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Administração faz um balanço após dois meses do tornado que arrasou Guaraciaba
Hoje, dia 7 de novembro, as comunidades atingidas pelo tornado no município de Guaraciaba ainda recordam e presenciam o que ficou da fúria da natureza há exatamente dois meses.
Hoje, dia 7 de novembro, as comunidades atingidas pelo tornado no município de Guaraciaba ainda recordam e presenciam o que ficou da fúria da natureza há exatamente dois meses. Passado esse tempo, quem tem a possibilidade de avistar os locais atingidos já pode perceber que os rastros de destruição são menos visíveis, com a reorganização das propriedades. E mesmo sem muitas alternativas, as famílias continuam o recomeço do pouco que restou de seus bens materiais. Mas ainda há muito o que fazer até que a vida dessas pessoas volte a ser ao menos parecida como a rotina que vivenciavam antes desta data. RECURSOS Desde o ocorrido, a Administração Municipal tem uma equipe que trabalha exclusivamente no apoio às famílias e à organização das frentes de trabalho. Hoje, o município está no estágio de reabilitação das moradias e retomada do setor produtivo. Conforme o prefeito Ademir Zimmermann, a administração tem feito o possível para auxiliar essas famílias atingidas, no entanto ele destaca que a burocracia para o reconhecimento e publicação do Decreto de Estado de Calamidade Pública tem impedido que a reconstrução dessas propriedades seja agilizada. Nestes dois meses, Zimmermann foi duas vezes à Capital Federal para tratar de questões que se referem à liberação de recursos e auxílio às famílias atingidas. A última vez foi na semana passada, quando foi verificar junto à Defesa Civil Nacional o porquê da demora do reconhecimento e publicação do Decreto de Estado de Calamidade Pública, assinado ainda em 8 de setembro. Ele enfatiza que a informação que teve é de que não havia recebido a documentação necessária da Defesa Civil Estadual. Diante disso, o prefeito demonstrou sua preocupação quanto à demora na publicação do decreto, que tem gerado uma série de transtornos como a não liberação do FGTS, o impasse na negociação das dívidas dos agricultores, a liberação de linhas de crédito e recursos para o município, entre outros. De acordo com o prefeito Ademir Zimmermann, nestes dois meses, a Administração Municipal já contabilizou gastos na ordem de R$ 152.813,23. São despesas em combustíveis, materiais de construção, elétrico e iluminação pública para arrumar os espaços públicos atingidos, entre outros serviços efetuados. E adianta que os gastos vão aumentar ainda mais, pois são muitas as ações que estão sendo desenvolvidas em prol dos atingidos e que vão continuar nos meses seguintes. Além disso, informou que a Defesa Civil Estadual também teve gastos da ordem de R$ 345 mil. DIFICULDADES Conforme o prefeito, embora a administração tente solucionar esses problemas, é no decorrer do processo que muitas dificuldades surgem e impossibilitam que eles sejam resolvidos o quanto antes. Ele destaca que, hoje, o município encontra problemas em suprir a demanda de serviços no interior, pois além das atividades normais de melhorias nas estradas, há uma grande quantidade de terraplanagens que precisam ser feitas para as famílias. Há também falta de pessoal, visto que o trabalho aumentou em todas as áreas, mas o número de funcionários é o mesmo. " Além disso, neste período de reabilitação, o clima prejudicou bastante o andamento dos trabalhos. Outra dificuldade é conseguir dar respostas rápidas às necessidades das pessoas, pois a burocracia é bastante e a legalidade precisa ser respeitada e seguida", argumenta. RECONSTRUÇÃO Segundo a administração, muitas famílias já esperam ansiosas o término da obra da nova casa ou mesmo da reforma. Os materiais de construção adquiridos com os R$ 6 milhões do Ministério da Integração Nacional estão sendo entregues às famílias, conforme a solicitação das mesmas. Tendo como parâmetro os laudos da Epagri, inicialmente foi priorizada a entrega às famílias que tiveram perdas acima de 71%, sendo que cada uma recebeu R$ 30 mil em materiais de construção. Num segundo momento, foi entregue aos que obtiveram perdas menores, sendo R$ 21 mil em materiais para os que apresentaram perdas de 51% a 70%; R$ 15 mil para perdas de 36% a 50%; e R$ 10.500 para perdas de 20% a 35%. Para os percentuais abaixo de 20% ainda não foi definido o repasse de materiais. Para resolver casos de discordância do percentual apresentado no laudo da Epagri, foi nomeada uma comissão especial que está avaliando cada denúncia ou reclamação, conforme solicitação protocolada. ATENDIMENTO PSICOLÓGICO Para atender as famílias que enfrentam dificuldades de enfrentar esse recomeço, a equipe do Centro de Referência da Assistência Social vem coordenando o trabalho de atendimento às pessoas que precisam de acompanhamento psicológico. De acordo com o prefeito a equipe conta com o apoio de voluntários profissionais da área da psicologia, especialmente de universidades, como é o caso da Unoesc, da Unochapecó e da Faculdade Metropolitana Unidas de São Paulo, entre outros profissionais da região. A ajuda dessas instituições e desses profissionais está sendo muito importante, pois a demanda é bem maior do que a capacidade de atendimento que o município possui. "Esse é um trabalho que precisa ser contínuo, pois não basta apenas identificar o problema, é preciso fazer um acompanhamento periódico para que o resultado seja positivo. Hoje são 25 grupos de famílias nas comunidades atingidas do interior e 18 grupos atuando nas escolas, que recebem atendimento psicossocial". Alguns clubes comunitários já foram recuperados ou estão em processo de reabilitação, como é o caso das linhas Índio, Perondi, Santo Antonio, Guatapará Baixo, Sede Flores, Tigre, Vinte e Quatro, Ferreira, Sanga Bonita. Já os clubes de Guataparema, Welter, Daltro Filho e Ouro Verde, onde os danos foram maiores, foi definido repassar R$ 50 mil em materiais de construção para a comunidade iniciar a reabilitação. A Administração Municipal já encaminhou projetos e solicitações de recursos aos Governos federal e estadual, para que as comunidades possam concluir esses espaços tão importantes para a vida comunitária. Quanto às igrejas, a maioria delas já está reformada, mas as localizadas nas linhas Welter, Guataparema e Guatapará Baixo, que dependem de maiores investimentos, a Mitra está buscando recursos para reabilitar. As aulas no município voltaram ao normal após 15 dias do tornado. Das escolas atingidas, a municipal com maior dano foi a Padre Alfredo Kasper, da cidade, que foi reabilitada em duas semanas. As quatro escolas estaduais do município também foram atingidas, sendo que os maiores problemas foram nas de linha Guataparema e da cidade. O Estado contratou empresas para recuperá-las, mas até estarem concluídas, foram readequados os espaços para receberem os alunos. Os estudantes da escola do Guataparema estudaram cerca de um mês em salas improvisadas no salão paroquial da cidade, e agora retornaram para a escola. A próxima etapa será a reabilitação dos ginásios de esportes destas escolas.
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