?Gripe suína? vira caso de saúde pública e pode oportunizar o mercado de carnes do Estado

O fato de que um vírus estaria comprometendo o mercado de carne suína em países da América do Norte e Central foi informada pelo secretário Nacional de Defesa Sanitária e Animal

O fato de que um vírus estaria comprometendo o mercado de carne suína em países da América do Norte e Central foi informada pelo secretário Nacional de Defesa Sanitária e Animal, Inácio Kroetz, ainda na sexta-feira passada, dia 24, quando esteve presente na inauguração do frigorífico Sul Valle, em SMOeste. Não demorou muito e a notícia se espalhou pelos quatro cantos do mundo. A gripe suína colocou em alerta a população, e os especialistas em saúde não descartaram a possibilidade de uma pandemia (quando a doença atinge vários países do mundo). Em questão de uma semana a situação se tornou um problema de saúde pública e deixou o mercado de negociações da carne suína instável.

Enquanto isso, a informação é disseminada pela imprensa nacional e aos poucos assimilada pela sociedade. No entanto as dúvidas e incertezas ainda caracterizam essa conjuntura. O que realmente é essa gripe? Como ela se espalha? Posso comer carne suína? E o estado catarinense, grande potencial de carne suína, como está lidando com essa situação? Conforme Kroetz, Santa Catarina é o principal produtor de carne suína do Brasil, com aproximadamente 400 mil matrizes alojadas, uma produção com cerca de 8,5 milhões de suínos por ano, representando 31,9% do mercado de exportações do País.

É justamente pensando nesse contexto que o presidente da ACCS (Associação Catarinense de Criadores Suínos), Wolmir de Souza, se preocupa quando o termo "Gripe Suína" é utilizado. Nesta semana, a Associação divulgou uma nota à imprensa, com indicação da Organização Internacional de Saúde Animal solicitando que este termo "gripe suína" fosse substituído por "influenza norte-americana", seguindo a tradição de outras manifestações similares no passado, que ganharam denominação de caráter geográfico.

Para Souza, a utilização desse termo é injusto, isto pelo fato de que até agora não houve registro de que o vírus tenha sido isolado no animal e seus mecanismos de contaminação estejam cingidos à relação entre humanos. "Esta é uma doença originária de outros países e não pode levar consigo uma situação que envolva e comprometa uma cadeia produtiva, um mercado econômico financeiro e social muito forte", enfatiza.

 

REFLEXOS

Conforme o presidente da associação catarinense, ainda é cedo para avaliar os reflexos desta situação no setor econômico e de negociações de carne suína no Estado, mas já houve uma redução na compra de carne suína por mercados, restaurantes e frigoríficos. "Nesse momento ainda não se pode dizer que teve um reflexo negativo, muito pelo contrário, espera-se que o reflexo seja positivo. Certos mercados, como o da Rússia, que detém 50% do seu volume importado oriundo dos Estados Unidos, fechou as fronteiras para as carnes norte-americanas. Então podemos ter um reflexo positivo para Santa Catarina. Abrem-se as possibilidades reais de o Brasil fortalecer seu mercado exportador, pois a carne daqui é 100% segura", ressalta.

 

MEDIDAS

Para Souza, a solução atual é manter a cautela. "É importante que o Brasil nesse momento faça uma rastreabildiade das pessoas que de alguma forma vêm de outros países, que faça o papel de segurança de saúde humana para que se possa vender a imagem de um Brasil que faz um trabalho seguro e acima de tudo um Brasil que tem uma produção segura. Com isso vamos granjear, sem dúvida alguma, novos mercados. Nesse momento não se pode nem pensar em trazer equipamentos, genética, sêmen, ou importação de algum produto de origem animal, pois poderá trazer problemas para o País. Não há clima para pânico. Acho que podemos ganhar com isso, precisamos nesse momento vender positivamente a imagem do nosso produto, mas é preciso manter a cautela e a calma quanto à oferta de animais. Não podemos agora ficar preocupados com isso, querer comercializar urgentemente, desvalorizar o produto Precisamos esperar passar essa fase de turbulência, a qual acredito que não deva demorar mais que 10 a 12 dias", enaltece.

 

Ministro da Saúde tranqüiliza brasileiros

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou na última quarta-feira, dia 29, em entrevista coletiva, que o País está preparado para enfrentar uma pandemia de gripe suína. "O País está preparado para esta situação. Temos um plano de contingenciamento desde 2005; os aeroportos e portos estão em alerta; há uma rede de 52 centros de referência para o acompanhamento e tratamento de eventuais casos da doença" ressaltou o ministro. Temporão informou que o Brasil tem estoque suficiente do medicamento para o tratamento da doença. O Ministério da Saúde dispõe, para uso imediato, de 6.250 tratamentos para adultos e 6.250 tratamentos pediátricos.

Além disso, há um estoque estratégico de 9 milhões de tratamentos. A quantidade de medicamento e o início do processamento serão indicados pelo Ministério, conforme a necessidade.

A OMS disponibilizou nesta quarta-feira na Internet a sequência genômica do vírus, o que possibilitará ao Brasil realizar, no prazo de dez dias, exames específicos para diagnosticar a doença em três laboratórios públicos.

CASOS

O Ministério da Saúde monitora atualmente dois casos suspeitos de pessoas que atendem aos critérios de definição de caso suspeito de Influenza suína. Os pacientes estão sendo acompanhados em São Paulo (capital) e Minas Gerais (Belo Horizonte).

Outros 36 casos estão sendo investigados, em 11 estados. São pessoas que estiveram em áreas afetadas e que apresentaram alguns sintomas, mas que não são consideradas suspeitas, porque não atendem à definição de caso suspeito preconizada pelo Ministério da Saúde.

Tire suas dúvidas sobre o risco e a prevenção da gripe suína

A gripe suína é uma doença respiratória de porcos causada por um vírus Influenza tipo A que causa regularmente crises de gripe em porcos. Ocasionalmente, o vírus vence a barreira entre espécies e afeta humanos. O vírus da gripe suína clássico foi isolado pela primeira vez num porco em 1930.

Como a gripe suína mata?

Na verdade, qualquer tipo de gripe pode matar, em especial as pessoas com sistema imune (de defesa do organismo) enfraquecido. A gripe suína parece ser capaz de afetar gravemente pessoas com sistema imune mais forte, e seu mecanismo de ação ainda precisa ser estudado em detalhes.

Quantos vírus de gripe suína existem?

Como todos os vírus de gripe, os suínos também mudam constantemente. Os porcos podem ser infectados por vírus de gripe aviária e humana. Quando todos contaminam o mesmo porco, pode haver mistura genética e novos vírus que são uma mistura de suíno, humano e aviário podem aparecer. No momento, há quatro classes principais de vírus de gripe suína do tipo A, que são H1N1, H1N2, H3N2 e H3N1. A crise atual é causada pelo vírus H1N1.

Como os seres humanos pegam gripe suína?

Normalmente, esses vírus não infectam humanos. Entretanto, vez por outra mutações no vírus permitem que eles contaminem pessoas. Na maioria das vezes, os contágios acontecem quando há contato direto de humanos com porcos. Mas também já houve casos em que, após a transmissão inicial do porco para o homem, a partir dali o vírus passou a circular de pessoa para pessoa. Foi o caso de uma série de casos ocorridos em Wisconsin, EUA, em 1988. Nesses casos, a transmissão ocorre como a gripe tradicional, pela tosse ou pelo espirro de pessoas infectadas.

Consumir carne de porco pode causar gripe suína?

Não. Ao cozinhar a carne de porco a 70 graus Celsius, os vírus da gripe são completamente destruídos, impedindo qualquer contaminação.

O que fazer para evitar o contágio?

- Cubra seu nariz e boca com um lenço quando tossir ou espirrar. Jogue no lixo o lenço após o uso.

- Lave suas mãos constantemente com água e sabão, especialmente depois de tossir ou espirrar. Produtos à base de álcool para limpar as mãos também são efetivos.

- Evite tocar seus olhos, nariz ou boca. Os germes se espalham deste modo.

- Evite contato próximo com pessoas doentes.

- Se você ficar doente, fique em casa e limite o contato com outros, para evitar infectá-los.

Quais são os sintomas da gripe suína?

Os sintomas são normalmente similares aos da gripe comum e incluem febre, letargia, falta de apetite e tosse. Algumas pessoas com gripe suína também tiveram coriza, garganta seca, náusea, vômito e diarreia.

Fonte: g1.globo.com

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