Pele clara e descendência de europeus propiciam o risco de câncer
Que o uso do filtro solar deve ser estendido para o ano todo, isto é consenso na comunidade científica. Porém, é no início da primavera que seu uso deve ser intensificado e sua importância relembrada. A afirmação é da farmacêutica- bioquímica e especialista em farmacologia, Léa Regina Conrado Costa Lima. De acordo com ela, todas as pessoas estão expostas à radiação ultravioleta (UV) do sol. ?Pequena quantidade dessa radiação é benéfica à saúde e possui um papel essencial na produção de vitamina D. Entretanto, a exposição excessiva está associada a uma variedade de problemas de saúde, principalmente o câncer de pele?, alerta.
O percentual de brasileiros que ainda se expõe ao sol sem proteção preocupa os especialistas. Mais de 67% compõem o grupo, sendo que os mais descuidados são os homens. A pele clara e a descendência de europeus propiciam um maior risco de adquirir um câncer de pele. A região Sul é a mais atingida pelos efeitos do buraco da camada de ozônio, sendo este apontado como um fator agravante. O INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) conta com medidores de ozônio e realiza monitoramento diário. O chamado Índice de UV mede a quantidade de radiação solar que chega à Terra e pode ser acessado facilmente pela internet. Quando o índice passa de 10, a radiação está muito elevada, não devendo expor-se ao sol no horário entre 10h e 16h. O período de agosto a novembro é o período mais crítico.
Conforme a especialista, as radiações UVB e UVA estão relacionadas com danos diretos ao DNA celular, podendo causar mutações na estrutura genética da pele e desencadear melanomas. Um bronzeado saudável sem queimar a pele é obrigação de qualquer protetor solar, assim como o de evitar o envelhecimento precoce da pele, em forma de rugas e manchas. ?Nenhum filtro é capaz de barrar 100% dos raios solares. Um fotoprotetor, com fator 30, bloqueia 97,6% dos raios ultravioleta do tipo B (UVB), aqueles que queimam a pele e estão relacionados ao aparecimento da maioria dos casos de câncer de pele. Um protetor 50 filtra 98% da radiação. São os raios que escapam à ação dos filtros que permitem o bronzeamento?, explica.
FPS CERTO
O tipo de pele de uma pessoa é determinado por sua cor, ou seja, pela quantidade de melanina presente em sua estrutura. É a partir da definição do tipo de pele que é possível escolher o FPS (Fator de Proteção Solar) mais adequado:
2 a 5 - baixa proteção: não é indicado;
8 a 15 - média proteção: indicado para pele morena ou negra, que bronzeia com facilidade ou raramente queima;
15 a 20 - alta proteção: para pessoas de pele clara e morena-clara, com cabelos e olhos escuros, que se queimam e se bronzeiam moderadamente;
30, 35 e 50 - proteção muito alta e 60 - ultraproteção: para indivíduos de pele clara ou muito clara, olhos claros ou castanho-claros, com cabelos loiros ou ruivos, idosos e crianças com mais de dois anos. A pele queima com facilidade e bronzeia pouco ou nunca.
ACESSÓRIOS
Léa destaca que a proteção adequada não inclui somente o protetor solar. Boné, óculos e guarda-sol são acessórios indispensáveis, principalmente nos momentos de lazer, durante atividades físicas ao ar livre, praia e piscina. Hoje existem camisetas, bonés e chapéus com proteção UV, confeccionados com tecidos especializados para esta finalidade, que garantem uma excelente proteção, principalmente para a prática de esportes ao ar livre. ?Mais uma vez vale reforçar que o horário entre 10h e 16h é o mais perigoso. Nesse período, a incidência da radiação ultravioleta (UVB) é maior. No entanto, a orientação sobre proteção vale para o dia todo, já que o raio UVA também é cancerígeno, embora o UVB seja mais prejudicial?, diferencia a profissional.
PROTEÇÃO PARA AS CRIANÇAS
Se para os adultos a proteção é indispensável, com as crianças os cuidados devem ser maiores, já que a pele delas é bem mais sensível. Os pais devem evitar a exposição dos filhos ao sol em horários de maior incidência dos raios ultravioleta e usar protetor específico para eles. Conforme a farmacêutica, existem protetores específicos para crianças dos seis meses até os dois anos de vida. Eles contêm apenas protetores físicos, já que os químicos têm maior chance de provocar alergias nesta faixa etária.
FÓRMULAS PARA USO DIÁRIO
Um protetor para o uso diário, por exemplo, não precisa ser resistente à água, mas, por outro lado, precisa ser mais refinado em sua formulação, ter sensorial agradável e conter ativos para complementar a proteção à pele, principalmente antioxidantes, como vitaminas E, C, e a Coenzima Q10. Essa é, aliás, uma das mais fortes tendências mundiais que destacam a necessidade de se criar formulações que possam não só efetivamente proteger a pele, como também restaurar danos gerados ao DNA.
FOTOPROTEÇÃO ORAL
Polypodium leucotomos é um extrato vegetal indicado para fotoproteção de uso oral, prevenindo contra fotoenvelhecimento. Estudos demonstraram que na composição desse extrato estão presentes os ácidos ferúlico, caféico, vanílico, pcumárico e clorogênico. ?Essa rica composição pode explicar os efeitos fotoprotetores além da potente ação antioxidante e antiinflamatória?, afirma Léa. De acordo com ela, o betacaroteno, encontrado nos vegetais amarelos , verde escuros e nas frutas, proporciona um aumento da produção de melanina, a qual confere proteção da pele através do bronzeado.
A pele possui um sistema de proteção natural que atua no pleno funcionamento de suas funções celulares. Uma série de fatores pode alterar o equilíbrio dessa camada, tais como sol, clima e hábitos alimentares. A diminuição da gordura ou a perda excessiva de água pode resultar em uma pele áspera e sem elasticidade. Hidratar a pele significa nutri-la por meio de alimentação equilibrada, consumir pelo menos dois litros de água por dia, proteger a cútis do sol e massageá-la com hidratantes, que ajudam a manter o seu aspecto saudável e a prevenir o envelhecimento.
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