura e indústria) que serão afetadas com a área alagada da barragem, que compreende sete municípios. “O valor é muito superior à compensação que o empreendimento vai gerar. O Brasil precisa ampliar o potencial energético para suprir o crescimento do país, mas isso pode ser feito por meio de outra matriz energética que cause menos impacto social, como é o caso das energias eólica e solar”, considera o parlamentar.
“A posição de prefeitos, vereadores e das comunidades é unânime. Além de prejuízos sociais e ambientais, o fator econômico mostra que os municípios saem perdendo”, afirmou o deputado padre Pedro (PT), que também assinou moção contrária à construção da Barragem de Itapiranga. Conforme padre Pedro, os estudos apresentados pelo MAB demonstram que mais de 50 comunidades e 1,5 mil famílias serão atingidas pelo projeto. Segundo ele, a movimentação econômica da agricultura camponesa e das atividades comerciais e industriais das regiões afetadas é, hoje, de R$ 123 milhões/ano, enquanto que a compensação financeira da barragem é de apenas R$ 5 milhões. “O prejuízo para a região é 10 vezes maior, chega a R$ 118 milhões. Por isso, junto de outros parlamentares, assinei a carta compromisso dos municípios em que o movimento pede a retirada do projeto do PAC”, complementou.

Audiência pública
No último dia 11, foi realizada na Câmara de Vereadores de Itapiranga audiência pública para discutir a construção da barragem naquela localidade. Diferentes setores da sociedade se manifestaram, em sua maioria, contra a implantação da barragem. Os argumentos giraram em torno dos impactos ambientais e sociais a que a região estará sujeita após a inundação da área. O deputado Mauro de Nadal (PMDB) se manifestou no sentido de apoiar a decisão da comunidade. “O primeiro passo é a união em torno da causa. Para alcançar o objetivo, é preciso que as pessoas estejam unidas e comprometidas com o movimento”, salienta o deputado.
De acordo com o vereador e coordenador interestadual do MAB, Arsélio Mossmann, há aproximadamente 30 anos que se ouve comentários na região da possibilidade de implantar a barragem. Esse fato, muitas vezes, desencorajou o investimento nas propriedades. Mesmo sofrendo essa pressão psicológica a região tem um setor agrícola forte e bem organizado. Segundo Mossmann, nesta data, foi entregue e assinada pelos parlamentares uma carta solicitando um projeto de desenvolvimento sem barragem, a construção da ponte sobre o rio, o anel viário e asfaltamento da SC-283. “Estamos lutando contra a obra da hidrelétrica que, se construída, vai acabar com a cultura germânica local. Queremos que os deputados nos ajudem na retirada deste projeto do PAC. Estamos defendendo o leito do Rio Uruguai, para que ele seja preservado”, admite o organizador do evento.
Para o coordenador do MAB, se a obra for construída, os impactos negativos serão vários. Entre eles, Mossmann cita o enfraquecimento da cultura alemã, predominante há cerca de 80 anos naquela localidade, as comunidades interioranas atingidas serão extintas e ainda o destino incerto dos moradores destes locais. “Estamos vivendo sob esta tortura há 30 anos, será que a hidrelétrica sai ou não sai? As comunidades sofrem e não se desenvolvem com este dilema. Acredito que enquanto o povo estiver organizado, a obra não será executada. Precisamos estar mobilizados sempre, pois quem não se pronuncia, não tem vez. Se uma sociedade civil, que se manifestou por unanimidade contra a usina, não for ouvida, até onde vale a democracia? Se nosso pedido não for ouvido, vamos partir para as embaixadas da região. Essa é a hora de nos mantermos organizados e não permitir que os levantamentos da empresa avancem”, afirma o coordenador. Nos próximos dias, será promovida uma nova audiência pública, desta vez com os municípios atingidos no estado do Rio Grande do Sul.

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