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Após a estiagem agora é a hora de aproveitar a abundância
Com as chuvas ocorridas na região, os agricultores que possuem cisternas aproveitam e armazenam água para usar na propriedade rural
Na estiagem que afetou a região extremo oeste catarinense, no final de 2011 e início de 2012, muitos produtores rurais amargaram prejuízos em inúmeras culturas. A falta de água foi um verdadeiro pesadelo para muitos. A dependência de auxílio público no abastecimento, com caminhões pipa, foi, praticamente, a única forma de garantir água na propriedade, já que muitos rios, açudes e poços secaram.
O produtor de linha Famoso, interior de Descanso, Élcio Bonamigo, foi um entre centenas de agricultores da região que foram fortemente afetados pela última estiagem. “Foi um período complicado, dependíamos de ajuda dos vizinhos e também da prefeitura para nos trazer água. A qualidade dela também prejudicou muito, porque a pouca água que tinha não era muito boa para o consumo dos animais, mas não tinha outra, então eles tinham que tomar aquela mesmo”, recorda.
“Lembro que na época da forte estiagem, Élcio foi até o escritório da Epagri pedir ajuda, mas como não havia reservas de água, consequentemente não se tinha muito o que fazer. Então apresentamos a ele o “Programa Água da Chuva”, que incentiva a construção de uma cisterna na propriedade agrícola que acumula água em períodos chuvosos durante o ano a garante em tempos de escassez”, destaca o extensionista da Epagri de Descanso, Zolmir Frizzo.
“Geralmente, os produtores aqui da região acham que o investimento em uma cisterna é alto demais, mas os benefícios e o retorno que isso traz se pagam com o tempo. Temos que aplicar a cultura de mudar alguns hábitos e diminuir essa resistência quanto à construção de cisternas. Sabemos que futuramente a tendência é de que os riachos fiquem cada vez mais escassos. Além disso, mesmo não podendo prever, é quase certo que novas estiagens marcarão nossa região, como tem acontecido muito nos últimas décadas”, comenta o extensionista.
CUSTOS: ENTRE R$ 40 E 50 MIL
Frizzo explica que uma cisterna é constituída basicamente por três componentes: 1) um sistema de captação, representado pela área do telhado, seja da casa, do aviário ou da pocilga; 2) calha revestida com sombrite e tubo condutor. 3) Ainda é necessário um sistema de filtragem formado por uma caixa de eliminação da primeira água e um ou mais reservatórios.
Os custos para construção de uma cisterna variam entre R$ 40 e 50 mil, dependendo muito da empresa que realiza os serviços. Os materiais necessários para a construção são: cimento, areia, manta de oito milímetros, estrutura de ferro galvanizado, calha, sistema de pré-filtragem composta por uma caixa d’água de dois mil litros (que serve para descarte da primeira água), pré-filtro, tubulações e mais mão de obra (principalmente relacionada à escavação).
“O ‘Programa Água da Chuva’ é um investimento do Governo do Estado com recursos do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). Esse programa auxilia os agricultores interessados em subsidiar os custos para a construção de cisternas”, explica Frizzo. Com a adesão ao “Programa Água da Chuva”, o Governo do Estado subsidia os juros do empréstimo para a construção (de até R$ 50 mil) disponibilizando o prazo de até dez anos para o pagamento dos custos.
APROVEITAMENTO
Neste início de ano, as condições climatológicas se apresentaram bem diferentes das anotadas no mesmo período de 2012. Nesses mais de quatro meses de 2013 houve registros de chuvas fartas em toda a região. “São nesses períodos de abundância que temos que aproveitar para recolher esses recursos, e quem tem cisterna na propriedade pode se garantir”, comenta o colaborador da Epagri.
A cisterna de Bonamigo tem pouco mais de um ano, com capacidade para armazenar até 800 mil litros, a maioria da água da chuva acumulada é usada no aviário do produtor. Essa quantidade, segundo o agricultor, dá para ser utilizada na produção de três lotes de frangos. “Ainda sobra um pouco de água que podemos utilizar para o gado leiteiro”, comenta Elizandro Bonamigo, que é filho do produtor e ajuda o pai nos afazeres da propriedade.
Há seis anos na atividade, a família Bonamigo produz em média cerca de 5,5 lotes de frango por ano, e cada lote com cerca de 20 mil aves. O aviário do produtor tem 14 metros de largura por 126 de comprimento, o que garante um amplo espaço de telhado para a captação da água da chuva. “Muitas vezes, uma garoa já praticamente junta uma boa quantidade de água para a cisterna. Quando dá um pancadão de chuva chega a transbordar nas canaletas”, comenta Élcio.
No verão, Bonamigo estima que são gastos na produção das aves mais de 25 mil litros de água; no inverno essa quantidade diminui. “A cisterna tem sido muito boa, porque garante água de qualidade para o consumo dos animais por mais de seis meses e diminui os custos e gastos”, acrescenta ele. Segundo os produtores, a manutenção das cisternas fica praticamente restrita à limpeza das calhas. “Praticamente não tem manutenção, mais seria tirar folhas e sujeiras das calhas”. Já a qualidade da água na cisterna fica garantida devido ao isolamento com as mantas.
VANTAGENS
Segundo Frizzo, em Descanso há menos de dez propriedades rurais com cisternas, uma quantidade que, de acordo com ele, ainda é muito pequena. “Infelizmente, ainda poucos agricultores têm se encorajado em construir uma cisterna, um pouco pelos custos, mas, como disse, com o tempo esse investimento compensa. E é em momentos de abundância que temos que aproveitar e recolher esses recursos”, destaca.
Em geral, segundo dados do “Programa Água da Chuva”, cada um milímetro de chuva ao ano equivale a um litro por metro quadrado de telhado. Já as principais vantagens apontadas com a adesão às cisternas são a diminuição do uso da água potável para as atividades produtivas na propriedade; a redução da pressão sobre os sistemas naturais de água existentes, tais como fontes, rios, poços e açudes; a garantia de água em épocas de escassez e com baixo custo e ainda a conscientização ambiental e utilização racional dos recursos hídricos.
A cisterna da família Bonamigo tem capacidade para armazenar até 800 mil litros de água
Élcio Bonamigo verifica o registro da caixa de água que serve para descarte da ?primeira água?
Os custos para construção de uma cisterna variam entre R$ 40 e 50 mil
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