Polícia Militar atende ocorrência de estelionato na região |
?Hoje temos um excedente de 1,4 bilhão de litros de leite no País?
Excesso de leite é o principal fator pela redução do valor pago para o agricultor
A situação da queda do preço do leite nos últimos três meses vem preocupando vários setores que estão sendo afetados diretamente com essa redução. No mês de agosto, os preços do leite pago para os agricultores variavam entre R$ 0,70 e R$ 0,54 o litro. Atualmente, a média do litro de leite pago pelas indústrias de laticínios da região Extremo Oeste varia de R$ 0,40 a R$ 0,47, diminuição significativa para a renda mensal do produtor de leite. Nesse contexto, representantes de produtores, industriais, governantes e parlamentares discutem a questão a fim de encontrar uma solução para o setor.
Conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Miguel do Oeste, Joel de Moura, crises como estas acontecem pela falta de políticas públicas que visam garantir condições e incentivos para a permanência da agricultura familiar na cadeia produtiva do leite. Conforme o sindicalista, os valores médios por litro de leite, pagos pelas indústrias de laticínios, não consideram que desse total ainda será descontado o frete e o imposto rural do agricultor. \"O que sobra líquido para o agricultor é que tem que ser levado em consideração, e esse valor é muito baixo. A redução chega a quase 50%, e isso sem contar o aumento do custo de produção, um saco de adubo no ano passado estava em torno de R$ 50, hoje está em torno de R$ 110. Então, como é que o agricultor vai se manter na atividade?\",reforça.
FATORES DA CRISE
O responsável pela captação de leite da cooperativa Aurora, Selvino Geiesel, esclarece que há vários fatores que desencadearam essa crise, entre elas está a atual conjuntura mundial, que fez com que o preço dos lácteos caíssem, inviabilizando o investimento em exportações e a sazonalidade da produção de leite no Estado, o que provoca mudanças drásticas, visto que em certos períodos há falta de leite e em outro período há leite em excesso.\"O preço do leite em pó no mundo, no mesmo período do ano passado, era vendido por U$ 5,4 mil dólares a tonelada, hoje está sendo vendido a U$ 3 mil, o que fez com que as exportações brasileiras diminuíssem. Então, muito leite deixou de ser comercializado no mercado externo e acabou ficando no mercado interno, excedendo a produção de leite. Hoje temos um excedente de 1,4 bilhão de litros de leite no País, o que reduziu as vendas e o preço, e em reduzindo o preço afeta a todos os envolvidos nesse setor\",explica.
Segundo Geiesel, as indústrias também estão perdendo com essa situação. \"Se olhar o lado das indústrias, elas também estão passando por dificuldades, e é lamentável isso. Ninguém quer que isso aconteça, o produtor e as indústrias acabaram sendo penalizados porque a indústria tem os custos de energia elétrica, de funcionários, de depreciação, de transporte, logística, além da questão da caixinha do leite longa vida que representa R$ 0,35 do total, e a questão dos impostos\", argumenta.
SOLUÇÕES
Tanto o sindicalista quanto o industrialista defendem que, para que essa situação seja contornada e não volte a se repetir, é necessário que haja um envolvimento por parte das indústrias, do governo, de órgãos como Epagri, Cidasc, secretarias de agricultura, sindicatos e o próprio produtor, para organizarem a produção leiteira a fim de promover uma maior segurança e melhorar a qualidade do leite para possíveis investimentos no mercado de exportações. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Miguel do Oeste, Joel de Moura, no mês de novembro, a Fetaesc (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina) irá lançar uma proposta de trabalho para os três estados do Sul, que irá trazer soluções para o setor lácteo da região.
Ele frisa que o primeiro passo será organizar a produção de leite na região e em todo o Estado. \"Hoje temos muito poucos dados de qual quantia, qual é qualidade, quem é o produtor, o que o setor representa na economia da região, e ainda falta muito desse levantamento para podermos elaborar políticas de defesa da agricultura familiar. Queremos ter uma previsão de mercado, de futuro e, já agora em janeiro, estaremos definindo com os novos prefeitos, sobre essa situação, porque a perda por consumo é muito grande, os valores que deixaram de circular na mão do agricultor, hoje não está circulando no comércio, e isso vai virando uma bola de neve que acaba gerando menos impostos para os municípios. A proposta é longa, sabemos que não é de hoje para amanhã que vamos ter resultado, mas é a única forma de poder prevenir nosso agricultor, porque se está prevendo uma crise para daqui a seis meses, por exemplo, é difícil que ele consiga diminuir os investimentos de antes\",ressalta.
Para o responsável pela captação de leite da cooperativa Aurora, Selvino Geiesel, ainda precisam ser revistas as questões de redução de tributos para o setor por parte do governo, além de encontrar mecanismos para enxugar o excesso de produção, como uma maior inclusão do leite na cesta básica e na merenda escolar.
CONSUMIDOR
Segundo o supermercadista Francisco Crestani, do período de janeiro de 2007 em relação ao mesmo período deste ano houve um aumento de 10% no consumo de litros de leite. Ele destaca que do ano passado para esse ano o preço do leite caiu em torno de 20% para os supermercadistas e nesse mesmo período houve uma redução de 35% do custo para o consumidor. Há três meses, um litro de leite era vendido por uma média de R$ 1,50 e atualmente está sendo comercializado em torno de R$ 1,25, o que representa cerca de 20% de queda.
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